Henrique passou a madrugada em claro.
Não porque estivesse com medo — mas porque estava com raiva.
Uma raiva controlada, fria, silenciosa.
Daquelas que só homens extremamente perigosos são capazes de sentir.
Clara dormia ao lado dele, exausta.
Ele não quis acordá-la.
Não quis misturá-la com a tempestade que se formava em sua mente.
Quando o dia amanheceu, Henrique levantou devagar, colocou uma camisa social escura e prendeu o relógio no pulso com força demais.
Ele tinha um encontro marcado.
E Paulo não fazia ideia do que o esperava.
Clara acordou sozinha, encontrou um bilhete sobre o travesseiro:
“Fui resolver parte do problema.
Volto para te buscar.
H.”
Ela sorriu — um sorriso tenso, mas cheio de confiança.
Henrique nunca deixava nada inacabado.
E, se ele dizia que ia resolver… ia.
Clara tomou banho, arrumou o cabelo e vestiu uma roupa discreta.
Enquanto tomava café, seu celular apitou.
Era Rafaela.
Uma mensagem curta, venenosa:
“Ouvi dizer que você vai cair antes de voltar ao trabal