Samantha
Sentamos lado a lado no banco, ombros quase se tocando. As palavras demoraram, o corpo estava cheio de outras coisas.
Quando ele virou o rosto, a distância entre nossas bocas ficou de um palmo. Aconteceu como acontece quando a maré sobe: sem pergunta, sem sobra.
O beijo veio calmo, fundo. Não era o clamor da noite anterior, era assentamento. O peito dele encontrou a minha mão, minha respiração acertou o passo.
— Ainda não é hora. — sussurrei, encostando a testa na dele — Ainda não.
— Eu sei. — ele respondeu, sem frustração — Eu só quero ficar. Dormir do seu lado. Sem passar do limite.
Assenti.
— Fica.
Deitamos atravessados no colchão, de roupas, botas ao lado, mantas até o ombro. Ficamos trocando beijos miúdos, carinhos que dizem “aqui”, “agora”, “sem pressa”.
A noite nos embalou no ritmo da aldeia que aquieta. Quando o céu começou a anunciar o amanhecer, finalmente o sono nos achou, colados o bastante para o corpo entender que estava seguro, separados o suficiente para a