Rocco Mancini
A escolha daquela catedral não foi um capricho estético; era uma demonstração de domínio absoluto. Na Itália, onde o sagrado e o profano caminham de mãos dadas, não existe poder real sem a bênção da Igreja ou, no nosso caso, sem o controle dela. Aquela catedral de pedra escura, com seus vitrais que narraram martírios e glórias, era um território dos Mancini há gerações. Os cardeais podiam responder ao Vaticano, mas os párocos daquela paróquia respondiam ao meu pai. O sino que dobrava no topo da torre não anunciava apenas a vontade de Deus, mas o veredito da nossa família.
Estar ali, sob o teto gerenciado pelos meus ancestrais, dava à coroação uma aura de direito divino que silenciava até os meus inimigos mais céticos.
A Liturgia do Medo começaria.
Caminhar até o altar central foi como atravessar a própria história. As estátuas dos santos, esculpidas com expressões que pareciam julgar a nossa depravação, eram as únicas testemunhas que eu respeitava. O eco dos meus pa