Ayres
Passei o dia inteiro tentando consertar o que a noite tinha quebrado, cercas, vigias, a confiança. O corpo obedecia melhor do que na véspera, mas ainda havia um peso atrás das costelas, como se a cada passo eu lembrasse do que joguei fora.
Entre ordens e contagens, meus olhos acabavam buscando o mesmo ponto: a figura dela cruzando o pátio com um grupo de curadores, marcas prateadas escondidas sob a capa, postura ereta e calma que não pedia licença para existir.
— “Aceita e anda, homem.” — disse Fenrir, acomodado dentro de mim — “O que a Lua escreveu não apaga com o teu orgulho.”
— Eu estou andando. — respondi, sem sabor na voz — Um passo por vez.
Quando o sol já mordia o alto do céu, recebemos a notícia, um bando de jovens tinha saído para uma caçada de teste e não voltaram na hora. O trilheiro que viu de longe trouxe um relato ruim, havia sinais de gente armada perto do vale do rio seco, e cheiro de outro clã rondando.
— Eu vou. — falei a Joran, sem esperar resposta.
Ele segur