A manhã começou tensa.
Henrique havia agendado uma reunião com o time de auditoria interna para revisar as denúncias contra Clara.
E, mesmo afastada, Clara se recusou a ficar de braços cruzados — acompanharia tudo de perto.
Quando chegou ao escritório de Henrique, ele a recebeu com um beijo rápido na testa.
— Pronta? — ele perguntou, com aquele sorriso que tentava aliviar o peso da situação.
— Nunca estive tão pronta para derrubar alguém — ela respondeu, com os olhos firmes.
Henrique segurou a mão dela por alguns segundos, antes de deixá-la sentar ao seu lado.
Ele sempre fazia isso: uma pausa, um toque, um silêncio — uma forma de lembrá-la de que ela não estava sozinha.
A equipe de auditoria entrou com pastas, pendrives e relatórios.
— Comecem — disse Henrique.
A coordenadora abriu a apresentação e projetou na tela:
“SABOTAGEM INTERNA – RELATÓRIO PRELIMINAR”
O sangue de Clara gelou.
— Identificamos acessos suspeitos no sistema interno na semana das denúncias — explicou a coordenadora.