A noite caiu com um silêncio confortável sobre o apartamento.
Era curioso como, depois de tanta batalha, tanto desgaste, tantos medos e expectativas, aquele lugar parecia agora o único espaço do mundo onde Clara conseguia respirar completamente.
Henrique tinha acabado de chegar do trabalho.
Tirou o paletó jogando-o no sofá, afrouxou a gravata, abriu o primeiro botão da camisa — pequenos gestos que Clara observou de longe, sentada à mesa, ainda com o laptop aberto, mas sem enxergar mais nenhuma palavra na tela.
Ele parecia cansado.
Mas quando olhou para ela… o cansaço apagou.
— Oi, minha futura esposa — disse ele, com aquela voz grave e baixa que sempre arrepiava a espinha dela.
Clara fechou o laptop devagar.
— Oi.
Henrique percebeu algo no jeito dela.
O corpo mais quieto.
O olhar mais profundo.
A respiração levemente acelerada.
Ele se aproximou devagar, como quem chega perto de algo sagrado.
— Você está bem? — perguntou, mas já sabia a resposta.
Clara não respondeu.
Apenas ficou de pé