Capítulo 2
Quando Luiza voltou a si, viu várias pessoas ao redor da cama.

Eram todos estagiários de Davi, entre eles, Tatiana.

Ela se apoiou no colchão e se sentou com dificuldade:

— O que vocês estão fazendo aqui?

Uma mulher de aparência simples respondeu:

— O Davi disse que vai usar o seu caso para explicação, pediu para a gente vir antes...

Alguém ao lado cutucou a mulher com o cotovelo:

— Pra que explicar tanto pra ela? Quem usa favor como moeda de troca não merece esse tipo de consideração.

O rosto de Luiza empalideceu.

Se fosse antes, ela jamais reagiria a esse tipo de comentário.

Mas agora... eles estavam certos.

Era por causa dessa "dívida" que Davi continuava preso ao lado dela.

— Se não fosse por ela, o Davi já estaria livre pra correr atrás do amor verdadeiro. — Disse outra pessoa, lançando um olhar cheio de significado para Tatiana, que estava no centro do grupo.

Luiza viu o rubor tímido no rosto de Tatiana. Aquilo atravessou seu peito como uma agulha.

De repente, alguém bateu palmas, como se tivesse tido uma ideia:

— Vocês não acham que a mãe dela só assumiu a culpa pra garantir esse casamento? Com uma família dessas, nunca iam conseguir chegar lá sozinhas.

Os outros começaram a concordar:

— Faz sentido. Mãe e filha são iguais. A mãe dela era ainda mais calculista.

As mãos de Luiza se fecharam em punhos.

Podiam falar dela o quanto quisessem, ela sabia que, de certa forma, carregava essa dívida e aceitava isso.

Mas, na época, sua mãe assumiu a culpa por gratidão à família Albuquerque.

Nunca houve qualquer intenção de cobrar algo em troca.

As palavras ficaram cada vez mais venenosas.

Luiza não permitiria que difamassem sua mãe daquele jeito.

Ela se levantou de repente e ergueu a mão, pronta para dar um tapa na pessoa que mais falava.

Pelo canto dos olhos, Tatiana percebeu que Davi estava prestes a entrar.

Deu um passo à frente e se colocou na frente da colega.

O som seco ecoou pelo quarto.

O tapa atingiu o rosto de Tatiana.

Luiza ficou paralisada por um instante.

Davi entrou exatamente naquele momento.

Ao ver a cena, avançou imediatamente, puxou Tatiana para perto e empurrou Luiza com força.

— Luiza, o que você está fazendo?!

Ela ficou atônita com o tom da voz dele, olhando sem acreditar.

Davi nunca tinha falado com ela daquele jeito.

Mas ele não sustentou o olhar.

Com expressão preocupada, levou Tatiana para fora, para cuidar do ferimento.

Dez minutos depois, voltou.

A primeira coisa que disse foi:

— Vai pedir desculpa pra Tatiana.

Luiza virou o rosto e ficou em silêncio.

A voz dele endureceu:

— Te mimaram demais todos esses anos.

O corpo dela enrijeceu. Com os olhos marejados, encarou Davi.

— Foram eles que disseram que eu uso favor como moeda de troca... que minha mãe assumiu a culpa só pra se aproximar da família de vocês. E eu não queria bater na Tatiana. Ela entrou na frente!

Davi não demonstrou nenhum abalo. Sua voz saiu fria:

— E o que eles disseram está errado?

As pupilas de Luiza se contraíram. Sua respiração falhou por um instante.

Incredulidade, mágoa e dor a engoliram por completo.

Sim... não era exatamente isso que ele sempre pensou?

Caso contrário, não teria provocado tantos acidentes para adiar o casamento... não teria dito que tudo não passava de responsabilidade.

Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.

— Tudo bem, eu vou pedir desculpa.

Arrastando o corpo quase despedaçado pela dor, ela seguiu Davi até o escritório dele.

Ao abrir a porta, viu Tatiana sentada sozinha na cadeira.

Por um instante, ficou imóvel, e uma lembrança veio à tona.

No passado, ela quis ir buscar Davi depois do trabalho.

Ele disse que teria coisas para resolver e sairia tarde.

Ela respondeu que podia esperar no escritório.

Mas ele recusou:

— Tem documentos importantes aqui. Não posso deixar ninguém sozinho dentro da minha sala.

Agora, Tatiana podia ficar ali sozinha.

Então, os princípios de um homem só valem para quem ele não ama.

Diante de quem ele ama... não existem regras.

Luiza engoliu a dor que apertava seu peito.

Caminhou até Tatiana, abaixou a cabeça e disse:

— Desculpa, eu te acertei sem querer.

Tatiana fingiu surpresa, levando a mão à boca:

— Senhora Albuquerque?

Davi se aproximou dela, afagou sua cabeça e corrigiu, com leve desagrado:

— Eu ainda não me casei com ela. Não precisa chamar assim.

Antes, quando outras pessoas chamavam Luiza de "senhora Albuquerque", ele nunca corrigia.

Mas agora, ao ouvir Tatiana, fez questão de corrigir.

Ele não queria ouvir esse título vindo da mulher que amava?

Um traço de amargura passou pelos olhos de Luiza.

Tatiana assentiu docemente e mudou o tratamento:

— Luiza, não precisa se culpar tanto. Eu te perdoo.

A atitude generosa dela fez com que Davi finalmente deixasse o assunto de lado.

— Volta e descansa.

As unhas de Luiza cravaram na palma da mão. Ela se virou e saiu do escritório.

Mal deu alguns passos, alguém esbarrou nela.

Sem conseguir se equilibrar, caiu no chão.

A dor se espalhou pelo corpo inteiro, fazendo suor frio brotar em sua testa.

De dentro do escritório, a voz preocupada de Davi ecoou:

— Ainda está doendo? Deixa eu passar mais um pouco de remédio.

As lágrimas de Luiza finalmente transbordaram, caindo uma após a outra no chão.

Ela cobriu a boca para não deixar escapar nenhum som, apenas o tremor dos ombros revelava sua dor.

No dia seguinte, Davi foi para outro hospital em intercâmbio profissional.

Levou apenas Tatiana como estagiária.

Durante a semana em que ficou internada, vários estagiários passaram pelo quarto.

Todos diziam a mesma coisa: Davi tinha escolhido Tatiana para levar para passear, saíam para comer coisas boas, ele acompanhava ela em pontos turísticos... Coisas que ele nunca tinha feito por Luiza.

Ela não reagia a nada daquilo.

Mas, por dentro, o coração era rasgado pouco a pouco.

Até que, por fim, algo mudou em seu olhar, um alívio silencioso surgiu.

"Davi, eu te devolvo a sua liberdade..."

Depois de receber alta, ela foi direto para a Mansão dos Albuquerque.

Ela ia desfazer o noivado.
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