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Capítulo 5: Segredos na Penumbra

A curiosidade era um veneno que corria pelas veias de Lívia. Após o confronto com Ricardo, ela não conseguia mais aceitar a resposta de que Frederico era apenas um "fantasma". Ninguém aprendia a paralisar um homem apenas com o olhar vivendo em bueiros.

Tarde da noite, enquanto a mansão mergulhava no silêncio, Lívia esgueirou-se até o quarto de hóspedes na ala leste, onde Frederico estava instalado. Ela sabia que ele estava no jardim — tinha visto sua silhueta alta e solitária perto da piscina minutos antes.

Com o coração martelando contra as costelas, ela abriu a porta do quarto. Estava impecável. A cama feita, nenhuma peça de roupa fora do lugar. Não havia fotos, documentos, nada. Sobre a cômoda, apenas a pequena adaga que ele carregava e o relógio de pulso quebrado que ele usava quando foi resgatado.

Lívia pegou o relógio. No verso, quase apagado pelo tempo, havia uma gravação em letras elegantes: "Ao meu Líder e Marido. O mundo é pequeno para nós. – V."

— V? — ela sussurrou, sentindo uma pontada estranha de ciúme e medo.

— O "V" significa Veneno, Lívia. Ou pelo menos, foi o que se tornou.

Lívia deu um salto, quase derrubando o relógio. Frederico estava encostado no batente da porta, as sombras escondendo seu rosto, mas a brasa de um cigarro brilhando entre seus dedos. Ele não parecia zangado, apenas exausto.

— Eu... eu só vim ver se você precisava de algo — ela mentiu, a voz falhando miseravelmente.

— Você veio procurar uma resposta que não vai gostar de encontrar — ele disse, entrando no quarto com passos silenciosos. Ele pegou o relógio da mão dela. — Esse objeto é a única coisa que me lembra de que uma vez eu fui um homem tolo o suficiente para acreditar na lealdade.

— Quem é ela? — Lívia perguntou, a coragem voltando. — Quem era você antes de chegar a Joinville? Você fala como um soldado, age como um rei e olha para o mundo como se o odiasse.

Frederico caminhou até a janela, observando as luzes da cidade. O silêncio se estendeu por tanto tempo que Lívia achou que ele não responderia.

— Em São Paulo... as pessoas não pediam por justiça. Elas pediam por mim — ele começou, a voz carregada de uma melancolia profunda. — Eu tinha tudo. O poder, o dinheiro e o que eu achava ser o amor. Mas em São Paulo, o sangue é mais barato que o uísque.

Lívia se aproximou, parando ao lado dele. O calor do corpo de Frederico era um convite perigoso.

— O que aconteceu lá? Por que você desistiu?

— Eu não desisti. Eu fui arrancado — ele disse, e pela primeira vez, ele se virou para ela. Estavam tão perto que ela podia ver os reflexos prateados em seus olhos azuis. — O meu melhor amigo e a mulher que gravou essa mensagem no relógio decidiram que eu era um obstáculo para a ambição deles. Eles não queriam apenas o meu lugar; eles queriam me ver reduzido a nada. E conseguiram.

Lívia sentiu uma vontade avassaladora de tocar o rosto dele, de apagar a dor que emanava de cada palavra.

— Por que não voltou para se vingar? Um homem como você...

— Porque o homem que eu era morreu naquela noite em São Paulo, Lívia — ele interrompeu, a voz baixando para um sussurro perigoso. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço dela. — O Frederico que você salvou é apenas um resto de fumaça. E se você continuar cavando, essa fumaça pode sufocar você.

Lívia não recuou. Ela ergueu o queixo, desafiando a escuridão dele com sua própria luz.

— Eu não tenho medo de fumaça, Frederico. Eu já vivo no fogo há muito tempo, tentando proteger minha filha sozinha.

A tensão entre eles era tão forte que parecia eletrizar o ar. Por um segundo, Frederico olhou para os lábios de Lívia, e ela sentiu o mundo parar. Ele estendeu a mão, o polegar roçando de leve a bochecha dela — um toque tão terno que contrastava com a violência de seu passado.

— Você é uma mulher extraordinária, Lívia Albuquerque — ele murmurou. — E é por isso que eu deveria ir embora agora mesmo. Para o seu próprio bem.

— Não vá — ela pediu, quase sem fôlego.

Ele não respondeu com palavras. Apenas se afastou, recuperando sua máscara de gelo.

— Vá dormir, Lívia. Amanhã os lobos estarão de volta. E você vai precisar de mim inteiro para protegê-la.

Lívia saiu do quarto com as pernas trêmulas. Ela tinha uma pista: São Paulo. Ela tinha um nome: Vanessa (ou o misterioso "V"). Mas, acima de tudo, ela agora tinha a certeza de que estava se apaixonando pelo homem mais perigoso que já conheceu.

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