Capítulo 6
Luiza chegou em casa muito tarde.

No caminho, a chuva caiu forte, e quando entrou, estava completamente encharcada.

Assim que abriu a porta, viu que Davi já estava em casa.

Sem olhar para ele, subiu direto para o andar de cima.

Mal chegou à escada, sentiu um toque por trás.

Um toalhão envolveu seu corpo.

A voz preocupada de Davi veio logo depois:

— Por que não me chamou para te buscar? Você está toda molhada.

“Se eu chamasse, você viria?”

Um traço de ironia passou pelos olhos dela.

Ela afastou a mão dele e subiu sem dizer nada.

Tomou banho e, ao sair do banheiro, viu Davi segurando uma xícara de chá quente, soprando para esfriar.

Davi sempre foi alguém responsável.

Caso contrário, não teria cuidado dela por tantos anos.

Foi justamente isso que a fez confundir responsabilidade com amor.

Quando a viu, ele puxou ela até a cama, fez ela sentar e levou a colher até a boca dela, oferecendo o chá.

— Está muito quente? O casamento já está perto, você não pode ficar doente agora.

Luiza bebeu tudo em silêncio.

Observou as costas dele enquanto saía do quarto.

Dentro dela, só restava vazio.

“Davi, como você quer, não vai haver casamento...”

No dia seguinte, Luiza foi até o departamento de imigração para tirar o visto.

Assim que saiu do prédio, encontrou Davi com um grupo de estagiários.

Ele olhou para o lugar de onde ela vinha, franzindo a testa:

— O que você veio fazer aqui?

Ela respondeu com calma:

— Uma pessoa da minha banda vai sair do país. Vim ajudar com os documentos.

Ele não perguntou mais nada.

Nem passou pela cabeça dele que a pessoa que iria embora... era ela.

Nesse momento, um dos estagiários disse:

— A gente vai sair pra jantar hoje. Luiza, vem com a gente.

— Vamos. Depois a gente volta para casa. — Davi completou.

Eles foram a uma churrascaria.

Luiza olhou para Davi. Antes, sempre que ela sugeria esse tipo de lugar, ele recusava, dizendo que o cheiro era forte demais.

Um dos estagiários comentou:

— Engraçado... o Davi vir a um lugar desses.

Outro respondeu:

— É porque a Tatiana gosta. Mesmo que seja um boteco de esquina, se a Tatiana quiser, ele vai com ela.

Luiza apenas curvou os lábios num sorriso amargo, sem dizer nada.

Quando entraram, colocaram Davi e Tatiana sentados juntos.

Só então pareceram lembrar de Luiza.

— Ah, desculpa, esqueci que você também vinha. Normalmente, quando a gente sai, o Davi sempre senta com a Tatiana. Você não se importa, né?

Uma dor fina atravessou seu peito. Ela apenas balançou a cabeça e se sentou do outro lado.

Dali, viu Davi amarrar o avental em Tatiana, lembrar de todas as preferências dela e pedir os pratos certos.

Ele quase não comia, passava o tempo todo servindo ela.

Luiza apertou o garfo, olhando para o prato sem foco.

Só depois de um tempo Davi percebeu que ela estava quieta demais.

Pegou qualquer coisa e colocou no prato dela.

— Come mais um pouco.

Ela olhou para o camarão.

Um sorriso amargo surgiu em seus lábios. Empurrou a comida para o lado.

Desde pequena, Luiza era alérgica a camarão.

Uma vez, quase morreu por causa disso.

Davi tinha esquecido.

Durante toda a refeição, ela manteve a cabeça baixa, sem olhar para eles.

Até que Tatiana disse:

— Luiza, esse colar que você está usando é tão bonito, posso ver de perto?

Luiza segurou o colar contra o peito, pronta para recusar.

Mas alguém ao lado puxou a corrente com força, arrancando do pescoço dela.

— A Luiza não vai ser mesquinha assim. Tatiana, olha à vontade.

Luiza tentou impedir, segurando a pessoa, e olhou para Davi, dizendo em voz alta:

— Não!

Davi franziu a testa, incomodado com o tom dela:

— É só um colar. Qual o problema de deixar a Tatiana ver?

Ela viu Davi pegar o colar e entregar para Tatiana. Tentou pegar de volta.

Tatiana também estendeu a mão, como se recusasse:

— Se a Luiza não quiser, deixa pra lá...

No meio do movimento, o colar escapou e caiu dentro da comida quente, respingando caldo nas mãos delas.

Luiza se desesperou e tentou pegar o colar.

Mas, ao tocar o prato fervente, a dor foi brutal.

Seus nervos sensíveis fizeram parecer que seus dedos estavam sendo arrancados.

Antes, nessas situações, Davi sempre corria para ajudar ela.

Com a cabeça latejando, ela instintivamente procurou por ele...

E viu Davi segurando a mão de Tatiana, soprando com cuidado, cheio de preocupação.

Ao ver que ela estava quase chorando de dor, ele simplesmente a levou para o hospital, sem sequer olhar para Luiza, que estava à beira de desmaiar.

Quando finalmente conseguiu se recuperar um pouco, a churrascaria já estava prestes a fechar.

Ela pediu ajuda a um funcionário para recuperar o colar.

Abriu o pingente, agora coberto de gordura...

Mas as cinzas dentro dele já tinham se misturado completamente à comida.

Luiza desabou. Segurando o colar, caiu no chão.

Seu choro ecoou pelo restaurante vazio, até a voz ficar rouca.

Nesta vida...

Ela jamais perdoaria Davi.
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App