Dizem que Nòcluna foi erguida sobre o perdão de dois governantes.
Alguns ainda juram ver a lua vermelha brilhando naquela mesma época do ano.
Outros afirmam ouvir o canto da espada fazendo o arco de prata sobre a luz do luar.
Naquela noite de lua cheia, quando a alvorada estava tingida de vermelho, um arco de prata surgiu.
E, com ele, um acordo nasceu.
A guerra havia dizimado os povos feéricos, mas havia um sobrevivente e seu dragão e a rainha deles a própria Tecelã.
O primeiro alfa enterrou sua espada de sal e ferro nas terras salgadas.
O suor lhe escorria pela fonte larga.
Os fios loiros caíam sobre a testa.
A armadura feita de ouro e ferro era um escudo quase impermeável.
Mas nem tudo é duro, tampouco era seu coração.
Sua fama se estendia pelas terras humanas e agora na recém ilha nomeada Nòcluna.
A figura ruiva vestida de vermelho da cabeça aos pés a quem todos chamavam de tecelã.
Ela jogou seu tear no mar de sal.
Ela fez a única coisa que jamais pensara em fazer.
Se curvou para o primeiro alfa.
De seus lindos olhos vermelhos jorraram lágrimas vermelhas carmesim.
Sangue.
O choro de uma rainha que perdera não só seu povo, mas a razão de continuar existindo.
O primeiro alfa caiu sobre os próprios joelhos, amparando a feérica de beleza hipnotizante.
— Seja minha amada, juntos governaremos Nòcluna.
Ele lhe jurou.
Ela amparou seu belo rosto com suas mãos no formato de concha.
— Como podes me solicitar para amar o meu algoz.
Ela implorou pelo fio de sua espada.
— Darei minha coroa, a proteção do meu nome e, se precisar, da minha vida.
E naquele instante, a Tecelã se alegrou.
O beijou com sua terra natal banhada em sangue.
Daqueles que lhe juraram fidelidade.
E ela o recebeu como parceira e rainha.
Por breves tempos, Nòcluna estava em paz entre lobos, criaturas e a rainha Feérica.
☾ ✦ ☽
Tudo mudou quando o primeiro alfa findou seus dias.
A Tecelã, agora em desgraça por perder tudo aquilo que possuía, triste e amargurada, enterrou o corpo daquele que amava no coração da ilha.
A terra outrora infértil recebeu todo o poder do coração justo e valente de seu governante.
Os sábios sussurram que naquele dia, antes do cair da noite, ouviu-se um som colossal.
Vidros se partiram, cristais foram separados.
A terra de Nòcluna se partiu em nove fortalezas divididas com frutos e áreas diferentes.
Os corvos voaram para longe, indo se abrigar nas montanhas.
A Tecelã nunca mais fora vista naquela ilha.
O lamento da fêmea que arrancou o próprio coração rompeu os véus do mundo.
E, naquele dia em diante, Nòcluna nunca mais foi a mesma.
Dizem que aqueles que concederem o perdão verdadeiro irão encontrar um sarcófago de sal e ferro.
Com sangue foi selado.
E com lágrimas de dois amantes do sacrifício se abrirá.
E naquele breu o destino de Nòcluna poderá ser escolhido.
Forjados de sal, ferro e suor, os amantes se escolheram e de seus frutos justos a ilha em paz voltará.