SUPREMO ALPHA E A HERDEIRA DE DOIS MUNDOS

SUPREMO ALPHA E A HERDEIRA DE DOIS MUNDOS PT

Lobisomem
Última atualização: 2026-09-01
Tônia Fernandes   Atualizado agora
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SUPREMO ALPHA E A HERDEIRA DE DOIS MUNDOS Abandonada ainda recém-nascida nas terras do Clã Glacier Heart, Shira é acolhida e criada por uma família de metamorfos. Com cabelos e olhos prateados e uma aparência incomum, ela cresce cercada pelo amor de sua família adotiva, sem conhecer sua verdadeira origem. Ao chegar à idade do acasalamento, Shira e sua irmã Nyra são destinadas a dois batedores escolhidos pelo Alpha, machos cruéis com os quais não possuem qualquer afinidade. Recusando-se a aceitar um acasalamento imposto, as duas irmãs decidem fugir. Orientadas por Raven, sua mãe, elas seguem para as terras do Clã Obsidian Wolf, onde deverão pedir asilo e proteção. É nesse clã que Shira encontra Fenrir, o Supremo Alpha. Esse encontro faz com que uma antiga profecia se realize.

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Capítulo 1

#####CAPÍTULO 01

QUANDO TUDO COMEÇOU

A noite tinha gosto de sangue e aurora quebrada naquelas terras esquecidas, as copas ancestrais da floresta de Lórandhriel choravam em silêncio, agitadas por um vento sobrenatural que não pertencia àquela noite.

— Os galhos das árvores sagradas tremiam como cordas de harpas tocadas por mãos invisíveis, enquanto folhas luminosas se desprendiam das copas e desciam lentamente, consumidas por um brilho rubro antes mesmo de alcançarem o solo. — Durante eras, o véu mágico protegera o reino élfico contra invasores, guerras e criaturas que não deveriam atravessar suas fronteiras, garantindo a paz do povo feérico.

— Naquela noite, porém, a proteção milenar havia sido impiedosamente rasgada.

A ruptura ainda permanecia aberta no horizonte como uma ferida sangrenta entre os mundos.

—Clarões prateados atravessavam a escuridão, misturando-se ao vermelho vivo que tingia as árvores e às sombras daqueles que haviam lutado para impedir uma fuga considerada imperdoável pela alta nobreza.

— A floresta, que sempre respondera à presença da família real com música, perfume e luz, parecia agora lamentar profundamente aquilo que acabara de testemunhar.

—No meio da devastação, Ilunara corria com todas as forças que ainda lhe restavam no corpo. A princesa da Corte da Luz já não se parecia com a criatura majestosa que poucas horas antes caminhar com altivez pelos salões cristalinos de Lórandhriel.

Os longos cabelos estavam desfeitos e embaraçados, enquanto o vestido cerimonial se mostrava rasgado junto à barra e manchado pelo sangue do parto recente.

— Os passos dado na terra batida provocavam uma dor profunda em seu ventre, mas ela se recusava categoricamente a diminuir o ritmo de sua fuga. — Apertava contra o peito a pequena criança envolta em panos encantados e avançava pela floresta densa como se a própria vida dependesse daquela corrida desesperada. E a verdade era que dependia.

— Não a sua própria vida, mas a da filha recém-nascida que carregava contra o peito.

Ilunara baixou os olhos por apenas um instante para encarar o pequeno pacote.

A bebê rescem nascida, dormia calmamente apesar dos estrondos distantes e do movimento desesperado da mãe pela mata.

— Pequenos fios de cabelos prateados escapavam do tecido que protegia sua cabeça, brilhando suavemente sempre que a luz das árvores tocava seu rosto delicado.

— Era tão pequena que parecia impossível acreditar que tamanho ódio pudesse ter sido despertado por seu nascimento.

— As lágrimas voltaram a inundar os olhos de Ilunara enquanto ela tentava recuperar o fôlego acumulado na corrida.

— Cálix, por favor, aguente — sussurrou a princesa, quase sem voz diante do cansaço. — Por favor.

— O nome do companheiro rasgou seu coração de forma devastadora. Ela sabia perfeitamente que não deveria olhar para trás sob nenhuma circunstância.

— Cálix havia ordenado expressamente que ela não olhasse, e Ilunara tinha plena consciência de que cada segundo perdido poderia significar a captura definitiva da criança.

— Ainda assim, quando chegou ao limite do portal feérico, seus pés se recusaram a continuar o caminho.

—'Virou-se lentamente e a visão da batalha quase a fez cair de joelhos sobre a terra fria.

Cálix permanecia próximo à passagem, sustentando-se a muito custo e com extrema dificuldade.

— O Supremo Alpha das Montanhas do Norte, o grande lobo branco diante de quem tantos guerreiros haviam recuado com terror, estava gravemente ferido.

— A espada cravada em seu peito não era uma arma comum criada por ferreiros mortais. Símbolos antigos percorriam toda a extensão da lâmina e pulsavam acompanhando as batidas cada vez mais fracas de seu coração valente.

— O sangue manchava suas roupas nobres e escorria lentamente até o chão sagrado de Lórandhriel.

Ilunara soube imediatamente que não poderia salvar da morte iminente.

— Não... — murmurou ela em um lamento abafado pela dor.

Com o coração despedaçado, a princesa deu um passo incerto na direção dele.

— Não, fuja agora!

— Cálix ordenou com firmeza, travando o avanço da companheira.

A força impressionante daquela voz não combinava com o corpo debilitado e ferido. Ilunara parou no mesmo instante, paralisada pela autoridade e pelo amor contidos naquele brado. — Por alguns segundos que pareceram uma eternidade, nada mais existiu no mundo além dos dois.

— Nem a guerra devastadora, nem os guerreiros impiedosos que poderiam alcançar a qualquer momento, nem os reinos inteiros que haviam condenado aquela união proibida.

—'Não havia a imponente Corte da Luz, tampouco as gélidas Montanhas do Norte. Há apenas os dois amantes separados pelo destino cruel.

Cálix ergueu os olhos cansados para a criança mantida nos braços dela.

— Toda a dureza do guerreiro lendário desapareceu em um piscar de olhos.

Naquele instante sagrado, não havia Supremo Alpha, comandante temido ou inimigo declarado da Corte.

—:Havia apenas um pai dedicado olhando para a filha recém-nascida e compreendendo a amarga verdade: provavelmente jamais poderia segurar novamente em seus braços.

—: A aceitação do fim transparecia no olhar do grande lobo branco.

— Leve-a daqui, disse o guerreiro, concentrando suas últimas forças naquela ordem final.

— Eu não vou deixar você, retrucou a princesa, negando-se a aceitar o destino de seu grande amor.

— Vai, é uma ordem, salve nossa filha e você mesma, eu te amo. Insistiu ele com o olhar suplicante e irredutível.

Ilunara balançou a cabeça em negação, enquanto as lágrimas finalmente escorriam sem controle por seu rosto pálido.

— Podemos atravessar juntos, Raven pode ajudá-lo, eu conheço os dons dela, se conseguirmos chegar ao Clã Glacier Heart... — tentou ponderar a feérica, desesperada por uma réstia de esperança.

— Ilunara — interrompeu ele gravemente, cortando suas falsas expectativas.

A maneira profunda como ele pronunciou seu nome a fez silenciar imediatamente. Cálix respirou com extrema dificuldade antes de continuar o seu raciocínio amargo:

— Eu não atravessarei esse portal.

Ela já sabia daquela verdade dolorosa no fundo de sua alma.

— Talvez soubesse desde o exato instante em que vira a espada amaldiçoada para atravessar o peito dele.

Ainda assim, ouvir aquelas palavras saindo da boca do companheiro transformava o medo abstrato em uma realidade avassaladora.

— Eu não consigo fazer isso sem você, confessou ela com a voz embargada pelo sofrimento absoluto.

O olhar severo dele se suavizou instantaneamente diante da fragilidade da fêmea.

— Consegue, e vai fazer — afirmou ele, depositando nela toda a sua confiança restante.

Um ruído ameaçador surgiu subitamente entre as árvores próximas.

— Havia movimento de tropas inimigas se aproximando rapidamente atrás dele, não restava mais tempo para despedidas longas ou lamentações.

— Cálix percebeu a ameaça no mesmo segundo que ela e acelerou seu último pedido.

— Escute-me, atravesse o portal, transmute-se assim que chegar ao mundo dos homens.

— Esconda sua essência, seu cheiro e magia, seu pai procurará uma princesa feérica.

—' Não permita que ele encontre uma instruiu o Alpha com urgência vital.

Ilunara apertou a filha ainda mais contra o peito dolorido, buscando forças onde não tinha.

— E você? — perguntou ela com o coração apertado pela dor da iminente perda.

— Um sorriso triste e resignado tocou os lábios manchados de sangue dele.

— Eu já escolhi o meu destino quando escolhi vocês, declarou o lobo sem transparecer qualquer arrependimento.

O coração da princesa se partiu em mil pedaços ao ouvir aquela declaração de amor supremo.

— Cálix cambaleou visivelmente pela perda de sangue, mas permaneceu firme de pé, atuando como um escudo vivo entre sua família e os perseguidores.

— Não olhe para trás, vá e transmute-se!

Proteja nossa filha! — gritou ele em seu último ato de liderança e proteção.

Dessa vez, Ilunara obedeceu ao comando sem hesitar.

— Atravessou o portal com a criança nos braços no mesmo instante em que ouviu, atrás de si, o som aterrador de armas se chocando e vozes furiosas. Seu instinto mais profundo exigiu que voltasse para lutar ao lado dele.

— Seu coração destruído implorou para que procurasse Cálix uma última vez com o olhar. Contudo, ela não olhou para trás.

— Não olhou porque ele havia pedido com tanta veemência, porque entendia que essa era a única maneira de fazer com que o sacrifício supremo dele tivesse algum significado real.

A travessia mágica entre os mundos atingiu seu corpo esgotado como uma onda avassaladora de fogo puro.

Ilunara caiu de joelhos do outro lado do véu, usando o próprio corpo para proteger a criança contra o peito.

—O ar daquele novo ambiente era completamente diferente do que conhecia.

— Era pesado, seco e totalmente desprovido da magia fluida que impregnava cada sopro de ar em Lórandhriel.

Ela não teve tempo para tentar compreender a natureza do mundo dos homens.

— A prioridade absoluta era desaparecer da vista de qualquer perseguidor.

— Ainda ajoelhada sobre a terra úmida daquela floresta desconhecida, Ilunara fechou os olhos e pronunciou com esforço as palavras do antigo encantamento de transmutação.

— A magia reagiu de forma extremamente violenta ao ser forçada no mundo mortal.

— Seu corpo arqueou-se em dor quando a essência feérica pura começou a ser comprimida e ocultada sob uma frágil forma humana.

As asas cristalinas e magníficas que ela nasceu carregando estremeceram uma última vez antes de se desfazerem completamente emmilhares de partículas luminosas que se dispersaram no ar.

— Seus olhos, vibrantes e azuis como as manhãs mais límpidas de Lórandhriel, perderam lentamente o brilho místico até assumirem um tom castanho comum e terreno.

—A luminosidade dourada que emanava de sua pele desapareceu por completo, e a presença mágica que permitiria que qualquer criatura de seu reino a encontrasse foi sufocada pelo encantamento.

— Quando a transformação dolorosa finalmente terminou, Ilunara caiu para a frente, totalmente exausta.

Por alguns instantes agoniantes, a feérica permaneceu completamente imóvel, respirando com dificuldade contra o chão frio da floresta.

— Foi então que ouviu um pequeno som vindo do embrulho em seus braços.

— A filha chorava baixinho, Ilunara ergueu-se imediatamente, reunindo os restos de suas forças para acalmar a bebê.

— Estou aqui, meu amor, mamãe está aqui, murmurou ela suavemente, ninando o pequeno ser.

A menina se acalmou quase instantaneamente ao reconhecer a voz acolhedora da mãe.

— Foi por ela, exclusivamente por ela, que Ilunara encontrou forças para se levantar e tornar a caminhar.

Conhecia muito pouco daquele mundo humano, mas sabia exatamente o ponto final onde precisava chegar.

— Muito antes daquela noite trágica, Cálix lhe falara em detalhes sobre as Florestas Sagradas do Clã Glacier Heart.

— Entre os metamorfos locais vivia uma loba chamada Raven, curandeira respeitada de dons antigos e esposa dedicada de Zephyr, o experiente Beta do clã.

— Se existia alguém naquele mundo capaz de reconhecer a verdadeira natureza daquela criança e, ao mesmo tempo, disposta a proteger com a própria vida, essa pessoa era Raven.

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