Samantha
A Lua não fala como pessoas. Ela empurra imagens, acende presságios, afina os sentidos até que o corpo inteiro vire ouvido. Na madrugada, vi o que precisava ver.
Trilhas pisadas por botas, metal brilhando entre a folhagem, o brasão de Kaius num manto escuro, o barulho seco de tiros rasgando a noite, crianças encolhidas nos cantos, lobos segurando a linha até o limite. Acordei com o coração galopando e o gosto da urgência na boca.
Arwen encostou a cabeça no meu peito, por dentro.
— “Vai dizer a todos. Sem rodeio.”
— Vou.
O pátio amanheceu com cheiro de lenha e pão. Tochas apagadas ainda fumegavam. Subi num bloco de pedra, chamei a alcateia. Rostos apareceram nas portas, mulheres com aventais, guerreiros atando o couro das botas, anciãos de olhos apertados. Ayres caminhou até a primeira fileira e parou um passo ao lado, não à frente. Isso, por si, já era um anúncio.
— Preciso que me escutem. — disse, e minha voz correu clara — A Lua me mostrou o que vem aí. Caçadores humanos a