Mundo ficciónIniciar sesiónLívia desceu as escadarias de mármore com o coração acelerado, mas a presença silenciosa de Frederico, um passo atrás dela, trazia uma calma estranha. Na sala de estar, Ricardo — o irmão de Alessandro — já estava servindo-se do uísque mais caro do bar, acompanhado por sua mãe, Adelaide, que olhava para os quadros na parede como se já estivesse calculando o valor de leilão.
— Lívia, finalmente! — Ricardo exclamou, sem se virar. — Estávamos discutindo como esta casa parece vazia sem um homem de verdade para comandá-la.
Lívia parou no último degrau, cruzando os braços.
— Esta casa é minha e da Loren, Ricardo. E vocês não foram convidados.
Ricardo se virou com um sorriso cínico, mas o sorriso morreu instantaneamente quando seus olhos encontraram a figura monumental atrás de Lívia. Frederico estava parado, as mãos cruzadas à frente do corpo, a expressão tão imóvel quanto uma estátua de mármore.
— Quem é esse? — Ricardo perguntou, medindo Frederico de cima a baixo. — Um novo segurança? Lívia, eu já te disse que meus homens podem cuidar da propriedade. Não precisa contratar... isso.
Ricardo caminhou até Frederico, tentando usar sua altura e o terno de grife para intimidá-lo. Ele parou a poucos centímetros do rosto de Frederico.
— Escute aqui, brutamontes. Eu sou o dono de metade do que você está vendo. Se eu estalar os dedos, você volta para a rua de onde veio. Entendeu? — Ricardo estendeu a mão para empurrar o ombro de Frederico.
Ele não conseguiu mover um milímetro.
Antes que o dedo de Ricardo tocasse o tecido do paletó, Frederico apenas inclinou levemente a cabeça. O olhar que ele lançou a Ricardo não era o de um empregado; era o olhar de um predador observando uma presa barulhenta.
— O senhor está invadindo o espaço pessoal da Senhora Albuquerque — a voz de Frederico saiu tão baixa e gélida que o ar na sala pareceu cair dez graus. — E o meu também.
— Como é que é? — Ricardo gaguejou, a cor fugindo de seu rosto.
— Um passo atrás. Agora — ordenou Frederico.
Não houve grito, mas a autoridade naquelas três palavras fez os joelhos de Ricardo fraquejarem. Ele recuou dois passos, instintivamente, como se seu corpo reconhecesse um perigo mortal que sua mente ainda não entendia.
— Lívia! Você vai deixar esse... esse animal falar assim comigo? — Adelaide gritou do sofá, a voz estridente.
Lívia sentiu um prazer quase proibido ao ver o medo nos olhos do cunhado. Ela olhou para Frederico e depois para Ricardo.
— Frederico é o meu novo braço direito. E ele tem ordens estritas para remover qualquer ameaça à segurança desta casa.
Frederico deu um passo à frente. Foi apenas um passo, mas Ricardo quase tropeçou nos próprios pés.
— O senhor mencionou que é um "homem de verdade", Sr. Ricardo? — Frederico falou, sua voz mantendo aquela calma aterradora. — Homens de verdade não gritam com mulheres nem entram em casas onde não são bem-vindos. Homens de verdade sabem quando o silêncio é a única coisa que os mantém seguros.
Ele fixou os olhos nos de Ricardo.
— Saia. Antes que eu decida que você é um risco permanente para a pequena Loren. E acredite... você não quer que eu tome essa decisão.
Ricardo abriu a boca para retrucar, mas as palavras sumiram. Ele viu algo no fundo das pupilas de Frederico — uma escuridão que cheirava a pólvora e cemitérios. Ele sabia que, se ficasse mais um segundo, algo muito ruim aconteceria.
— Vamos, mamãe! — Ricardo pegou o braço de Adelaide, praticamente a arrastando. — Isso não termina aqui, Lívia! Vamos ver o que os advogados dirão sobre você colocar um criminoso dentro de casa!
Eles saíram às pressas. O som do motor do carro arrancando ecoou pela propriedade.
Lívia soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Ela se virou para Frederico, seus olhos brilhando com uma mistura de choque e admiração.
— Onde você aprendeu a fazer isso? Você nem encostou nele e ele parecia que ia ter um infarto.
Frederico relaxou os ombros, a máscara de frieza caindo por um instante para revelar o cansaço do homem que já viveu mil batalhas.
— Algumas pessoas ladram, Lívia. Outras mordem. Eu apenas mostrei a ele que já lidei com cães muito maiores.
Ele se virou para subir as escadas, mas Lívia segurou seu braço. O toque elétrico fez ambos pararem.
— Obrigada, Frederico. De verdade.
Ele olhou para a mão dela em seu braço e depois para os olhos dela. Por um momento, o mistério entre eles se transformou em algo mais quente, mais profundo.
— É o meu trabalho — ele respondeu, embora ambos soubessem que já era muito mais do que isso.







