As semanas seguintes pareceram abrir janelas dentro da vida de Clara.
Cada dia trazia uma brisa diferente, uma sensação nova, como se ela tivesse sido devolvida ao próprio corpo depois de anos vivendo por alguém.
Ela acordava cedo sem pesar.
Tomava café ouvindo música.
Arrumava o cabelo com leveza.
E, quando chegava à empresa, sentia que não estava apenas “indo trabalhar” — estava construindo algo que finalmente fazia sentido.
A equipe passou a procurar por ela mais do que por qualquer outro.
As ideias vinham com naturalidade, e ela apresentava tudo com uma segurança que surpreendia até a si mesma.
Henrique, por sua vez, a observava como se assistisse a um nascer do sol diário.
Ele aparecia na sala dela com o mesmo sorriso de sempre:
um sorriso que cabia no silêncio e, ao mesmo tempo, preenchia qualquer vazio.
— Pronta pra dominar o mundo hoje? — perguntava, encostado no batente da porta.
— Só se você for meu cúmplice — ela respondia, ajeitando os óculos.
— Sempre fui — ele dizia, e a