Mundo de ficçãoIniciar sessãoATUALIZAÇÕES DIÁRIAS Júlia Montserrat cometeu o pior dos crimes: engravidou do noivo da própria irmã mais velha, Jade. Gabriel Blackwolf nasceu para liderar com olhos vermelhos e o destino traçado. Mas uma única noite de impulso destrói o futuro da matilha Blackwolf. Júlia, o amor mantido em segredo, agora carrega os herdeiros do Alfa. Por honra, Gabriel casa-se com ela. Por medo e negação, ele recusa marcá-la. A recusa tem um preço amargo. O poder de Gabriel enfraquece; seus olhos vermelhos se apagam; o Alfa prometido cai para Gama, sob o desprezo de todos. Júlia se torna a pária, a mulher que “arruinou” o herdeiro. Rejeitada publicamente no rito da Pedra da Lua, ela definha em silêncio. A loba dentro dela luta para emergir, mas é o corpo de Júlia que paga o preço da negação do Alfa. Sete anos depois, exausta de ser a sentença dele, Júlia pede o divórcio e parte com os filhos. Mas Costa da Lua começa a sangrar. O retorno de Jade, segredos enterrados e um predador cruel transformam o silêncio em morte. Quando Júlia se torna o alvo principal, Gabriel enfrenta o dilema final: cumprir o dever que ainda o define… ou sacrificar tudo para protegê-la.
Ler maisEu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo.
Enquanto a viatura passava lentamente pela avenida à beira-mar, o mundo lá fora pareceu congelar. Olhei para dentro do restaurante de vidro e o sangue ferveu instantaneamente, atingindo o ponto de ebulição. Lá estava ela. Júlia. Minha mulher, cheia de intimidade com outro homem. O modo como ela inclinava o corpo, o sorriso que eu não via há anos... tudo aquilo era um soco no meu estômago. — Mas que filha da puta! — O rugido saiu de dentro de mim antes que eu pudesse processar. O som vibrou no espaço apertado do carro, carregado de puro ódio. Jhonny, que dirigia a viatura, deu um sobressalto no banco ao lado. — Para a porra do carro! — eu rosnei para ele. Minhas mãos esmagavam o estofado do banco do carona. Eu sentia as garras raspando no couro, a fera dentro de mim querendo saltar pelo vidro e rasgar a garganta daquele desgraçado. — Gabriel? O que foi? — Jonny me encarou, sem entender nada, mas já reduzindo a velocidade pelo tom da minha voz. — Para o carro agora, Jhonny! — Eu não olhei para ele. Meus olhos estavam fixos na mesa, na mão dela perto da dele, na audácia de Júlia de estar ali, em público, desfilando com outro enquanto o nosso casamento ainda sangrava. Eu ia acabar com aquele almoço. Eu ia acabar com aquela palhaçada. — No restaurante ? — ele pergunta. Eu faço que sim. Jhonny não fez mais perguntas. Ele estacionou a viatura com um solavanco bem na porta, fazendo os pneus cantarem no asfalto. Subi os degraus em passadas largas. Eu não me importava com os olhares curiosos ou o silêncio que se instalava por onde eu passava. Entrei sem me identificar. Eu não precisava. Aquele restaurante era um dos diversos negócios da minha família. A audácia dela me sufocava. " Como ela teve coragem de escolher logo aqui para me humilhar? Era um tapa na minha cara, um insulto à minha porra de linhagem." O ódio subiu pelas minhas veias, quente e ácido. Um pouco antes de me aproximar da mesa, eu rugi. Queria que cada pessoa naquele lugar ouvisse. Queria que o mundo soubesse que ela era minha. — JÚLIA BLACKWOLF! Ela estava de costas. Os cabelos longos e ondulados caíam como cascatas pelas costas. Notei os detalhes que me faziam querer destruir tudo ao redor: ela havia se arrumado. O vestido preto era curto, provocante, acentuando cada curva que eu conhecia de cor, mas que agora pareciam expostas para aquele estranho. Júlia se virou em um solavanco. O susto estava estampado em seu rosto. Quando seus olhos encontraram os meus, eu já estava sobre a mesa, invadindo o espaço dela como uma tempestade. — Ga... Gabriel? — ela gaguejou. Os olhos castanhos caramelos estavam arregalados, brilhando com um misto de medo e confusão. Eu não dei tempo para ela respirar. Fechei os punhos e soquei a mesa, o homem ficou branco e se afastou. O líquido tinto se espalhou pela mesa como uma ferida aberta. — Que porra é essa Júlia ?— apontei para o envelope com o divórcio, minha voz saindo num tom que faria qualquer lobo da alcateia se encolher. — Você achou que ia se livrar de mim assim? Num almoçozinho romântico no meu próprio restaurante? O estrondo do meu punho contra a madeira ecoou pelo salão, silenciando até o tilintar dos talheres nas mesas vizinhas. O homem sentado à frente dela ficou branco, o medo exalando dele como um cheiro podre. Ele tentou dizer algo, as mãos tremendo, mas um único olhar meu foi o suficiente para fazê-lo engolir a própria língua. Se ele fizesse um movimento, eu o rasgaria ao meio ali mesmo, na frente de todos. — Gabriel, o que você está fazendo aqui?... — Júlia começou. A voz era trêmula, mas carregada daquela teimosia que eu odiava e amava na mesma medida. — O que eu estou fazendo aqui? O que você está fazendo aqui com esse homem? — Eu ri. Um som seco e sem humor que vibrou no meu peito. — Quem é esse merdinha? Foi para isso que você me mandou essa porcaria de divórcio? Para poder trepar com outro, né? Ela ficou vermelha instantaneamente. Júlia olhou ao redor, percebendo que todos os olhos do restaurante estavam cravados em nós. A humilhação pública ardia nela. — Não fale assim comigo! Você não tem esse direito. Não é sobre isso o... — Me poupe das suas mentiras! — eu a cortei, a voz um degrau acima de um rosnado. Eu me inclinei sobre a mesa, o rosto a centímetros do dela. O cheiro de vinho tinto e pólvora se misturava ao perfume doce que ela usava, limão, flor de laranja e baunilha, aquele que sempre me desarmava. Mas não hoje. — Eu não vou assinar nada, Júlia. Você me quis, destruiu a minha vida e agora acha que eu vou deixar você sair livre e feliz? Você não vai se livrar de mim nunca! — Eu não sou sua propriedade, Gabriel! — Ela explodiu, levantando-se com um movimento brusco. O vestido preto subiu um pouco mais, e a visão da pele dela só alimentou meu desejo possessivo. — Eu já passei sete anos sendo punida por um erro! Já chega. Eu e você não somos mais um casal! O ar entre nós estava carregado de eletricidade e ódio. Eu podia sentir o coração dela batendo forte, o ritmo descompassado de alguém que não tinha mais nada a perder. Eu dei um passo à frente, invadindo o espaço que ela tentava proteger. Júlia era mais baixa que eu — a maioria delas era —, o que me obrigava a inclinar o corpo para encurralar seus olhos. O queixo dela estava erguido e o nariz empinado, me desafiando como sempre. Eles estavam em chamas. O peito dela subia e descia em um ritmo frenético, o tecido preto do vestido esticando a cada lufada de ar. Por incrível que parecesse, eu amava aquele fogo. Amava como ela se recusava a quebrar, mesmo quando o mundo ao redor estava desmoronando. Nossas respirações se encaixaram, um ar quente e pesado que cheirava a desafio e mágoa antiga. Quando falei, minha voz saiu baixa, um sussurro ameaçador que vibrou diretamente contra o rosto dela: — Não tem final feliz, Júlia. Você está presa comigo para sempre. Eu a vi engolir em seco, mas ela não recuou. — Eu defino o tempo da sua sentença — continuei, as palavras saindo como chicotadas lentas. — Eu sou seu carcereiro e você ainda não pagou pelo que fez. Pode tirando seu cavalinho da chuva; sua liberdade é minha e eu não vou te dar. O silêncio que se seguiu foi cortante. Eu podia sentir o calor da pele dela, o tremor quase imperceptível em seus lábios. Eu era o dono daquela dor, e não permitiria que nenhum outro homem chegasse perto das cicatrizes que eu mesmo cultivava. Mas eu subestimei o desespero de uma mulher que não tem mais nada a perder. Em um borrão de movimento, as mãos dela desceram. O clique do metal destravando foi o único aviso que tive antes de sentir o cano frio da minha própria arma contra o corpo dela. No segundo seguinte, o mundo parou. Ela puxou a minha arma. As mãos trêmulas. Eu me afastei. Pela primeira vez na vida, minha arrogância sumiu. O terror subiu pela minha espinha quando percebi que ela não apontava para mim. Ergui as mãos de forma instintiva, como fiz tantas vezes em serviço, mas agora o alvo era o coração dela. — Júlia, o que você pensa que está fazendo? — engoli em seco. Minhas mãos levantadas pediam uma calma que eu não tinha. Ela destravou a arma agora sem tremer com uma precisão profissional. Eu a ensinei a fazer aquilo. Agora, a percepção de que foi uma péssima ideia me atingiu como um soco. — Júlia, para de brincadeira. Não tem graça nenhuma. Abaixa isso! — Minha voz saiu trêmula, traindo o pânico que me dominava. Vi meus homens ao redor, nos cercando. As pessoas se afastaram, o restaurante virou um vácuo de silêncio. Júlia tremia. Uma lágrima solitária escorreu dos olhos dela. — Eu prefiro morrer do que passar mais um ano se quer presa a você , Gabriel. As palavras dela doeram. Eu poderia ouvir aquilo de qualquer mulher e não sentiria nada, mas vindo dela... senti meu sangue gelar e o suor frio escorrer pelo pescoço. Naquele momento, eu não queria mais me impor. Eu só queria que ela abaixasse a porra da arma. Pensei nas crianças. — Tá bom, tudo bem. Você ganhou, tá legal? Eu deixo você ir... pelas crianças, nossos filhos, pensa neles. Agora, com calma, abai... Ela apertou o gatilho.POV GABRIEL BLACKWOLFBaixei meu rosto, buscando a boca dela novamente, ignorando seus protestos abafados. Por um segundo, ela parou de lutar. O corpo dela relaxou sob o meu, e seus lábios se entreabriram.Eu achei que tinha vencido. Achei que ela tinha cedido ao fogo que nos consumia.Então, a dor explodiu.Ela cravou os dentes no meu lábio inferior com uma força selvagem. O gosto metálico inundou minha boca instantaneamente.Recuei bruscamente, arfando, o choque misturado à adrenalina. Júlia aproveitou a brecha e se levantou no sofá, ficando de joelhos sobre o estofado, mas ainda encurralada pelo meu corpo.Levei a mão aos lábios. Quando olhei para os meus dedos, havia sangue. Olhei para ela. Havia sangue na boca dela também — o meu sangue —, manchando os lábios inchados de vermelho vivo. Ela arfava, o peito subindo e descendo violentamente.A visão era o caos perfeito. Os cabelos dela estavam selvagens, emaranhados ao redor do rosto pálido. O vestido tinha escorregado de um dos omb
POV GABRIEL BLACKWOLFSaí do saguão com o gosto da vitória na boca, mas com uma inquietação no peito que eu me recusava a analisar. Jade estava de volta. Ela estava ali, radiante, viva, a promessa de um futuro que me foi roubado há sete anos. Eu consertaria tudo. Eu teria a vida que planejei antes daquele erro desastroso.Mas, para construir o novo, eu precisava demolir o velho.Caminhei até o escritório reservado para os Alfas, puxando meu celular do bolso com urgência. Abri o arquivo que os advogados me enviavam há uns dias, esperando apenas o meu aval. O documento de divórcio.Júlia queria isso, não queria? Ela não tentou se matar para fugir de mim? A imagem dela com o buraco no peito no restaurante brilhou na minha mente, e uma onda de raiva quente subiu pela minha garganta. Se ela queria tanto ir embora a ponto de morrer, então eu daria o que ela queria.Rolei a tela até o final. A assinatura digital dela não estava lá — ela não teve tempo de assinar, mas eu tinha o poder de diss
POV de Júlia Montserrat O ar na sala estava parado, denso como breu. Eu sentia como se minha própria presença estivesse sendo sufocada pelo poder e pelo hálito gélido da morte que emanava do meu pai. Eu estava sentada naquela poltrona, mas meus pés não tocavam o chão. Eu flutuava em um abismo de vergonha.— Eu estou morrendo — a voz de Malakai não soou como uma despedida, mas como um veredito.Minha garganta se fechou. Eu queria chorar pelo meu pai, queria sentir a dor da perda, mas a única coisa que eu conseguia sentir era o peso do olhar de cada Blackwolf, Salazar e Ashworth presente. Para eles, eu era o defeito na linhagem. A peça que estragava a perfeição daquela sala.Olhei para Gabriel. Ele era uma estátua de brutalidade e beleza, as mãos grandes e possessivas envolvendo Jade. Ver o modo como ele a tocava — com uma alma que ele nunca me mostrou — doía mais do que o tiro que dei no meu próprio peito.A Loba dentro de mim deu um solavanco. Foi um movimento bruto, como se os ossos
(POV DE GABRIEL BLACKWOLF) Eu a observei enquanto Rafael a ajudava com as últimas formalidades. Júlia parecia um fantasma, uma sombra pálida da mulher que, semanas atrás, teve a audácia de apontar uma arma contra a própria cabeça. O cheiro dela havia normalizado finalmente o cheiro conhecido de limão, flor e baunilha, que eu amava e nunca admitiria em voz alta aquilo. Mas havia algo metálico, algo que cheirava a doença, meu lobo sentiu, ele sempre ficava inquieto quando ela se machucava. Rafael se aproximou, o rosto vincado por uma preocupação irritante. Ele me estendeu os papéis da alta.— Ela está fraca, Gabriel. Você deve ter cuidado com ela — Rafael disse, a voz baixa.— Ela não parece fraca e ela sempre soube se cuidar — respondi da forma mais fria que consegui, sem desviar os olhos dela.Ela sentiu cada palavra. Vi o tremor leve em seus ombros pálidos. Eu não queria que ela se sentisse cuidada; eu queria que ela soubesse que eu estava vendo através daquela fragilidade.Segure
Último capítulo