O asfalto de Joinville refletia as luzes da cidade sob uma garoa persistente, mas para Frederico, o mundo era apenas um borrão acinzentado. Sentado no meio-fio, as mãos trêmulas seguravam uma garrafa barata de cor âmbar. O homem que um dia comandou o submundo de São Paulo, o homem cujas palavras decidiam quem vivia e quem morria, agora lutava apenas para manter os olhos abertos.Sua barba estava crescida e emaranhada, e o sobretudo rasgado escondia o corpo que, apesar da negligência, ainda guardava a estrutura de um guerreiro. Ele fechou os olhos, tentando silenciar a voz de Vanessa e o riso de traição de Gustavo em sua mente.“Beba, Frederico. O álcool é o único amigo que não te apunhala pelas costas”, ele pensou, levando a garrafa aos lábios.Foi quando um grito agudo cortou a melancolia da noite.— LOREN! NÃO!O instinto, enterrado sob camadas de depressão e autocomiseração, despertou como um vulcão. Frederico virou a cabeça. Do outro lado da calçada, uma menininha de cachos dourad
Leer más