Klaus Joseph - Torre do esquecimento Trezentos anos…O gosto de sal rasga a minha língua. O ferro queima minhas mãos.Forço meus olhos a abrirem, tudo está tão escuro.O sangue em meus ouvidos martela.Passos se aproximam, sinto o cheiro de suor e algo asqueroso.— Acorda, príncipe.A voz debochada quase me faz levantar.Até tento, porém afundo novamente, colidindo com o chão duro, ainda de olhos fechados.As pálpebras estão tão pesadas.— Pega o sal.Outra voz, mas alta e nojenta.Sinto mãos abrindo minha boca.Cerro o maxilar em vão.A dor lancinante já virou minha companheira.Mais sal queimando minha garganta.Abro os olhos com a língua colada no céu da boca.— Água…Àg…Não consigo concluir.— Volte ao trabalho, príncipe.A ironia na voz me faz arrastar para longe.O som das correntes de prata ecoa no chão.A goteira molha as feridas recém-abertas, o suor escorre pelo meu pescoço lavando as marcas escurecidas de poeira, palha e sujeira que se acumula nas costas.Cravo os dedos na
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