A manhã estava clara, com um sol suave entrando pela janela quando Clara recebeu a mensagem que não esperava.
“Clara, podemos conversar hoje? Só nós duas.
— Sônia”
Ela leu uma vez.
Duas.
Três.
O coração bateu mais rápido. Não era medo — era aquele tipo de apreensão que antecede algo grande. Algo que pode mudar tudo para melhor… ou pior.
Henrique ainda dormia, o rosto tranquilo, a respiração calma. Ela o observou por um momento, pensando se devia contar imediatamente.
Mas não.
Aquilo era entre duas mulheres.
Entre sogra e nora.
Entre passado, presente e futuro.
Era hora de enfrentar essa conversa sozinha.
Sônia a recebeu em um café elegante no Jardins, daqueles que servem cappuccinos com flores desenhadas em espuma e música clássica baixa.
Clara chegou pontual.
A sogra já estava lá, sentada com postura perfeita, mãos entrelaçadas sobre a mesa.
Quando Clara se aproximou, Sônia se levantou — um gesto pequeno, mas significativo.
— Obrigada por vir, Clara.
— Obrigada por me chamar — Clara