O aviso chegou cedo.
“Reunião extraordinária do conselho – 14h. Presença obrigatória.”
Henrique leu a mensagem e soube imediatamente:
a hora tinha chegado.
Quando Clara recebeu o mesmo aviso — embora afastada — sentiu um frio no estômago.
— Vai ser hoje? — ela perguntou, mexendo o anel no dedo.
— Hoje — Henrique confirmou. — E eu vou resolver isso de uma vez por todas.
Ele ajeitou a gravata, prendeu o relógio no pulso e respirou fundo antes de sair.
Clara o segurou pelo braço.
— Henrique… lembra de uma coisa: você não está fazendo isso por mim.
Ele franziu o cenho.
— Não?
— Não. Você está fazendo isso porque é certo.
Ela sorriu.
— E isso é o que te torna tão diferente.
Henrique sorriu também — aquele sorriso de homem que ama sem medo.
— Eu volto pra te buscar depois.
Às 13h58, Henrique entrou na sala do conselho.
O ambiente estava carregado.
A mesa oval brilhava.
Os acionistas estavam alinhados.
Paulo, pálido, com a carta de renúncia no bolso.
Rafaela — arrumada demais, tensa demais —