Capítulo 4
A mente de Luiza entrou em colapso.

Seus pensamentos simplesmente pararam naquele instante.

Ela sabia o que significava entrar naquele quarto, mas se recusava a encarar a verdade.

Ainda havia um fio de esperança em seu coração.

Talvez Davi só estivesse levando Tatiana até o quarto, só isso.

Ela caminhou até a porta.

Do outro lado, dentro do quarto, vinham sons abafados, respirações ofegantes, misturados ao ruído indistinto de água.

Toda a esperança desapareceu naquele instante.

Ela não bateu na porta.

Já estava humilhada o suficiente, não queria se expor a algo ainda pior.

Cobriu a boca, tentando conter o soluço que quase escapava, e saiu do hotel cambaleando, como se estivesse fugindo.

Naquela noite, ficou sentada no sofá, olhando pela janela, sem se mover, até o amanhecer.

Sua mente não parava de imaginar tudo o que poderia estar acontecendo naquele quarto.

A dor era tão intensa que mal podia ser descrita.

Davi só voltou para casa no dia seguinte.

A roupa dele estava completamente amassada, com manchas indefinidas.

O corpo inteiro ainda carregava o perfume de Tatiana.

Os olhos de Luiza estavam vermelhos de tanto ficar acordada. Ela olhou para ele e perguntou:

— Você dormiu com a Tatiana?

O movimento de Davi ao afrouxar a gravata parou por um instante. Só então ele respondeu:

— Me desculpa. Eu sei que isso foi errado... mas ontem ela ingeriu algo que não devia. O efeito foi muito forte, só eu podia ajudar...

Luiza se levantou e caminhou até ele. Sua voz tremia, já fora de controle:

— Mas vocês transaram. Você ainda lembra que eu sou sua noiva?

Davi não tinha dormido a noite inteira.

A cabeça doía, e sua paciência estava no limite.

— Eu só ajudei. E foi só dessa vez. Para de imaginar coisa. Eu vou me casar com você. O casamento já está marcado. Para de fazer drama.

Em seguida, ele virou e saiu de casa, como se não quisesse lidar com o drama sem sentido dela.

Quando a porta bateu com força, Luiza perdeu as forças e caiu no chão.

As lágrimas escorriam sem controle, mas ela sorria.

Achava a si mesma ridícula.

Sabia muito bem que, para Davi, ela era apenas uma responsabilidade, e ainda assim continuava esperando alguma coisa.

Não sabia quanto tempo ficou ali sentada.

Quando finalmente se levantou, parecia um corpo sem alma.

Deitou na cama e acabou adormecendo.

Foi acordada de forma brusca.

Davi puxou ela com força, arrastando-a até o carro.

Por mais que tentasse resistir, não conseguia se soltar.

— Davi, o que você está fazendo?!

O carro avançava em alta velocidade. A voz dele estava sombria:

— Eu te avisei para não fazer drama. Por que você tirou aquelas fotos e ameaçou a Tatiana?!

Luiza ficou completamente confusa:

— Eu não fiz nada disso.

— Se não foi você, quem foi? Hoje à tarde, a Tatiana escreveu a carta de demissão e subiu para o terraço. Se acontecer alguma coisa com ela, eu não vou te perdoar.

O tom dele estava carregado de ódio, como se realmente a detestasse.

Logo chegaram ao hospital.

Ele puxou ela de novo e levou até o terraço.

Tatiana estava sentada na beirada.

Todos os curiosos tinham sido impedidos de subir. No terraço, estavam apenas os três.

Davi olhava para Tatiana, tenso, com a voz suave:

— Eu trouxe a Luiza. Ela prometeu que não vai divulgar as fotos. Vem pra cá, é perigoso aí.

Ele sequer deu a Luiza a chance de se explicar. Já tinha decidido que a culpa era dela.

O coração dela parecia ser perfurado por inúmeras agulhas. Com frieza, disse:

— Eu já falei que não fui eu.

Tatiana se levantou. Havia dor calculada em seus olhos.

— Davi, se essas fotos vazarem, minha vida acaba. Como eu posso continuar vivendo assim?

Davi entrou em pânico. Puxou Luiza para mais perto, a voz trêmula:

— Não faz nenhuma besteira. Eu não vou deixar essas fotos vazarem...

Enquanto tentava acalmar ela, foi chegando cada vez mais perto, até ficarem a apenas dois passos de distância.

No momento em que Tatiana relaxou, ele soltou Luiza e puxou Tatiana para dentro, caindo com ela no chão do terraço.

Luiza foi atingida de lado. Sem conseguir se equilibrar, caiu diretamente do quarto andar.

Tudo pareceu desacelerar.

A imagem de Davi, segurando Tatiana desesperadamente nos braços, ficou gravada em seus olhos, como uma lâmina atravessando seu coração.

A sensação de queda tomou conta de seu corpo.

Ela olhou para o céu azul intenso, e fechou os olhos em desespero.

A dor foi ainda mais intensa do que ela imaginava.

Antes que qualquer lágrima caísse, ela perdeu a consciência.
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