Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo momento em que Evie Moretti solta as mãos da própria vida, uma força inesperada a puxa de volta. Vittorio Castellani não é apenas o estranho que a impede de cair — ele é um homem acostumado a controlar seu mundo, mas incapaz de controlar o que sente ao olhar nos olhos dela. Entre segredos conjugais, intrigas familiares e um desejo impossível de ignorar, eles vão descobrir que o verdadeiro perigo não estava na queda, mas no que acontece depois dela.
Ler maisBloco 4 POV EVIEOs dias seguintes foram um exercício de sobrevivência. A casa parecia nova, mesmo sendo a mesma, porque tudo nela tinha mudado. Agora havia brinquedos espalhados pelo chão, desenhos infantis nas paredes e o riso tímido de Eloá quebrando o silêncio que antes pesava como chumbo.No início, ela mal falava. Segurava meu braço como se eu pudesse desaparecer a qualquer instante. Aos poucos, começou a arriscar palavras: “água”, “boneca”, “mamãe”. Cada sílaba era um punhal e um alívio ao mesmo tempo. Eu sorria, mas por dentro meu coração se quebrava em mil pedaços.Numa tarde, sentei no tapete com ela. O sol atravessava as cortinas, desenhando linhas douradas no chão. Eloá me mostrou um desenho torto, rabiscado em papel, e disse: — É você.Sorri, sentindo o choro subir. — Ficou lindo, meu amor.Vittorio assistia de longe. Encostado no batente da porta, braços cruzados, olhos fixos. Ele parecia distante, mas eu sentia a tensão na postura, como se carregasse um peso invisível
A casa parecia maior do que nunca. Cada cômodo vazio era um lembrete da ausência que me esmagava, mas também um aviso silencioso: agora havia uma nova vida sob meu teto, e ela precisava de mim mais do que eu precisava do meu próprio luto.Eloá brincava no tapete da sala com um ursinho de pelúcia que alguém havia deixado no funeral. Os olhos dela, ainda marejados, buscavam em cada gesto uma normalidade impossível. Eu a observava em silêncio, sentindo um aperto que misturava amor e medo. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo, e talvez fosse melhor assim.“Não posso desmoronar”, repeti a mim mesma como um mantra. Se eu caísse, ela cairia comigo. E eu não permitiria que o mundo a esmagasse como esmagara os pais dela.Vittorio surgiu na porta, o terno impecável destoando da tristeza que pairava no ar. Ele me observou por alguns segundos antes de se aproximar. Os olhos dele carregavam uma preocupação que ia além do que conseguia expressar.— Não sei se é seguro você estar ao meu lad
O céu parecia cúmplice da tragédia. Cinzento, carregado, um peso que se debruçava sobre nós como se quisesse esmagar qualquer resquício de esperança. A garoa fina molhava os cabelos e escorria pelo rosto, confundindo-se com as lágrimas que eu já não tinha forças para conter. O cheiro das flores era adocicado demais, quase sufocante, misturado ao da terra úmida que seria, em instantes, o leito definitivo de Isa e Felipe.Meus dedos tremiam quando apertei a mão de Eloá. Ela parecia tão pequena, tão perdida naquele vestido preto simples, com um laço desajeitado que eu havia feito às pressas. Os olhos dela, grandes e assustados, buscavam em mim respostas que eu não podia dar.— Quando a mamãe acorda? — perguntou, com a inocência cruel que só uma criança poderia ter.O mundo se partiu. Eu queria gritar, queria me ajoelhar e implorar ao destino que desfizesse aquela cena. Mas só consegui abraçá-la, escondendo meu rosto no cabelo macio e cheiroso de infância, tentando sufocar o soluço que am
POV EVIEEu não quis que ele esperasse mais. Levei a mão ao rosto dele e guiei o olhar de volta ao meu. Beijei devagar, como quem oferece água. Meu quadril respondeu primeiro, meu peito acompanhou, e quando ele entendeu que eu queria dar, não só receber, deixou-se ir. O corpo dele tremeu bonito. O nome que ele disse agora foi o meu, mas tinha qualquer coisa de oração antiga. Eu acolhi. Segurei. Mantive o abraço um pouco depois do fim, porque o depois é o lugar onde os começos moram.Ficamos quase quietos. Só o barulho pequeno da nossa respiração tentando reencontrar a normalidade. Os dedos dele passeavam sem propósito específico: a linha do meu maxilar, a curva por trás da orelha, a fronte como se apagasse um medo antigo. Eu beijei os nós dos dedos dele, um por um, e ri de mim mesma no meio da calma.— Que foi? — ele perguntou, sorri










Último capítulo