O sol ainda estava nascendo quando Clara abriu os olhos.
A luz suave da manhã entrava pelas frestas da cortina, iluminando o quarto com aquele dourado tranquilo que só existe nos dias que começam bem.
Henrique estava ao lado dela, deitado de bruços, respirando devagar, o rosto relaxado — quase menino.
Ela ficou alguns segundos apenas observando.
Era curioso como, mesmo depois de tudo, ele ainda conseguia surpreendê-la.
No jeito como a tocava.
No cuidado que tinha com cada gesto.
No desejo quente da noite anterior, o tipo de desejo que não machucava, não sufocava — que acolhia.
Clara passou a ponta dos dedos pelas costas dele, traçando linhas imaginárias na pele morna.
Henrique se mexeu, soltou um som baixo, meio preguiçoso, e abriu um olho.
— Tá me olhando dormir? — ele murmurou, com a voz rouca de quem acordou agora.
— Tô — Clara respondeu, sorrindo.
Ele virou o corpo devagar e puxou-a para perto, encaixando o rosto na curva do pescoço dela.
— Bom dia, amor da minha vida.
— Bom dia,