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Capítulo 3: O Lobo e a Princesa

Lívia conduziu Frederico pelo corredor de mármore até o quarto de Loren. Ela sentia o olhar dele em suas costas — um olhar pesado, atento, como se ele estivesse mapeando cada saída de emergência da mansão.

Ao abrirem a porta, o ambiente era um contraste absoluto com a frieza do escritório. Paredes em tons pastéis, brinquedos espalhados e o cheiro doce de colônia infantil. No centro do tapete felpudo, Loren brincava com o mesmo ursinho de pelúcia que quase custou sua vida no dia anterior.

— Loren, querida? — Lívia chamou com a voz suave, que só usava com a filha. — Lembra do moço que te ajudou ontem? Ele vai ficar com a gente agora.

A menina levantou os olhos grandes e curiosos. Frederico ficou parado na soleira da porta. Ele parecia deslocado naquele mundo de inocência. Por um segundo, ele se lembrou da vida que poderia ter tido em São Paulo se a traição não tivesse destruído tudo.

Loren inclinou a cabeça, analisando o homem alto e sério de terno. Ela largou o urso e caminhou devagar até ele. Lívia prendeu a respiração, pronta para intervir se a filha ficasse assustada com a imponência dele.

Mas Loren parou diante de Frederico e estendeu a mãozinha, tocando o tecido caro da calça dele.

— Você ficou bonito — ela disse com a honestidade que só as crianças têm. — Mas seus olhos ainda estão tristes, tio.

Frederico sentiu um aperto no peito que nenhuma bebida conseguiu anestesiar. Ele se ajoelhou, ficando na altura dela. O movimento foi fluido, desprovido da hesitação de um estranho.

— Olhos tristes às vezes só precisam de um pouco de sol, pequena — ele respondeu, e pela primeira vez, Lívia viu um esboço de sorriso nos lábios dele. Não era um sorriso de deboche, era... humano.

Loren sorriu de volta e, sem aviso, entregou seu urso de pelúcia para ele. — O Sr. Algodão também estava com medo do carro. Você protege ele também?

Frederico segurou o brinquedo com as mãos que já haviam empunhado armas pesadas. Ele o tratou como se fosse feito de cristal. — Eu protejo. Ninguém vai tocar no Sr. Algodão. E ninguém vai tocar em você. Eu prometo.

Lívia, observando da porta, sentiu um nó na garganta. Ela nunca vira Loren confiar em alguém tão rápido — nem mesmo nos tios ou nos seguranças que frequentavam a casa há anos. Havia uma aura de segurança em Frederico que era quase magnética.

De repente, o rádio no cinto de um dos seguranças no corredor chiou. — Senhora Lívia, o Sr. Ricardo e a Dona Adelaide estão no portão principal. Eles dizem que vieram para a leitura de uma cláusula do testamento e não aceitam esperar.

Lívia endureceu instantaneamente. O irmão e a sogra de seu falecido marido. Os abutres haviam chegado.

Frederico percebeu a mudança na postura de Lívia imediatamente. Ele se levantou, a doçura com Loren sendo substituída em um milissegundo por uma frieza profissional. Ele devolveu o urso para a menina e se posicionou ao lado de Lívia.

— Seus problemas chegaram? — ele perguntou em um sussurro baixo, apenas para ela ouvir.

— Meus piores pesadelos — ela admitiu, com a voz trêmula de raiva e cansaço.

Frederico ajeitou o paletó e assumiu uma posição um passo atrás dela, as mãos cruzadas à frente do corpo, os olhos agora transformados em fendas de gelo.

— Então deixe que o fantasma cuide deles — ele disse com uma calma perturbadora. — Sorria, Lívia. Você é a dona deste império. Eu sou apenas a sombra que garante que ninguém saia da linha.

Lívia olhou para ele, sentindo uma onda de confiança que nunca sentira antes. Frederico não era apenas um babá. Ele era o seu escudo.

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