Ayres
O vento mexeu um pouco o cabelo dela, trazendo para mim mais uma vez o perfume fresco que faz meu corpo lembrar que é vivo.
— Não quero desculpas bonitas, Ayres. — disse, sem dureza gratuita — Quero verdade com consequência.
— Eu sei. — respondi — E a consequência começa com o que já fiz hoje, admitir diante dos Anciãos e da matilha que minha força vazou desde a rejeição. Nomeei os que me sustentaram. Vou reparar o que puder, ouvindo quem nunca foi ouvido.
Ela respirou, os ombros subindo um pouco sob a capa.
— Ainda assim, eu sangro. — falou, honesta — Por fora, a aldeia me chama de enviada da Deusa. Por dentro, a menina da cerimônia ainda ouve a sentença que você disse. Eu estou aqui pelas crianças, pelos velhos, por quem precisa do que eu sei fazer. Não por você.
A frase acertou. Não como ferro quente, como verdade. E a verdade é a única arma que eu aceito receber sem erguer defesa.
— Eu não vim pedir que você ficasse por mim. — respondi — Vim prometer que, se eu estiver ao s