Mundo de ficçãoIniciar sessãoO casamento de Luiza e Davi Albuquerque já havia sido adiado trinta e três vezes. Na véspera da cerimônia mais recente, ela foi atropelada. Com dezenove fraturas pelo corpo, passou três vezes pela UTI antes de finalmente estabilizar. Quando seu estado melhorou um pouco, saiu do quarto apoiando a mão na parede e tentou caminhar pelo corredor. Mal chegou à esquina quando ouviu a conversa entre o noivo, Davi, e um amigo. — Da última vez foi afogamento, agora um atropelamento... mais dois meses de adiamento. E da próxima, o que você pretende fazer? Ao ouvir aquilo, o sangue de Luiza gelou. De jaleco, Davi mexia no celular, falando com total indiferença: — Não vai ter próxima.
Ler maisQuando Luiza desceu as escadas apoiando Enrico, Davi acabava de entrar, em estado lamentável.Ele parou no piso inferior, olhando para ela, completamente atordoado.Aquela cena era familiar.No passado, Luiza também já havia ajudado Enrico a descer inúmeras vezes.Por um instante, Davi chegou a se iludir...Será que nada daquilo tinha acontecido?Será que ainda havia um futuro para eles?Se fosse antes, Luiza teria olhado para ele imediatamente, com um sorriso, falando com naturalidade.Mas a realidade era outra.Por mais intenso que fosse o olhar dele, para Luiza ele não passava de alguém inexistente.Tudo aquilo realmente tinha acontecido.Ela não voltaria.E não existia mais "depois" para eles.Esse pensamento atravessou o peito de Davi como uma lâmina.Cada respiração vinha acompanhada de uma dor dilacerante.Durante o jantar, Davi se sentou de frente para Luiza.O olhar dele permanecia fixo nela.De vez em quando, colocava no prato dela as comidas que ela gostava.Mas Luiza não le
Como sempre, Breno a levou até em casa.Mas, dessa vez, Luiza sentiu que havia algo diferente.Ao descer do carro, ele entregou uma caixa de presente.— Presente de aniversário.No caminho do portão do condomínio até o prédio, seus passos estavam mais rápidos que o normal.Queria chegar logo para abrir o presente.Mas, ao parar em frente ao prédio e ver Davi, travou de repente.Ficou ali, olhando para ele de longe.Davi segurava um bolo e um presente enquanto caminhava em sua direção.Com as mãos trêmulas, estendeu o presente para ela e disse, com a voz rouca:— Feliz aniversário. Eu disse que passaria todos os seus aniversários com você, ainda bem que não cheguei atrasado.De fato, em todos os aniversários anteriores, Davi nunca faltou.Mesmo nos dias em que passava o dia inteiro em cirurgias, sempre dava um jeito de aparecer.Mesmo que isso significasse virar a noite operando depois.Mas aquilo era passado.Luiza pegou o presente.Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, jogou
Depois de deixar Virgínia em casa, Luiza só voltou para a própria casa mais tarde.Tomou banho, se arrumou e se jogou na cama.Ao lembrar das palavras de Davi sobre amor, não conseguiu evitar, soltou uma risada.Davi dizendo que a amava, aquilo era quase uma ofensa à própria palavra.No dia seguinte, não havia apresentação. O ensaio também tinha sido cancelado.Depois de ler o aviso no grupo, Luiza largou o celular de lado e ficou olhando para o teto.Percebeu que, além de ensaiar e se apresentar, não tinha mais nada para fazer.A sensação de vazio mal começava a surgir quando o telefone tocou.Era Breno.— Hoje não tem ensaio, né? Vou passar aí pra te buscar. Vamos dar uma volta.Como não tinha nada para fazer, ela aceitou.Levantou da cama devagar, se arrumou sem pressa e desceu.Quando chegou lá embaixo, Breno já estava esperando.Ela se surpreendeu por um instante, acelerou o passo e entrou no banco do passageiro.— Você esperou muito? Eu devia ter descido mais rápido.Breno deu pa
Luiza parou e se virou, falando com frieza:— Foi o Enrico que mandou você me procurar?Não conseguia pensar em outro motivo além desse.Davi ficou atordoado por um instante. Quando entendeu, se apressou em explicar:— Não. Fui eu que quis vir te procurar.— O que você quer? — Luiza deu um passo para trás, com a voz fria.Ao ver o olhar distante e cheio de cautela dela, o coração de Davi pareceu se rasgar. Uma amargura profunda tomou conta dele.Os olhos dele estavam cheios de dor e súplica:— Volta comigo, eu...— Você ainda quer pagar aquela dívida? — Luiza o interrompeu, olhando para ele com indiferença. — Não precisa. Essa dívida já foi paga. Vai embora. A gente não deve mais nada um ao outro.Depois de dizer isso, tentou passar por ele.Mas Davi a segurou.— Não é por dívida. — Disse, apressado, tentando deter ela. — Eu realmente quero que você volte. Fui um idiota, só depois de perder você entendi o que sinto.Luiza franziu a testa ao ouvir aquilo. O toque dele a incomodava.Ela





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