Clara passou a manhã olhando para o próprio reflexo no espelho, ajeitando o cabelo com mais cuidado do que o normal.
Não era vaidade.
Era algo mais profundo — a sensação de que aquele dia seria uma lembrança guardada.
Henrique apareceu na porta do quarto, encostado no batente, com aquele sorriso que sempre denunciava afeto.
— Vai tudo ficar bem — ele disse, cruzando os braços.
— Eu sei. — Clara respondeu, mas a voz tremeu um pouco. — É só que… faz muito tempo que eu não conto nada bom para eles.
Henrique caminhou até ela e segurou suas mãos.
— Hoje você vai contar. E eu vou estar do seu lado.
Ela encostou o rosto no peito dele por um instante, respirando fundo.
A casa da família de Clara ficava numa rua tranquila, com jardim aparado e cheiro de café vindo da cozinha assim que abriram a porta.
A mãe dela apareceu primeiro.
— Minha filha! — disse, abraçando Clara com força. — Que saudade!
Clara quase se desmanchou ali mesmo.
Era um abraço familiar, quente, que ela não sentia há meses.
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