Ayres
Passei o dia inteiro tentando consertar o que a noite tinha quebrado, cercas, vigias, a confiança. O corpo obedecia melhor do que na véspera, mas ainda havia um peso atrás das costelas, como se a cada passo eu lembrasse do que joguei fora.
Entre ordens e contagens, meus olhos acabavam buscando o mesmo ponto: a figura dela cruzando o pátio com um grupo de curadores, marcas prateadas escondidas sob a capa, postura ereta e calma que não pedia licença para existir.
— “Aceita e anda, homem.”