Clara acordou com uma decisão firme no peito.
Não havia mais dúvida, medo ou hesitação.
O casamento tinha acabado — não naquele dia no restaurante, nem no jantar arruinado, nem nas brigas.
Ele tinha acabado muito antes, quando Arthur deixou de vê-la, quando deixou de escolhê-la, quando transformou amor em obrigação e fidelidade em moeda de troca.
Ela se arrumou com calma.
Uma calça de alfaiataria clara, uma camisa azul suave, cabelo preso.
Não para impressionar o advogado.
Mas para lembrar a si mesma de quem ela era quando não estava tentando sobreviver a um homem emocionalmente destruído.
O escritório jurídico ficava numa avenida movimentada.
Vidros espelhados, recepção silenciosa, cheiro de café e papel novo.
O advogado — Dr. Jonas — era calmo, experiente, daqueles que não se assustam com nada.
— Em que posso ajudar, Clara? — perguntou, assim que ela sentou.
Ela respirou fundo.
— Quero o divórcio.
Ele a observou por alguns segundos, como quem avalia o peso daquela decisão.
— Certo.