Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm meio às dunas abrasadoras e aos sussurros antigos do deserto, um jovem nômade chamado Felon atravessa uma jornada que mudará para sempre o destino de sua linhagem. Após um ritual de iniciação envolto em mistérios ancestrais, presságios celestes e vozes que ecoam entre o mundo dos vivos e dos espíritos, ele passa a carregar marcas que o conectam a um segredo enterrado há séculos. Na grandiosa cidade de Zefrenu — onde pirâmides reluzem sob o sol, templos guardam verdades proibidas e criaturas divinas observam os homens do alto das pedras sagradas — Felon descobre que antigos erros ainda lançam sombras sobre o presente. Entre profecias inquietantes, encontros marcados pelo desejo e revelações que desafiam sua própria compreensão da realidade, o jovem é arrastado para uma trama onde o passado parece se repetir como uma serpente devorando a própria cauda. Mas algumas maldições não desejam apenas sobreviver. Desejam retornar. Com uma atmosfera mística inspirada nos desertos ancestrais, rituais esquecidos e forças ocultas que caminham entre a luz e a escuridão, Sussurro da Serpente conduz o leitor por uma jornada de mistério, espiritualidade, paixão e destino — onde cada sussurro pode ser um aviso… ou o chamado inevitável do abismo.
Ler maisO vento soprava suavemente, e depois de alguns dias os danos à Zefrenu foram restaurados, Felon andava sozinho em meio a multidão de pessoas no mercado. Passando entre várias tendas, os comerciantes anunciavam suas mercadorias, desde de incensos, roupas, pergaminhos até alimentos. A vastidão dos moradores fazia os ouvidos de Felon zumbirem, mas ele tentava ignorar, pois era melhor do que se lembrar das revelações da Anciã. — “As estrelas contam histórias de que o Ouroboros está prestes a se partir, será você quem irá destruir.” — Foram as suas últimas palavras, e ainda ecoavam na cabeça de Felon como se acabassem de serem pronunciadas. — Ouroboros… — O jovem sussurrou. — A serpente que morde a própria cauda. — Ele fechou os olhos brevemente e pode visualizar em meio à brumas espessas duas silhuetas, uma garota e um garoto, estavam de costas um para outro, mas tentavam segurar as mãos um do outro, e ao fundo um sibilar incessante de uma serpente, quando Felon abriu os olhos novamente
Felon caminhava silenciosamente pelas ruas agitadas de Zefrenu, os moradores continuavam a reconstruir a cidade após os danos que a Esfinge deixou.Os pensamentos do jovem estavam enevoados, pensando na forma como a criatura estava sob a pirâmide, de forma imponente e etérea, e nas palavras que direcionou à ele. — A serpente que morde a própria cauda rasteja pela sua estrada, com o morcego pálido seguido pelo luar, terá que quebrar o que outrora sua linhagem não conseguiu, a porcelana que por pouco não se partiu. — Felon sussurrava para si mesmo, tentando entender o que tais palavras significavam, conforme andava, olhando para os seus pés, acabou esbarrando em um homem que grunhiu e se virou para Felon. — Perdão, eu estava distraído. — O jovem falava enquanto levantava a cabeça, e seus olhos arregalaram ao perceber que se tratava de Zahir, que logo sorriu ao reconhecer Felon. — Olha se não é meu nômade preferido. — O homem arqueou levemente a sobrancelha e coçou com as pontas dos de
As ruas agitadas faziam os ouvidos de Felon arderem após silêncio confortante do Templo de Ísis, e as palavras da sacerdotisa ainda ecoavam no âmago de sua alma. Sua mente vagava novamente para sua iniciação no oásis, e especialmente a invocação da Senhora dos Mistérios que sua ancestral havia feito. — Sempre me chame quando precisar de ajuda, da mesma forma que sua mãe o fazia. — Ela havia dito e a frase ecoava em sua mente, fazendo com que dos comerciantes anunciando suas mercadorias fossem ecos distantes de um tempo que já havia passado há muito tempo. — Felon! — chamou uma voz masculina um pouco mais rouca e firme que a de Felon, fazendo com que o mesmo saísse subitamente de seus devaneios e buscando de onde vinha o chamado, e então se deparou com um homem alto, com pele morena e olhos castanhos escuro, barba feita, usando roupas pretas bem fechadas com uma capa e botas de couro marrom. Os cabelo castanho escuro com alguns fios grisalhos estavam levemente bagunçados. O homem sor
Um clarão avermelhado de um enorme sol nascendo diante de uma pirâmide branca, Felon andava sob as areias mornas e usava apenas uma túnica branca curta da cintura até os joelhos, caminhava suavemente pois as dunas aparentavam serem feitas de tapetes felpudos, à medida que o sol se erguia vermelho e imponente, o jovem ergueu seus braços ao céu púrpura e alaranjado e passava as mãos por seus cabelos longos com tranças. E então aos poucos a sua visão foi clareando, e ao abrir os olhos Felon estava de volta na margem do rio, e os feixes de luz estavam atravessando as árvores, seus pés estavam submersos e ele sentia cócegas nos dedos, ao se sentar percebeu que alguns peixes os beijavam, ele riu e então e mexeu devagar os dedos fazendo com os peixes fugissem. Ao olhar para o lado, o jovem percebeu que suas roupas haviam sumido, ele franziu o cenho. — Zahir… — Se levantou então e foi em direção para onde ele andou na noite passada, e o encontrou terminando de arrumar suas coisas em seu came
Último capítulo