Ayres
A manhã nasceu com gosto de ferro na língua. A mensagem do Conselho chegou antes do pão quente, convocação imediata, salão alto, todos os Anciãos presentes.
O pergaminho não trazia ameaça escrita, mas eu a li nas entrelinhas. Joran aguardava na porta, postura impecável, olhos que já conhecem meus silêncios.
— Eles querem “prestação de contas”. — informou, sem mais — Marek exigiu demonstração formal da sua forma. Transformação completa, mantida por três minutos. Diante deles.
— Então querem espetáculo. — respondi, prendendo o manto no ombro — Vão tê-lo.
Descemos o corredor em passo igual. O pátio estava tomado por rostos que fingiam ter afazeres, mas acompanhavam minha passagem com a respiração curta. O rumor do duelo com Kaius ainda fervia, as marcas dele, dizem, vão cicatrizar tortas. Eu venci. E, no entanto, vitorioso não era a palavra que os meus olhos sustentavam no espelho.
A porta do salão rangeu. O incenso queimava baixo, a fumaça desenhava serpentinas lentas no ar. Mare