Capítulo 3
— Sr. Enrico, eu quero cancelar o noivado com o Davi. — Luiza estava de pé na sala, com a voz firme.

Enrico Albuquerque, pai de Davi, ficou surpreso ao ouvir aquilo.

— Por que tão de repente? O casamento já não está prestes a acontecer?

Ela abaixou o olhar, escondendo a amargura:

— Eu e o Davi não nos amamos de verdade. Não faz sentido continuar e atrapalhar a vida um do outro. Além disso, minha mãe está prestes a ser libertada... Quero levar ela embora e ficar ao lado dela.

Diante da determinação dela, Enrico não teve escolha a não ser concordar.

— Tudo bem. Vou providenciar as passagens. Daqui a quinze dias, quando a Fernanda sair, vocês podem ir embora...

Nesse momento, a voz de Davi surgiu atrás deles:

— Quem vai embora?

Luiza enrijeceu por um instante. Antes que Enrico pudesse responder, ela se adiantou:

— Ninguém. Por que você voltou?

Davi não insistiu:

— Fiquei sabendo que você veio. Voltei para te buscar.

Depois, Enrico pediu que os dois ficassem para jantar antes de sair.

À mesa, Davi, como de costume, servia comida para ela.

Nessas pequenas coisas, ele sempre fazia tudo certo, ia buscar ela, servia...

Foi justamente por isso que Luiza sempre acreditou que ele realmente gostava dela.

No meio da refeição, Davi mencionou o casamento:

— Pai, o casamento continua marcado para daqui a quinze dias. Avise os convidados.

Enrico se surpreendeu e olhou para os dois:

— A Luiza não te contou que quer cancelar o noivado?

A resposta de Davi foi interrompida pelo toque do celular. Ele atendeu.

Sentada ao lado, Luiza ouviu toda a conversa.

— Davi, a Tatiana está com febre e não quer ir embora. Vem aqui convencer ela, por favor!

Ele apertou o celular, com a voz apressada:

— Fica com ela. Estou indo agora.

Depois de desligar, perguntou a Enrico:

— O que o senhor disse?

Mas logo completou:

— Deixa pra depois. Tenho uma coisa urgente. Estou indo.

Sem a elegância de sempre, levantou de repente, arrastou a cadeira e saiu a passos largos.

Luiza observou as costas dele se afastando. Sentiu o coração ser apertado por uma mão invisível, uma dor sufocante.

Depois de sair da Mansão dos Albuquerque, foi direto para a prisão.

Segurando o telefone de visita, olhou para Fernanda, do outro lado do vidro, com o rosto marcado pelo cansaço.

Segurou as lágrimas com esforço.

Fernanda a observava emocionada, segurando o telefone com as duas mãos.

— Luiza, todos esses anos, a família Albuquerque e o Davi trataram você bem?

Luiza puxou discretamente a manga da roupa, cobrindo os ferimentos, e sorriu.

— Muito bem. Não precisa se preocupar.

Fernanda relaxou:

— O casamento de vocês já está perto, não é? Que pena que não vou poder participar...

— Nós não vamos mais nos casar. Ele não gosta de mim. — Luiza tentou manter o tom leve. — Mãe, quando você sair, vamos embora daqui, tá? Eu fico ao seu lado. Só nós duas.

Os olhos de Fernanda se encheram de lágrimas:

— Tudo bem, vamos fazer do seu jeito.

Ao voltar para casa, Luiza encontrou tudo vazio.

Já fazia um mês e meio desde a última vez que estivera ali.

O ambiente era o mesmo, mas tudo parecia diferente.

Ela subiu e organizou seus pertences.

Tudo o que Davi havia dado, deixou para trás.

Afinal, nada daquilo realmente era dela, e ela não tinha o direito de levar.

Naquela noite, Davi não voltou. Só apareceu na tarde do dia seguinte.

Trouxe consigo um estilista e um maquiador.

— Daqui a pouco tem um evento médico. Vou te levar para conhecer algumas pessoas.

Davi nunca evitava apresentar ela em público como sua futura esposa.

Para ele, ela era uma responsabilidade, apenas isso.

Quando ficou pronta, Luiza foi até o carro e tentou abrir a porta do banco do passageiro. Mas não conseguiu.

Do banco do motorista, Davi explicou:

— Vamos passar para buscar a Tatiana. Ela enjoa no carro. Você vai atrás.

A mão de Luiza apertou a maçaneta.

Será que ele tinha esquecido que ela também enjoava?

Um sorriso amargo surgiu em seus lábios. Sem dizer nada, foi para o banco de trás.

Depois de buscar Tatiana, assim que entrou no carro, ela disse:

— Obrigada por ter ficado comigo a noite inteira ontem. Senão, eu não teria melhorado tão rápido.

Davi sorriu com carinho e bagunçou levemente o cabelo dela.

— O importante é você estar bem. Você é tão frágil, precisa se cuidar mais.

A cena feriu profundamente os olhos de Luiza.

Foi então que Tatiana pareceu notar sua presença.

— Ah, Luiza também está aqui? Então eu não posso ficar na frente, vou para trás.

Davi já ligava o carro:

— Não precisa. Pode ficar aí.

Luiza sempre teve enjoo forte.

No meio do caminho, já sentia o gosto ácido subir pela garganta.

Por sorte, chegaram antes que ela passasse mal de vez.

Ela entrou no evento de braços dados com Davi, enquanto Tatiana seguia logo ao lado dele.

Durante toda a noite, Davi de fato apresentou ela a muitas pessoas, mas de forma superficial.

Logo voltava a atenção para Tatiana, apresentando ela com cuidado.

Luiza acabou se tornando apenas um pano de fundo.

O mal-estar do enjoo ainda persistia. Ela não aguentava mais ficar ali.

Avisou Davi e foi ao banheiro.

Ficou lá por meia hora.

Respirou fundo e voltou para o salão.

Mas, ao chegar perto da entrada, viu Davi carregando Tatiana nos braços, subindo as escadas.

O rosto dela estava corado, a respiração acelerada.

A voz de Davi saiu rouca, como se estivesse se contendo ao máximo:

— Tatiana, aguenta só mais um pouco. Já estamos chegando.

O coração de Luiza estremeceu.

Ela os seguiu, subindo atrás deles até a área dos quartos.

E então viu... os dois entrando em um dos quartos.
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