Samantha
A noite estava calma, serena, o tipo de silêncio que embala em vez de pesar. O clã já havia se recolhido para os aposentos, e eu permaneci no bosque sagrado, sentada sobre a pedra que sempre parecia mais quente do que deveria, como se guardasse fogo antigo em sua base.
A Lua brilhava no alto, plena e branca, mas, naquela noite, foram as estrelas que chamaram minha atenção. Brilhavam intensas, mais próximas, como se quisessem me contar um segredo.
Fechei os olhos. Respirei fundo, deixando que a energia prateada circulasse pelas marcas em meu braço e peito. Aos poucos, o mundo de fora desapareceu, e o de dentro se abriu.
A primeira sensação foi de frio. Um vento cortante me atravessou, e quando abri os olhos já não estava no bosque. Estava em uma aldeia que reconheci na mesma hora: a alcateia Greene.
Mas não era a alcateia que eu lembrava. Casas queimavam em chamas vivas, crianças gritavam e choravam nos cantos, mulheres tentavam proteger os pequenos, guerreiros tombavam um a