Arthur acordou diferente naquela manhã.
Não havia paz, mas também não havia aquela escuridão sufocante que costumava acompanhá-lo.
Era como se, depois de desabar completamente, o corpo tivesse decidido que precisava pelo menos tentar levantar.
Ele passou o café, arrumou a cama — a mesma cama onde estivera jogado no chão dias antes — e abriu as janelas pela primeira vez em semanas.
A luz entrou fraca, mas entrou.
Às dez, ele tinha sessão com a Dra. Helena.
Desta vez, não estava atrasado.
Não estava fugindo.
Estava lá porque queria.
— Como você está hoje? — perguntou a psicóloga.
Arthur respirou fundo.
— Melhor. Um pouco melhor.
— E o que significa “melhor”?
— Que eu consigo… pensar.
Ele mexeu as mãos, inquieto.
— Que eu admito tudo que fiz sem tentar criar justificativa.
Os olhos dele ficaram marejados.
— Que eu quero me tornar alguém decente, mesmo que ninguém veja. Mesmo que ninguém reconheça. Mesmo que Clara nunca me perdoe.
A psicóloga assentiu, satisfeita.
— E você tem pensado nel