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Capitulo 2 Enzo Coppola

Che cazzo! — Digo batendo a mão na mesa, já alterado. — É sério isso? A solução para nossos problemas se resume ao meu casamento com uma italianinha qualquer?

— Veja bem, Enzo, não é a solução para todos os problemas — meu tio Aldo fala calmamente, apoiando-se na cadeira de costas. — Mas um casamento entre você e a filha dos Falconi apaziguaria os ânimos. E, devo lembrar, Isabella Falconi não é uma italianinha qualquer. Ela foi criada para isso.

Sentado na ponta da mesa, observo Aldo Bianchi, com seu terno impecável e um sorriso de aparente serenidade, levantando-se com a postura calma de quem sabe que controla o tempo e o destino para fazer uso da palavra. Ele assumiu um lugar no conselho porque minha mãe, que era sua irmã intercedeu por ele antes de morrer. Se dependesse de meu pai ele nem estaria aqui.

Eu e meus irmãos, Felippo e Matteo, somos os herdeiros da máfia Casa Nostra.

A sala em que nos encontramos exalava poder e tradição. Paredes altas revestidas de madeira escura, estantes com livros antigos e troféus de negócios e batalhas passadas. Um grande lustre de cristal central lançava luz quente sobre a mesa oval de carvalho polido, onde todos nós estávamos sentados. O cheiro de charuto e café se misturava ao aroma de couro e papel antigo.

Enquanto Aldo falava, meus olhos se desviaram para Felippo. Mio frattelo estava inquieto, as mãos tensas sobre a mesa, o corpo inclinado para frente, os olhos fixos em Salvatore Romano. Percebi a mão dele encostar discretamente no coldre, pronto para atacar caso a família Romano ousasse um movimento hostil. A impaciência e a tensão de Felippo eram quase tangíveis, e senti um frio percorrer minha espinha — ele sempre via a ameaça antes de todos nós.

Ao meu lado, Matteo mio frattelo mais novo, ajustava o colarinho do terno, estudando cada gesto, cada olhar, calculando possibilidades. Don Cesare Valtieri, nosso mentor e braço direito do meu pai, permanecia firme na ponta da mesa. Seus olhos grisalhos transmitiam experiência e paciência, impondo respeito mesmo no silêncio.

Do outro lado, Salvatore Romano e seu filho Marcello observavam cada gesto, prontos para aproveitar qualquer fraqueza. A recusa de casar-se com Caterina ainda ardeu como ferida aberta, e era evidente que estavam prontos para testar limites.

—  Madonna mia, santa, Enzo! — continuou Don Cesare, a voz grave, carregada de sabedoria —, essa aliança não é apenas sobre casamento. É sobre política, estabilidade e sobrevivência. Os Falconi podem fechar acordo com os Nahgueda, e você sabe o que isso significaria para nós. Aceitar conhecê-la pode evitar uma guerra antes mesmo de ela começar.

Enquanto ouvia, não pude deixar de pensar na responsabilidade que recaiu sobre meus ombros desde a morte de meu pai, Vittorio Coppola, assassinado em uma emboscada há pouco mais de seis meses. Eu assumi o poder da família com trinta e três anos, sabendo que cada decisão poderia significar vida ou morte, não apenas para mim, mas para todos os que dependiam de nós. Filippo, mio fratello do meio soltou um suspiro contido, mas seus dedos permaneceram próximos ao coldre, lembrando-me do perigo que qualquer movimento errado poderia gerar uma catástrofe. Matteo observava entediado, ele odiava tudo que esse conselho representava. Aldo sorriu levemente, sempre calmo, como se previsse o desenrolar de tudo.

— Então, como vamos proceder? — pergunta Salvatore Romano, a voz carregada de desafio. — Meu voto permanece: acredito que a melhor escolha é nosso Don se casar com uma esposa do conselho. Mas, claro, a decisão final é do Don.

Aldo se levanta e, com gestos suaves, propõe:

— Façamos a votação formal. Todos aqueles que apoiam que Enzo conheça a filha dos Falconi, levantem a mão.

Mãos se levantam, com a maioria inclinada a aceitar a proposta. Mas, como esperado, Salvatore Romano permanece sentado, braços cruzados, com o olhar frio e desafiador.

— Contra — Diz ele, firme.

Já imaginava essa posição dos Romano, já que antes de meu pai ser morto, ele chegou a propor um casamento entre mim e sua filha Caterina Romano, mas meu pai negou.

O silêncio se estende por alguns segundos, e então Aldo olha diretamente para mim, o sorriso tranquilo escondendo qualquer pressa.

— Enzo, o último voto cabe a você — diz tio Aldo, colocando uma mão firme em meu ombro. — Lembre-se do que está em jogo: a sobrevivência da família, nossos negócios, a paz temporária entre as famílias.

Respiro fundo, sentindo o peso do mundo sobre meus ombros. O Conselho inteiro me observa, cada par de olhos cheio de expectativa. Olho novamente para Felippo, a rivalidade entre ele e Marcelo Romano é palpável perante a todos, sua mão ainda próxima ao coldre, o corpo tenso, pronto para qualquer ameaça. Ele confia em mim, mas também está pronto para agir.

— Aceito conhecer a famiglia Falconi — digo, finalmente. — Que venham a Nova York.

                                         

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