Capítulo 7
Naquela mesma noite, Luiza teve uma febre alta.

Ficou deitada, meio inconsciente, por dois dias inteiros, até que sua mente começou a clarear aos poucos.

Quando abriu os olhos, viu Davi sentado ao lado da cama.

Ao perceber que ela havia despertado, ele tocou sua testa.

— A febre finalmente baixou um pouco.

Ela continuou olhando para o teto, completamente apática.

Não importava o que ele dissesse, não reagia, até que ele falou:

— Não precisa se preocupar tanto. Eu vou cuidar da sua voz, vai ficar tudo bem.

Luiza virou o olhar para ele.

Abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu.

Uma sensação de queimação tomou sua garganta.

Ao ver o pânico em seu rosto, Davi explicou, dando leves tapinhas em seu ombro:

— A febre foi muito alta. Sua garganta inflamou e acabou afetando as cordas vocais. Mas é simples, com uma pequena cirurgia tudo se resolve.

A segurança no tom dele fez com que Luiza se acalmasse aos poucos.

Três dias depois, ainda tinha uma apresentação marcada.

Aplicou uma injeção para suportar a dor e conseguiu terminar o show inteiro, mesmo no limite.

Os integrantes da banda, sem ver ela há dias, insistiram para sair e comemorar juntos.

Ela recusou. No dia seguinte faria a cirurgia.

Apesar da decepção, eles não insistiram:

— Então a gente comemora depois, ainda vão surgir muitas oportunidades...

Luiza olhou para eles e disse, devagar:

— Eu vou embora. Meu voo é daqui a cinco dias.

Todos ficaram paralisados.

Depois de um tempo, alguém falou:

— Mas seu casamento não é daqui a seis dias? A gente até recebeu o convite.

Ela abaixou a cabeça:

— Não vai mais ter casamento. Pode fingir que nunca recebeu.

O grupo ficou em silêncio.

Todos sabiam o quanto ela gostava de Davi.

Luiza sorriu de leve e deu um soco suave no braço da pessoa mais próxima.

— Está tudo bem. Dizem que casamento é uma prisão, né? Eu não vou casar e vocês ficam assim? Relaxa, eu não vou parar de cantar. Afinal, agora só me resta isso...

A última frase saiu quase inaudível.

Ao ver que ela parecia sincera, eles finalmente relaxaram um pouco.

— Então lembra de voltar para ver a gente, hein? Não vai sumir depois que for embora...

De repente, alguém segurou sua mão.

A voz baixa de Davi soou ao lado dela:

— Para onde você vai?

Ele tinha vindo buscar ela.

Luiza não respondeu. Apenas se despediu dos integrantes da banda.

Depois que entrou no carro, Davi perguntou novamente.

Ela então respondeu:

— Eu vou sair da banda.

Davi ficou surpreso por um instante. Dirigia com uma mão no volante.

— Por quê? Você não gostava tanto da banda?

— Não gosto mais. — Respondeu, em tom neutro.

Ele não insistiu.

— A cirurgia é amanhã de manhã. Já está tudo organizado.

Luiza presumiu que seria Davi quem faria a cirurgia, ou, no mínimo, algum médico experiente indicado por ele.

Por isso, não perguntou mais nada.

Só quando, no dia seguinte, deitou na mesa de cirurgia e a anestesia começou a fazer efeito, Luiza percebeu que a médica responsável era Tatiana, e Davi estava ao lado, como assistente.

Luiza sempre valorizou a própria voz.

Jamais aceitaria que uma estagiária conduzisse sua cirurgia.

Tomada pelo pânico, tentou se levantar.

Mas, sob o efeito da anestesia, o corpo não respondia, e sua voz saía fragmentada:

— Troca... não deixa ela fazer... Davi, faz você...

Davi acariciou o rosto dela com suavidade:

— Fica tranquila. A Tatiana precisa dessa prática para o trabalho acadêmico, e ela é a melhor da turma. Você não precisa se preocupar. Dorme um pouco, vai ficar tudo bem.

Em seguida, Luiza perdeu completamente a consciência.

Quando acordou, já estava no quarto.

Ficou alguns segundos atordoada, até que as lembranças de antes da cirurgia voltaram com força.

Tentou falar, mas só conseguiu emitir sons quebrados, sem forma.

Levou a mão à garganta e tentou de novo, várias vezes. Nada melhorava.

O desespero tomou conta, seus olhos ficaram vermelhos.

A porta do quarto se abriu.

Davi entrou, com Tatiana logo atrás.

Luiza olhou para ele, apontando desesperadamente para a própria garganta.

Davi desviou o olhar por um instante antes de falar:

— A cirurgia teve um pequeno problema. Mas não se preocupa, eu vou dar um jeito de recuperar sua voz.

Os olhos de Luiza se arregalaram.

O corpo inteiro ficou imóvel, como se tivesse levado um choque.

Um pequeno problema?

Se fosse só isso, por que ele estaria agindo assim?

Sem querer, o olhar dela encontrou o de Tatiana, atrás de Davi.

Nos olhos dela havia provocação e satisfação.

A incredulidade atravessou Luiza.

Antes da história das fotos, ela até tinha desconfiado de Tatiana.

Mas achava que ninguém seria capaz de encenar algo assim.

Agora, tudo fazia sentido.

Foi Tatiana.

Por causa dela, sua mãe morreu.

E agora, sua voz também tinha sido destruída.

A raiva explodiu.

Luiza pegou um objeto ao lado e arremessou na direção de Tatiana.

Davi franziu a testa, deu um passo à frente e protegeu ela, envolvendo ela nos braços.

— Luiza, você ficou louca?!

As mãos de Luiza se fecharam com força. Seus olhos transbordavam ódio ao encarar Tatiana.

— Ela... fez isso de propósito.

A expressão de Davi endureceu ainda mais. A voz saiu fria:

— Toda cirurgia tem risco. O que isso tem a ver com ela? Para de descontar nos outros só porque as coisas não saíram como você queria.

O olhar de Luiza vacilou por um instante.

Ela se voltou lentamente para ele.

No rosto de Davi havia apenas impaciência, como se ela estivesse fazendo um escândalo sem sentido.

Ela abaixou a cabeça e sorriu, amarga.

Tinha se esquecido... sem a confiança absoluta de Davi, como uma simples estagiária teria conseguido realizar aquela cirurgia?

Nos dias seguintes, Luiza não disse uma única palavra.

Davi aparecia todos os dias no quarto, repetindo que iria recuperar sua voz.

Mas ela sequer olhava para ele.

Na quarta noite, recebeu no celular uma mensagem de Enrico com os dados do voo e uma quantia em dinheiro.

[Luiza, fique com esse dinheiro. Vá viver bem com a Fernanda.]

Ela não contou a Enrico que Fernanda já havia falecido.

Não queria preocupar ele ainda mais. Respondeu apenas: [Tudo bem.]

Assim que salvou as informações, Davi, sentado no sofá, disse:

— Luiza, tenho um compromisso. Hoje não vou poder ficar aqui com você. Já marquei a cirurgia para você. A gente faz isso depois do casamento, daqui a dois dias.

Luiza nem levantou a cabeça.

Dez minutos depois, Tatiana postou uma foto, Davi ao lado dela, assistindo aos fogos de artifício.

A mão de Luiza tremeu levemente.

Ela abriu o perfil de Tatiana, e bloqueou.

No dia seguinte, ao sair do hospital, a chuva que caía há dias finalmente cessou.

O sol iluminava o chão.

Ao chegar em frente ao prédio, ela quebrou o chip do celular e jogou no lixo.

Assim, sob a luz do sol, sozinha...

Luiza caminhou em direção a uma nova vida, uma vida sem Davi.
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