EPÍLOGO
Enzo Coppola
A Toscana sempre teve esse cheiro: uva madura, terra quente e vento amaciado pelo sol. É um perfume antigo, que gruda na memória e, por algum motivo que nem tento entender, me acalma.
Talvez porque aqui nada me lembra sangue. Nada me lembra perda. Nada me lembra o Don que o mundo exige que eu seja.
Caminho entre as fileiras do parreiral enquanto Isabella acompanha meu passo, o vestido leve roçando na pele bronzeada pelas últimas semanas de calmaria. Nani ficou em casa com Dante, prometendo que não tiraria os olhos dele nem por um segundo. Deixar nosso filho lá enquanto vínhamos ver a vinícola foi o mais perto de uma “folga” que tivemos desde que o pequeno nasceu.
E, sinceramente, senti falta desse tempo com ela.
— Non è bellissimo? — Isabella pergunta, girando devagar entre as vinhas, como se estivesse em um filme. A luz dourada cola no cabelo dela, transformando tudo o que toco em al