Capítulo 5
Quando abriu os olhos novamente, Luiza estava deitada em uma cama de hospital.

O corpo inteiro doía como se estivesse se desfazendo. Já não conseguia mais contar quantas vezes havia sido internada.

Nesse momento, o telefone tocou.

Era um agente penitenciário que ela havia subornado antes.

— Luiza, a Fernanda está sendo maltratada na prisão. Você ofendeu alguém importante?

A respiração dela travou:

— O que foi isso?

— Veio ordem de cima para atormentar a Fernanda. Agora ela está sem comida, sendo isolada pelas colegas de cela e obrigada a ficar dez horas por dia sob o sol!

As palavras caíram como um raio.

A cabeça de Luiza girou, e a voz do outro lado da linha pareceu se afastar.

A porta do quarto se abriu. Davi entrou.

Luiza ergueu o olhar e o encarou.

De repente, tudo fez sentido.

— Foi você.

Só Davi teria poder para fazer algo assim.

E ele ainda acreditava que ela tinha ameaçado Tatiana.

O rosto dele não demonstrou surpresa nem confusão.

Ela o observava como se estivesse diante de um estranho. A voz tremia:

— Minha mãe ajudou a sua família, você não pode tratar ela assim. Ela sempre teve a saúde frágil, não vai aguentar isso.

Davi se aproximou, segurou o rosto dela com força, apertando suas bochechas.

O olhar dele era frio:

— Ela ajudou a minha família, não a Tatiana. Se você tem algum problema, descarrega em mim. Eu aguento. Mas por que você foi machucar a Tatiana?

A força aumentou tanto que parecia que o rosto dela seria esmagado.

Mesmo assim, Luiza o encarou, firme:

— Eu não tirei foto nenhuma e nunca ameacei a Tatiana. Se você não acredita, pode olhar as câmeras do hotel...

— Se não foi você, quem foi? A Tatiana é tranquila, nunca teve conflito com ninguém além de você.

Não importava o quanto ela explicasse, Davi já tinha decidido que a culpa era dela.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Luiza.

Uma lágrima escorreu, passando pela mão dele.

Ao sentir o calor daquela lágrima, algo nele pareceu vacilar por um instante.

— Eu errei... — Disse ela, cedendo. — Faz eles pararem com isso. Deixa minha mãe em paz. Eu vou ficar longe da Tatiana.

Ela desistiu de lutar. Não adiantava.

Só queria que Fernanda ficasse bem... ainda precisava levar ela embora.

Vendo que ela havia cedido, Davi afrouxou o aperto.

Sua mão passou a acariciar o rosto dela, e a voz suavizou:

— Eu não queria machucar a Fernanda. Mas a Tatiana é inocente. Ela não vai mais aparecer na nossa vida. Você não precisa conviver com ela, mas não machuca ela de novo.

Luiza sentiu um beijo leve em sua testa.

Ela assentiu, vazia, como uma boneca sem vontade própria.

Mas, mesmo sendo obediente assim... não conseguiu salvar Fernanda.

No dia seguinte, recebeu uma ligação da prisão.

Ela não se lembrava do caminho até lá.

Quando recobrou a consciência, já estava no necrotério.

Sobre a maca puxada para fora, jazia Fernanda, o rosto pálido.

Luiza caiu de joelhos.

A mão tremia tanto que demorou a conseguir tocar o corpo.

A voz saiu entrecortada, enquanto lágrimas caíam sobre o rosto frio, incapazes de devolver qualquer calor:

— Mãe, você não disse que ia embora comigo? Acorda, a gente estava tão perto de sair... por quê...

O agente explicou ao lado:

— Insolação grave. Quando perceberam, já era tarde demais.

No mesmo dia, Luiza cremou o corpo de Fernanda.

No funeral, só havia ela.

Antes de tudo começar, ligou dezenove vezes para Davi.

Nenhuma chamada foi atendida.

Quando desligou o telefone, viu uma nova postagem de Tatiana.

Era um vídeo em um show lotado.

Ao lado dela, olhando para ela com ternura, estava Davi, o mesmo homem que Luiza não conseguia encontrar de jeito nenhum.

O som era ensurdecedor, as luzes piscavam por todos os lados.

Aquilo fez Luiza lembrar de quando havia convidado Davi para assistir a um show da sua banda, e ele respondeu:

— Você sabe que eu não gosto de lugares barulhentos e cheios.

Mas agora ele estava ali, ao lado de Tatiana, em meio à multidão.

Luiza riu de si mesma, em silêncio, e não tentou ligar novamente.

Na funerária, comprou um colar.

Com as próprias mãos, colocou as cinzas de Fernanda dentro dele.

— Mãe, eu vou te levar embora...
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App