Mundo ficciónIniciar sesiónSob o céu eternamente nublado de Morvath, Juliette Williams acredita ter encontrado a estabilidade nos braços de Edward Carter. Mas tudo muda quando ela atravessa o limiar da mansão Carter e conhece o pai de seu namorado. Ambrósio Carter é o oposto do filho: imponente, magnético e dono de uma virilidade que desperta em Juliette desejos que ela nunca sentiu. O que começa como uma atração proibida logo se torna uma obsessão perigosa. No entanto, por trás do olhar intenso de Ambrósio, esconde-se uma natureza selvagem que Edward desconhece. Juliette está prestes a descobrir que se apaixonar por um Alfa tem um preço — e ele é pago em sangue e submissão.
Leer másA placa de ferro batido na entrada da estrada estava tão enferrujada que o nome quase se perdia entre as trepadeiras mortas: Morvath. A cidadezinha, se é que se podia chamar aquele aglomerado de construções cinzentas de cidade, parecia ter sido esquecida pelo tempo e pelo sol. Ali, o céu não era azul; era uma tela infinita de um cinza opressivo, como se as nuvens estivessem carregadas não apenas de água, mas de segredos pesados. A população de 150 habitantes mal era vista nas ruas. Morvath era um sussurro frio entre montanhas, onde o cheiro de terra úmida e pinheiros velhos impregnava cada centímetro de pele.
Pelas janelas embaçadas de um robusto Impala 67, Juliette Williams observava a paisagem com uma mistura de ansiedade e fascínio. Ela era o ponto de cor naquele cenário monocromático. Seus longos cabelos ruivos cascateavam pelos ombros como chamas em meio à neblina, e seus olhos castanhos claros brilhavam com a inocência de quem busca um conto de fadas. Com a pele de porcelana e traços delicados que remetiam às musas de um quadro renascentista, Juliette parecia deslocada, uma flor delicada prestes a ser plantada em solo infértil. Ela segurou o volante com força, sentindo a vibração do motor. Tinha deixado tudo para trás por Edward Carter. O romance virtual, alimentado por meses de chamadas noturnas e promessas sussurradas, finalmente ganharia corpo e voz. Ao avistar uma construção de madeira escura com uma placa oscilante que dizia "Pousada Morvath", Juliette sentiu um alívio momentâneo. Estacionou o Impala, o som do motor ecoando alto demais nas ruas silenciosas, e desceu. O frio cortante de Morvath a abraçou imediatamente, fazendo-a estremecer. Ela pegou suas bagagens e entrou, ouvindo o ranger das tábuas do piso sob seus pés. A recepção era mal iluminada. Atrás do balcão, uma mulher de meia-idade, com olhos que pareciam ler a alma, a observava. — Boa tarde... — Juliette começou, sua voz soando suave e melódica. — Eu tenho uma reserva em nome de Juliette Williams. A funcionária não sorriu de imediato. Ela deslizou um livro de registros antigo sobre o balcão. — Williams... — a mulher repetiu com uma voz rouca. — Você está longe de casa, querida. O que traz uma jovem tão bonita a um lugar onde até o sol tem medo de aparecer? — O amor, eu suponho — Juliette respondeu, sentindo as bochechas esquentarem. — Vim visitar os Carter. O movimento da mão da funcionária parou por um segundo imperceptível antes de ela entregar uma chave pesada de metal. — Os Carter. É claro. Fique com o quarto 12, no final do corredor. É o mais silencioso. Seja bem-vinda a Morvath, se é que se pode dar as boas-vindas a este lugar. Tente não sair depois que a neblina baixar. O quarto cheirava a lavanda e mofo. Juliette jogou a mala sobre a colcha de retalhos e ligou a pequena televisão de tubo que ficava num canto, apenas para preencher o silêncio perturbador do ambiente. Enquanto abria as bagagens, separando seus vestidos e blusas de lã, a imagem granulada na TV focou no rosto de um jovem. "...continuam as buscas por Matias Miller, de 24 anos. O rapaz desapareceu há três dias enquanto fazia uma trilha nos arredores da Floresta Norte. Este é o quarto desaparecimento registrado em menos de seis meses..." Juliette parou com uma peça de roupa nas mãos. Seus olhos se fixaram nos cartazes de "Desaparecido" que ela vira colados nos postes da estrada. Eram muitos. Uma sensação de desconforto subiu por sua espinha, um instinto primordial dizendo que algo naquela cidade não estava certo. "Deve ser apenas a falta de luz solar", pensou ela, tentando se convencer. "Cidades pequenas têm seus perigos, mas Edward cuidará de mim." Ela voltou a organizar suas coisas, tentando ignorar a voz do repórter, quando o vibrar de seu celular sobre a mesa de cabeceira a fez dar um pulinho. O visor iluminou o quarto escuro: Edward <3. Com o coração disparado, ela abriu a mensagem: "Oiii gatinha, que bom que chegou! Pode vir aqui amanhã de manhã? Já marquei com meu pai de você vir conhecer ele. Mal posso esperar para te ver finalmente." Um sorriso bobo e apaixonado iluminou o rosto de Juliette. O medo dos desaparecimentos e a estranheza da recepcionista evaporaram em um segundo. Ela rapidamente digitou a resposta, os dedos trêmulos de empolgação: "Claro gato, estarei aí amanhã cedo! Também não aguento mais de saudade. Mal posso esperar para conhecer o Sr. Carter." Juliette soltou o celular contra o peito, sentindo as batidas descompassadas do próprio coração. Ela se deixou cair para trás, afundando no colchão que rangeu sob seu peso, e ficou ali, olhando para o teto de madeira escura da pousada. As sombras das árvores lá fora, agitadas pelo vento frio, dançavam sobre as vigas como dedos longos e fantasmagóricos, mas ela não tinha medo. Pelo menos, não um medo que pudesse compreender. Sua mente, no entanto, era um turbilhão. Ela traçou mentalmente cada curva do rosto de Edward que conhecia pelas telas, tentando imaginar como seria o toque de suas mãos, o som real de sua risada. Mas, estranhamente, sua imaginação parecia esbarrar em uma névoa, a mesma névoa que devorava as ruas de Morvath. Ela pensou no "Sr. Carter". Como seria o pai do homem que ela amava? Edward falava dele com uma reverência que beirava o temor, descrevendo-o como um homem de poucas palavras, um pilar de força que mantinha a família unida desde a morte da mãe. Juliette fechou os olhos, e o silêncio do quarto foi preenchido pelo som da chuva que começava a açoitar as vidraças. Era um som rítmico, quase como um rosnado baixo e constante vindo da floresta que circundava a cidade. Naquele estado, entre a ansiedade e o sono, ela tentou projetar a imagem de um sogro gentil, talvez um homem de cabelos grisalhos e sorriso acolhedor que a receberia com um bule de chá. Ela não poderia estar mais enganada. O que Juliette ainda não imaginária — é o que o destino guardava a sete chaves sob o solo úmido de Morvath — era que Ambrósio Carter não era apenas um patriarca ou o pai de seu namorado. Ele era uma força da natureza contida em pele humana, um segredo ancestral que pulsava com o ritmo da lua.O sol em Morvath era uma lenda urbana, mas naquela manhã, a claridade cinzenta que atravessava as cortinas da pousada parecia mais agressiva. Juliette despertou com um sobressalto, o coração disparado ao olhar para o relógio de pulso sobre a mesa de cabeceira. Faltavam apenas trinta minutos para o encontro no Café Blues. A culpa por ter dormido abraçada à jaqueta de Ambrósio — que ainda exalava aquele aroma masculo.— a impulsionou para fora da cama. Ela moveu-se como um furacão. No banheiro, a escova de dentes movia-se freneticamente enquanto ela encarava as olheiras leves no espelho, marcas de uma noite de sonhos perturbadores. Juliette precisava de uma armadura. Ela abriu a mala e buscou a peça mais audaciosa que trouxe: : um vestido midi vermelho vibrante, com mangas delicadas e uma fenda lateral que revelava a brancura de suas pernas a cada passo. O vermelho era a cor do sangue, da paixão e do aviso; era a cor que ela precisava para enfrentar a instabilidade de Edward sem desmoro
O ar no The Black Howl parecia ter se tornado inflamável. O toque de Ambrósio em seu queixo e a proximidade de seus lábios criavam uma bolha de eletricidade que isolava Juliette do resto do mundo. Ela estava pronta para se perder, pronta para que ele selasse aquele pacto de desejo com um beijo que mudaria tudo. Mas, como um balde de água gelada, o som estridente e insistente de seu celular cortou o clima. O aparelho vibrava contra sua coxa, destruindo a chance da aquele momento épico.Juliette recuou, a respiração errática, as bochechas ardendo. Ela olhou para a tela e o nome "Edward" brilhou como um sinal de alerta de um crime que ela estava prestes a cometer. Com os dedos trêmulos, ela se afastou alguns passos de Ambrósio, que a observava com uma calma predatória, um sorriso enigmático ainda brincando em seus lábios.— Atenda — ele murmurou, a voz carregada de uma ironia que só ele possuía. — O dever chama. Juliette deslizou o dedo pela tela e levou o aparelho ao ouvido.— Alô? — a
O som do motor de um carro estacionando sobre o cascalho da pousada fez Juliette saltar da cama. Ela correu até a janela, afastando a cortina apenas o suficiente para ver o topo da cabeça de Edward. Ele parecia inquieto, ajeitando a jaqueta enquanto caminhava em direção à entrada. Um nó de ansiedade apertou a garganta de Juliette. Ela não estava pronta para o Edward "bonzinho". Não depois de ter visto o monstro possessivo na mesa de jantar, e muito menos depois de ter sentido o calor proibido de Ambrósio. Ela olhou para a porta do quarto e depois para a janela. Morvath estava engolindo o dia em uma névoa densa, mas Juliette preferia o frio da rua ao confronto com o namorado. Com uma agilidade que nem sabia que possuía, ela calçou suas botas, pegou as chaves do Impala e saltou o parapeito da janela. A pousada era uma construção antiga, com trepadeiras fortes e detalhes em relevo na madeira que serviram de apoio para seus pés. Ela desceu a parede como uma sombra fugindo da luz, sentind
A manhã em Morvath parecia carregar o peso de um século nas costas de Juliette. As palavras de Katherine ainda ecoavam em sua mente como um sino fúnebre " Mas não se iluda com a beleza dos homens ou com a força das mãos que te seguram " O que diabos aquilo significava?. Era uma metáfora sobre o poder da família Carter ou um aviso literal sobre o perigo? Olhando para as próprias mãos, Juliette percebeu que elas ainda tremiam. O desejo que sentia por Ambrósio era uma doença silenciosa que se espalhava por seu sangue, enquanto a imagem de Edward, com seus olhos instáveis e possessividade repentina, a preenchia de uma repulsa que ela tentava desesperadamente esconder. Ela precisava sair dali. A mansão Carter, com seus tetos altos e segredos imensuráveis, estava começando a sufocá-la. Sem olhar para trás, Juliette caminhou até a varanda. Ambrósio ainda estava lá, uma estátua de poder observando a névoa.— Eu... eu vou voltar para a pousada — ela disse, a voz firme apesar do caos interno.
A manhã em Morvath surgiu como uma promessa não cumprida. A neblina, em vez de se dissipar, parecia ter subido a montanha e abraçado a mansão Carter com dedos frios e úmidos. Juliette despertou ainda envolta na camisola de seda branca da falecida Sra. Carter, sentindo-se como uma intrusa em um santuário de memórias. A visão do lobo negro na noite anterior ainda queimava em sua mente, uma imagem que ela tentava, sem sucesso, catalogar como um sonho vívido ou uma alucinação causada pelo estresse da viagem.Após se vestir com seu vestido boho — agora levemente amassado, mas ainda exalando seu perfume floral — ela escovou os cabelos ruivos, que pareciam mais vibrantes sob a luz pálida do dia nublado. O silêncio da mansão era opressor enquanto ela caminhava pelo corredor. Ao chegar ao topo da grande escadaria de madeira, Juliette sentiu um frio na barriga que nada tinha a ver com a temperatura ambiente. Ela começou a descer, degrau por degrau, o som de suas botas abafado pelo tapete luxuo
O jantar foi retomado, mas a atmosfera na sala de jantar da mansão Carter havia mudado drasticamente. O som dos talheres batendo contra a porcelana fina parecia excessivamente alto no silêncio que se instalava entre as mordidas. Juliette mantinha os olhos fixos em seu prato de porcelana, tentando ignorar a presença esmagadora de Ambrósio na cabeceira da mesa. Cada vez que ela levantava o garfo, sentia o olhar azul dele queimando sua pele, como se ele pudesse ver através de seu vestido, lembrando-a do toque proibido. — Então, Ju — Edward começou, tentando quebrar o gelo com uma voz que soava terrivelmente comum perto do barítono de seu pai. — Como foi a viagem de carro? O Impala aguentou bem as curvas de Morvath? Juliette forçou um sorriso, embora seu coração ainda estivesse em descompasso. — Foi... foi tranquila, Edward. A cidade é muito diferente de tudo o que eu já vi. Tem uma beleza... sombria. — Sombria é a palavra certa — interveio Ambrósio, sua voz cortando o ar como uma lâm





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