Rocco Mancini
O hall da mansão Mancini não era apenas uma entrada; era um monumento à arrogância de uma linhagem que havia construído seu império sobre o silêncio dos cemitérios. O mármore Carrara sob meus pés brilhava tanto que eu podia ver o reflexo distorcido da minha própria face, uma máscara de frieza absoluta, esculpida para o dia em que eu deixaria de ser um homem para me tornar uma instituição.
Eu terminei de ajustar as abotoaduras novamente, acho que era um tique nervoso. O peso do relógio de ouro em meu pulso parecia o de uma algema real. Às oito da manhã, a casa já cheirava a flores caras, cera de assoalho e o medo antecipado que sempre acompanhava as grandes transições de poder. Eu estava pronto. Mas o destino, ou talvez o inferno, tinha outros planos.
O som de passos rítmicos e pesados ecoou no corredor. Eu não precisei me virar. O cheiro de tabaco barato misturado com uma colônia excessivamente doce e o som de um suspiro carregado de escárnio eram assinaturas que eu rec