Rendida ao alfa inimigo
Rendida ao alfa inimigo
Por: Durce Alves
Prólogo

Dizem que Nòcluna foi erguida sobre o perdão de dois governantes.

Alguns ainda juram ver a lua vermelha brilhando naquela mesma época do ano.

Outros afirmam ouvir o canto da espada fazendo o arco de prata sobre a luz do luar.

Naquela noite de lua cheia, quando a alvorada estava tingida de vermelho, um arco de prata surgiu.

E, com ele, um acordo nasceu.

A guerra havia dizimado os povos feéricos, mas havia um sobrevivente e seu dragão e a rainha deles a própria Tecelã.

O primeiro alfa enterrou sua espada de sal e ferro nas terras salgadas.

O suor lhe escorria pela fonte larga.

Os fios loiros caíam sobre a testa.

A armadura feita de ouro e ferro era um escudo quase impermeável.

Mas nem tudo é duro, tampouco era seu coração.

Sua fama se estendia pelas terras humanas e agora na recém ilha nomeada Nòcluna.

A figura ruiva vestida de vermelho da cabeça aos pés a quem todos chamavam de tecelã.

Ela jogou seu tear no mar de sal.

Ela fez a única coisa que jamais pensara em fazer.

Se curvou para o primeiro alfa.

De seus lindos olhos vermelhos jorraram lágrimas vermelhas carmesim.

Sangue.

O choro de uma rainha que perdera não só seu povo, mas a razão de continuar existindo.

O primeiro alfa caiu sobre os próprios joelhos, amparando a feérica de beleza hipnotizante.

— Seja minha amada, juntos governaremos Nòcluna.

Ele lhe jurou.

Ela amparou seu belo rosto com suas mãos no formato de concha.

— Como podes me solicitar para amar o meu algoz.

Ela implorou pelo fio de sua espada.

— Darei minha coroa, a proteção do meu nome e, se precisar, da minha vida.

E naquele instante, a Tecelã se alegrou.

O beijou com sua terra natal banhada em sangue.

Daqueles que lhe juraram fidelidade.

E ela o recebeu como parceira e rainha.

Por breves tempos, Nòcluna estava em paz entre lobos, criaturas e a rainha Feérica.

☾ ✦ ☽

Tudo mudou quando o primeiro alfa findou seus dias.

A Tecelã, agora em desgraça por perder tudo aquilo que possuía, triste e amargurada, enterrou o corpo daquele que amava no coração da ilha.

A terra outrora infértil recebeu todo o poder do coração justo e valente de seu governante.

Os sábios sussurram que naquele dia, antes do cair da noite, ouviu-se um som colossal.

Vidros se partiram, cristais foram separados.

A terra de Nòcluna se partiu em nove fortalezas divididas com frutos e áreas diferentes.

Os corvos voaram para longe, indo se abrigar nas montanhas.

A Tecelã nunca mais fora vista naquela ilha.

O lamento da fêmea que arrancou o próprio coração rompeu os véus do mundo.

E, naquele dia em diante, Nòcluna nunca mais foi a mesma.

Dizem que aqueles que concederem o perdão verdadeiro irão encontrar um sarcófago de sal e ferro.

Com sangue foi selado.

E com lágrimas de dois amantes do sacrifício se abrirá.

E naquele breu o destino de Nòcluna poderá ser escolhido.

Forjados de sal, ferro e suor, os amantes se escolheram e de seus frutos justos a ilha em paz voltará.

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