Samantha
O burburinho da matilha me acompanhava por todos os corredores da aldeia. A cada passo, eu sentia os olhares grudando em mim como mãos invisíveis, alguns cheios de respeito, outros de medo, outros de desprezo.
Havia quem me chamasse de “enviada da Deusa”, com os olhos brilhando de fé, e quem me observasse com rancor, como se eu fosse uma intrusa usurpando o espaço que deveria pertencer apenas ao Alfa.
Era um contraste que doía e fortalecia ao mesmo tempo. Eu não era cega. Via as mulheres cochichando entre si, medindo-me como rival indesejada, pesando minhas roupas, minha postura, minha ligação com Ayres. Via os guerreiros que desviavam o olhar, como se temessem que apenas encarar meus olhos fosse suficiente para que eu os dobrasse.
Arwen caminhava comigo por dentro, atenta, mas sem alarmes.
— “Eles ainda não decidiram se te veneram ou te temem.” — comentou.
— Ou as duas coisas. — retruquei em pensamento.
— “E talvez seja esse o ponto. Escolhidos nunca são confortáveis, Sam.”