Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm meio às dunas abrasadoras e aos sussurros antigos do deserto, um jovem nômade chamado Felon atravessa uma jornada que mudará para sempre o destino de sua linhagem. Após um ritual de iniciação envolto em mistérios ancestrais, presságios celestes e vozes que ecoam entre o mundo dos vivos e dos espíritos, ele passa a carregar marcas que o conectam a um segredo enterrado há séculos. Na grandiosa cidade de Zefrenu — onde pirâmides reluzem sob o sol, templos guardam verdades proibidas e criaturas divinas observam os homens do alto das pedras sagradas — Felon descobre que antigos erros ainda lançam sombras sobre o presente. Entre profecias inquietantes, encontros marcados pelo desejo e revelações que desafiam sua própria compreensão da realidade, o jovem é arrastado para uma trama onde o passado parece se repetir como uma serpente devorando a própria cauda. Mas algumas maldições não desejam apenas sobreviver. Desejam retornar. Com uma atmosfera mística inspirada nos desertos ancestrais, rituais esquecidos e forças ocultas que caminham entre a luz e a escuridão, Sussurro da Serpente conduz o leitor por uma jornada de mistério, espiritualidade, paixão e destino — onde cada sussurro pode ser um aviso… ou o chamado inevitável do abismo.
Ler maisA paisagem amarelada deixava os olhos de Felon cansados, para onde quer sua vista alcançava era uma grande imensidão de areia.
Seus pés doíam enquanto caminhava, e mesmo protegendo sua pele com suas roupas e os lenços de cores claras sob a cabeça, ainda sim o sol queimava. Não havia qualquer nuvem em meio ao céu azul, Felon tentava examinar a paisagem, pegou seu cantil amarrado na cintura e tomou os últimos goles de água, o líquido descia gelado em sua garganta e aos poucos revigorava seu corpo, para dar continuidade a caminhada. Passou mais algumas horas subindo e descendo entre as dunas, vez o outra seus pés afundavam, fazendo com aquela areia fina e quente entrasse em suas botas e queimava levemente seus pés até esfriar aos poucos. O jovem estava quase perdendo a esperança de que iria encontrar um lugar para montar acampamento, quando encarou o sol novamente, pela sua posição Felon supôs que era quase três horas da tarde, e nesse momento sentiu a atmosfera abafada se dissipar um pouco para dar espaço à uma brisa fresca, e então tornou a caminhar e quando subiu mais uma duna seus olhos se encheram de lágrimas ao se deparar com um pequeno oásis à sua frente, correndo e tropeçando entre a areia foi até lá, parando a sombra das palmeiras e se ajoelhando no leito do lago azul esverdeado, tirou o lenço que cobria seu rosto e molhou seus lábios secos na água gelada. O jovem fechou os olhos e permitiu seu corpo ser dominado nesse êxtase, sentiu o frescor percorrer sua pele e sua alma parecia estar viva novamente. Ao abrir os olhos removeu a bolsa pesada das costas e tirou as botas, a areia que saía escorreu formando duas pequenas dunas em meio ao chão terroso e levemente áspero, o jovem então aos poucos removeu o lenço que cobria sua cabeça e sua camisa bege, e olhou seu reflexo na água. Seus olhos verdes cintilavam pelo brilho do sol, assim como sua pele morena, ele percebeu que havia emagrecido um pouco com a caminhada no deserto, seu rosto estava um pouco mais finos e olheiras quase imperceptíveis se formavam abaixo dos olhos, seu cabelo castanho escuro estava mais longo e um pouco desgrenhado. E tocou a superfície do lago com as mãos e seu corpo todo arrepiou, brincou um pouco com a água até então tirar sua calça preta e deixou na margem, próxima a bolsa e o cantil, entrou na água devagar, permitindo que seus pés aos poucos sentissem o frescor conforme adentrava. O jovem suspirou profundamente quando a água parou na altura de sua cintura e então mergulhou rapidamente, quando voltou a superfície jogou seu cabelos para trás que caíram em cascata em suas costas, ele sorriu e soltou alguns risos, e então escutou um chamado surrado em seus ouvidos. — Hoje a noite é lua minguante… — Era uma voz áspera e feminina que falou rapidamente e se dissipou conforme uma brisa quente começou a soprar. Felon respirou fundo e mergulhou mais uma vez e quando voltou a superfície ficou boiando no lago enquanto encarava o céu, seus cabelos dançavam ao redor de sua cabeça, e sua mente estava inquieta. Ele sabia o que precisava fazer durante a noite. — Quando os ancestrais sussurram é necessário escutar. — Ele falou devagar com sua voz levemente rouca, e então fechou os olhos. Começava a anoitecer aos poucos, e Felon caminhou lentamente até a margem, deixando seu corpo secar naturalmente. Naquele momento não sentiu necessidade ainda de vestir suas roupas, queria que a brisa noturna tocasse cada centímetro de seu corpo, deixando o jovem arrepiado e com uma leve sensação de êxtase. Seus olhos verdes esmeralda se perderam no crepúsculo com tons de laranja, vermelho e amarelo conforme o céu se tornava púrpura e adiante um azul tão profundo quanto o oceano. Felon aos poucos foi voltando do seu devaneio ao ver aos poucos a lua minguante surgir pequena e próxima à constelação de Órion, o jovem sabia que o momento estava chegando, então vestiu sua calça preta e enrolou seu lenço no pescoço e foi em busca de alguns troncos e pedras para fazer uma fogueira. Cada vez mais estrelas surgiam no céu, e um ponto vermelho e outro amarelo, de lados opostos, ficavam maiores. A lua estava maior e quase chegava ao centro quando por fim o jovem terminou de montar a fogueira e começou a acender utilizando duas pedras. A brisa soprava suavemente e ficava cada vez mais gélida, Felon tremia levemente, mas procurava se concentrar e não permitia se abalar, pois após as altas temperaturas do deserto um pouco de frio era bem-vindo. Quando conseguiu acender a fogueira todo o oásis se iluminou com as chamas vermelhas e amareladas. O jovem se levantou e foi até a mochila e pegou um pequeno saco preto e retornou para perto do fogo, ele respirou fundo e deixou seu olhar percorrer a fumaça que subia em direção ao céu, e então a lua minguante, junto com o ponto vermelho e o amarelo formavam um perfeito triângulo cósmico, e Felon estava justamente no centro com sua fogueira, ele abriu o saco e tirou uma mistura de ervas com cheiro forte, que causavam até mesmo um certo amargor em sua boca, fechou os olhos e levantou os braços em prece diante das chamas crepitando. Com a voz rouca e firme ele recitou: — Força Sagrada, força do fogo, e através do vento com esse sopro chamo pelos espíritos dos ancestrais, a Grande Senhora da Lua Minguante e seus saberes abissais, responda o chamado através dos aromas das santas ervas, aquelas que carregam a sabedoria de todas as eras! —Felon juntou as mãos com a mistura de ervas nas suas palmas, respirou fundo, fechou os olhos e franziu o cenho e soprou com a mesma intensidade das brisas gélidas que tocavam seu torso nu. O fogo começou a crepitar e as chamas ficaram mais altas, aos poucos um tom vívido de verde se uniu ao amarelo e cobrindo totalmente o vermelho, uma fumaça esverdeada com cheiro forte subia ao céu, deixando Felon com estômago revirando, ele abriu os olhos suavemente, e então percebeu que em meio às chamas uma sombra começava a ganhar forma de uma silhueta alta, com véu escuro cobrindo parte dos olhos, pele morena e enrugada com rosto com traços fortes e levemente pontiagudo, nariz aquilino e boca fina com lábios roxos. A figura carregava um cajado robusto na mão direita esquelética, que não era queimado nas chamas, e encarava Felon com os mesmos olhos verdes esmeraldas. O jovem curvou em reverência e olhou diretamente para a mulher e antes que pudesse dizer qualquer coisa ela abriu a boca e sua voz áspera ecoou por todo o oásis: — A cidade está próxima, Caminhante das Areias, que a força do nosso povo esteja com você. — Sua presença era pesada e deixava o corpo de Felon todo arrepiado. Ela estendeu sua mão esquerda. — O lenço. Felon tirou cuidadosamente o lenço claro de seu pescoço e o entregou para a mulher, que passava o tecido nas chamas e depois em seu cajado, e por fim passando em seu rosto e o soprou suavemente, com um hálito tão gélido quanto a própria noite e aos poucos a coloração ficou ficando azul e púrpura com pequenos detalhes prateados. A mulher estendeu de volta para o jovem, que pegou logo em seguida. Ela tornou seu olhar sério para o céu e apontou para o ponto vermelho e em seguida para o amarelo. — Você nasceu em uma noite como essa, eu me lembro…— Seus olhos brilhavam conforme falava. —, quando Marte e Vênus se encontram no céu noturno. — A mulher tornou a olhar para Felon. — E nessa noite você renascerá. — Seus lábios curvaram levemente, formando um sorriso torto, que logo desapareceu. —Remova suas roupas. O rosto de Felon corou levemente enquanto tirava a calça e ficava em pé diante da anciã. — Senhora. — Ele curvou a cabeça em mais uma reverência, em pé a mulher era poucos centímetros mais alta do que ele. — Felon dos Povos Nômades, está pronto para ser iniciado diante do Grande Mistério? Com os astros do céu como suas testemunhas. — Estou. — Ele respondeu com a voz firme. A mulher estendeu a mão e tocou o centro do peito do jovem, o coração dele pulsava rapidamente e todo seu corpo estava arrepiado, sentindo o toque. — O Filho de Marte e Vênus vem até o Grande Mistério, ele o saúda, ele o respeita e agora está pronto para se unir à Ele. — A mulher ergueu seu cajado em direção à lua. — Grande Deusa Anciã, a Senhora que é o próprio Mistério, aquela que conhece o linear entre a vida e a morte, a Guardiã dos Mundos Mortal e Espiritual, eu Opala, que um dia pertenceu aos Povos Nômades clamo à ti como sua Sacerdotisa e peço por sua benção e permissão para esta iniciação, que tua Sabedoria Arcaica seja derramada sobre a alma desse, agora homem, e que ele se lembre do conhecimento ancestral que seu espírito carrega no decorrer de suas encarnações na terra, e que acima de tudo use com sabedoria esses conhecimentos, pois aquele que não honra seu juramento e sua iniciação ao Grande Mistério paga com sua própria vida. Que assim seja! — A mulher tirou sua mão do peito do jovem e abaixou o cajado. — Caminhe na Sombra e na Luz, Felon dos Povos Nômades, use seu lenço para se proteger, pois ele é o símbolo da sua União com o Grande Mistério, que a Grande Deusa e seus ancestrais o abençoe, da mesma forma como eu aqui e agora o abençoo. — A senhora deu uma piscadela e olhou para o triângulo cósmico se desfazendo conforme a lua ia suavemente para o horizonte. — Sempre me chame quando precisar de ajuda, da mesma forma que sua mãe o fazia. — Aos poucos sua figura foi ficando cada vez mais translúcida até se tornar apenas sombras. As chamas da fogueira diminuíram e voltaram à tonalidade original até se apagarem por completo conforme o sol nascia no leste, iluminando aos poucos as dunas. Felon encarava pacificamente os tons de azul, rosa e amarelo claro que surgiam na paisagem matutina, mas seu coração ainda pulsava rapidamente, a náusea havia passado, mas seu corpo ainda era domado por um frenesi que não conseguia encontrar palavras para descrever. Ele sentia aos poucos sua cabeça começar a pesar conforme lapsos de memórias antigas surgiam em seu cérebro: cidadelas de pedra, palmeiras, algumas pessoas, a constelação da Ursa Maior, florestas vastas, planícies desérticas, e por fim uma enorme Esfinge rugindo em cima de uma pirâmide. As pálpebras de Felon ficavam pesadas e tudo ao redor começou a girar até se desfazer em clarão e ele cair de costas próximo a fogueira apagada. Quando acordou o sol estava bem alto no céu, e seu corpo nu estava coberto com uma leve camada de areia, seus olhos estavam coçando, havia um homem ajoelhado ao seu lado. — Amigo, está tudo bem? — Ele tinha sotaque carregado, cabelos negros e pele cor de oliva. — Eu o encontrei aqui há alguns minutos. Os pensamentos de Felon ainda estavam confusos, sua cabeça ainda girava um pouco. — Eu acho que sim… — Ele sentou e encarou os restos da fogueira. — Apenas tive uma noite intensa. — Nesse momento o jovem escutou os risos ásperos da anciã. O homem segurava suas costas e seus olhos castanhos encaravam o seu peitoral de Felon, foi quando percebeu que haviam duas tatuagens pequenas marcando sua pele morena, um círculo vermelho e outro amarelo, lado a lado. O homem parecia não conhecer o significado, mas olhava fascinado, mas não o suficiente para perguntar do que se tratava. Ele então sorriu suavemente. — Consegue levantar sozinho? — Acho que sim. — O corpo do jovem estava quente, mas não estava incomodando, nem sequer a areia em todo seu corpo estava, Felon se sentia parte daquele oásis, do deserto, de toda aquela paisagem ao seu redor. Ao tentar se levantar quase caiu novamente, e o homem o segurou, eram da mesma altura. — Gratidão. — Ele olhava o homem com um olhar curioso. — O que ele estaria fazendo aqui no meio do desenho? — Pensou. Firmou o equilíbrio. — Preciso me lavar. O homem o guiou silenciosamente até o lado e deixou com que Felon entrasse sozinho, e ficou observando atentamente enquanto ele mergulhava e se levava nas águas. Seu olhar era curioso. — O que faz aqui no meio do deserto? — Felon perguntou enquanto esfregava os braços. — Sou comerciante. — Ele apontou para o camelo amarrado em uma das árvores na sombra, carregava duas bolsas grandes em cada lado. — Estou indo para a Cidade de Zefrenu. E você? — O olhar do homem percorria os olhos verdes de Felon até um pouco mais abaixo de sua cintura na água. — Estou viajando. — Felon virou de costas e foi um pouco fundo na água. — E veio de onde? — O homem perguntou enquanto ia mais perto do lago. — Um pequeno povoado ao norte daqui. — Felon estava ficando com um leve rubor no rosto pela forma que o homem o encarava. — Você parece muito com alguns Povos Nômades que encontrei em algumas rotas. Mas nunca vi nenhum deles com essas tatuagens. — Ele apontou com o queixo para o peitoral de Felon. — Já viu muitos sem roupa? — Felon arqueou levemente a sobrancelha enquanto saia da água e logo vestiu sua calça. — Não. — O homem riu. — Então você é um deles? — Sim. — Felon vestiu sua camisa clara e enrolou o lenço no pescoço, ainda tinha o cheiro forte das ervas da noite anterior, mas já não deixava tão nauseado. — Você não me disse seu nome. — O homem fala sorrindo ao se aproximar de Felon, enquanto o terminava de vestir sua capa. — Você também não me disse o seu, mercador. — O jovem o observa com olhar atento, seu cavanhaque escuro e olhos levemente puxados. — Sou Zahir. — o homem arqueou a sobrancelha. —, e você, pelado do deserto? Felon soltou um riso. — Sou Felon. — Ele pegou o cantil e o encheu no lago. — Não precisa me chamar assim. — Combina com você. — Ele riu junto, e então soltou o camelo para beber água. — Não me falou para onde está indo. — Também estou indo para Zefrenu. — Pode ir comigo se quiser. Felon se aproxima dele, o encarando de cima abaixo, as roupas eram mais grossas e de tonalidade marrom, pareciam proteger bem melhor contra o sol. — É dessa forma que acaba vendo Povos Nômades pelados? — Perguntou rindo. Zahir respirou fundo tentando controlar o riso, mas não conseguiu. — Existem várias formas de ver alguém pelado. — Ele colocou a mão no ombro do Felon e aproximou o seu rosto dele. — E você parece alguém que gostaria de descobrir. — Não estou interessado. — Felon desviou o olhar e afastou o rosto — Terá que se contentar com suas memórias do meu banho. — Ele respirou fundo e bebeu um pouco da água do cantil. — Agradeço pela ajuda, mercador. — Felon recolheu a mochila e prendeu o cantil na calça. — Quem sabe nos esbarramos na cidade. — O jovem colocou a mochila nas costas, e piscou para o homem e logo em seguida tampou o rosto com o lenço e saiu andando entre as dunas. — Espere! — Zahir foi atrás dele, mas quando se deu conta Felon havia desaparecido entre as dunas, como se estivesse se tornando areia. O homem coçou a cabeça sem entender. — Povos Nômades, nunca irei entender…O vento soprava suavemente, e depois de alguns dias os danos à Zefrenu foram restaurados, Felon andava sozinho em meio a multidão de pessoas no mercado. Passando entre várias tendas, os comerciantes anunciavam suas mercadorias, desde de incensos, roupas, pergaminhos até alimentos. A vastidão dos moradores fazia os ouvidos de Felon zumbirem, mas ele tentava ignorar, pois era melhor do que se lembrar das revelações da Anciã. — “As estrelas contam histórias de que o Ouroboros está prestes a se partir, será você quem irá destruir.” — Foram as suas últimas palavras, e ainda ecoavam na cabeça de Felon como se acabassem de serem pronunciadas. — Ouroboros… — O jovem sussurrou. — A serpente que morde a própria cauda. — Ele fechou os olhos brevemente e pode visualizar em meio à brumas espessas duas silhuetas, uma garota e um garoto, estavam de costas um para outro, mas tentavam segurar as mãos um do outro, e ao fundo um sibilar incessante de uma serpente, quando Felon abriu os olhos novamente
Felon caminhava silenciosamente pelas ruas agitadas de Zefrenu, os moradores continuavam a reconstruir a cidade após os danos que a Esfinge deixou.Os pensamentos do jovem estavam enevoados, pensando na forma como a criatura estava sob a pirâmide, de forma imponente e etérea, e nas palavras que direcionou à ele. — A serpente que morde a própria cauda rasteja pela sua estrada, com o morcego pálido seguido pelo luar, terá que quebrar o que outrora sua linhagem não conseguiu, a porcelana que por pouco não se partiu. — Felon sussurrava para si mesmo, tentando entender o que tais palavras significavam, conforme andava, olhando para os seus pés, acabou esbarrando em um homem que grunhiu e se virou para Felon. — Perdão, eu estava distraído. — O jovem falava enquanto levantava a cabeça, e seus olhos arregalaram ao perceber que se tratava de Zahir, que logo sorriu ao reconhecer Felon. — Olha se não é meu nômade preferido. — O homem arqueou levemente a sobrancelha e coçou com as pontas dos de
As ruas agitadas faziam os ouvidos de Felon arderem após silêncio confortante do Templo de Ísis, e as palavras da sacerdotisa ainda ecoavam no âmago de sua alma. Sua mente vagava novamente para sua iniciação no oásis, e especialmente a invocação da Senhora dos Mistérios que sua ancestral havia feito. — Sempre me chame quando precisar de ajuda, da mesma forma que sua mãe o fazia. — Ela havia dito e a frase ecoava em sua mente, fazendo com que dos comerciantes anunciando suas mercadorias fossem ecos distantes de um tempo que já havia passado há muito tempo. — Felon! — chamou uma voz masculina um pouco mais rouca e firme que a de Felon, fazendo com que o mesmo saísse subitamente de seus devaneios e buscando de onde vinha o chamado, e então se deparou com um homem alto, com pele morena e olhos castanhos escuro, barba feita, usando roupas pretas bem fechadas com uma capa e botas de couro marrom. Os cabelo castanho escuro com alguns fios grisalhos estavam levemente bagunçados. O homem sor
Um clarão avermelhado de um enorme sol nascendo diante de uma pirâmide branca, Felon andava sob as areias mornas e usava apenas uma túnica branca curta da cintura até os joelhos, caminhava suavemente pois as dunas aparentavam serem feitas de tapetes felpudos, à medida que o sol se erguia vermelho e imponente, o jovem ergueu seus braços ao céu púrpura e alaranjado e passava as mãos por seus cabelos longos com tranças. E então aos poucos a sua visão foi clareando, e ao abrir os olhos Felon estava de volta na margem do rio, e os feixes de luz estavam atravessando as árvores, seus pés estavam submersos e ele sentia cócegas nos dedos, ao se sentar percebeu que alguns peixes os beijavam, ele riu e então e mexeu devagar os dedos fazendo com os peixes fugissem. Ao olhar para o lado, o jovem percebeu que suas roupas haviam sumido, ele franziu o cenho. — Zahir… — Se levantou então e foi em direção para onde ele andou na noite passada, e o encontrou terminando de arrumar suas coisas em seu came
Último capítulo