A viagem seguia tranquila, embalada pelo balanço lento da caravana e pelas risadas que vinham de Patrícia e Anahí. A cada parada, uma nova cidade se abria diante delas — ruas de pedra, janelas entreabertas, o murmúrio curioso do povo que se reunia para assistir às apresentações. O ar cheirava a poeira, frutas maduras e sonhos de estrada.
Nos intervalos entre os espetáculos, Anahí aprendia a dançar com sua tia Esmeralda. Cada lição parecia mais um segredo: o peso do corpo, o giro que vinha da alma, o compasso que nascia do tambor e terminava no coração. Patrícia, fascinada com a fluidez das duas, logo quis aprender também, ainda que tropeçando nos próprios pés no início.
Numa noite fria, a caravana ergueu acampamento na praça de uma vila. O luar se derramava sobre o chão de terra batida, e uma fogueira crepitava no centro, espalhando faíscas como pequenas estrelas fugitivas. O cheiro de lenha queimada misturava-se ao aroma de pão recém-saído do forno de alguma casa próxima. Quand