A mente de Luiza entrou em colapso.
Seus pensamentos simplesmente pararam naquele instante.
Ela sabia o que significava entrar naquele quarto, mas se recusava a encarar a verdade.
Ainda havia um fio de esperança em seu coração.
Talvez Davi só estivesse levando Tatiana até o quarto, só isso.
Ela caminhou até a porta.
Do outro lado, dentro do quarto, vinham sons abafados, respirações ofegantes, misturados ao ruído indistinto de água.
Toda a esperança desapareceu naquele instante.
Ela não bateu na porta.
Já estava humilhada o suficiente, não queria se expor a algo ainda pior.
Cobriu a boca, tentando conter o soluço que quase escapava, e saiu do hotel cambaleando, como se estivesse fugindo.
Naquela noite, ficou sentada no sofá, olhando pela janela, sem se mover, até o amanhecer.
Sua mente não parava de imaginar tudo o que poderia estar acontecendo naquele quarto.
A dor era tão intensa que mal podia ser descrita.
Davi só voltou para casa no dia seguinte.
A roupa dele estava completamente amassada, com manchas indefinidas.
O corpo inteiro ainda carregava o perfume de Tatiana.
Os olhos de Luiza estavam vermelhos de tanto ficar acordada. Ela olhou para ele e perguntou:
— Você dormiu com a Tatiana?
O movimento de Davi ao afrouxar a gravata parou por um instante. Só então ele respondeu:
— Me desculpa. Eu sei que isso foi errado... mas ontem ela ingeriu algo que não devia. O efeito foi muito forte, só eu podia ajudar...
Luiza se levantou e caminhou até ele. Sua voz tremia, já fora de controle:
— Mas vocês transaram. Você ainda lembra que eu sou sua noiva?
Davi não tinha dormido a noite inteira.
A cabeça doía, e sua paciência estava no limite.
— Eu só ajudei. E foi só dessa vez. Para de imaginar coisa. Eu vou me casar com você. O casamento já está marcado. Para de fazer drama.
Em seguida, ele virou e saiu de casa, como se não quisesse lidar com o drama sem sentido dela.
Quando a porta bateu com força, Luiza perdeu as forças e caiu no chão.
As lágrimas escorriam sem controle, mas ela sorria.
Achava a si mesma ridícula.
Sabia muito bem que, para Davi, ela era apenas uma responsabilidade, e ainda assim continuava esperando alguma coisa.
Não sabia quanto tempo ficou ali sentada.
Quando finalmente se levantou, parecia um corpo sem alma.
Deitou na cama e acabou adormecendo.
Foi acordada de forma brusca.
Davi puxou ela com força, arrastando-a até o carro.
Por mais que tentasse resistir, não conseguia se soltar.
— Davi, o que você está fazendo?!
O carro avançava em alta velocidade. A voz dele estava sombria:
— Eu te avisei para não fazer drama. Por que você tirou aquelas fotos e ameaçou a Tatiana?!
Luiza ficou completamente confusa:
— Eu não fiz nada disso.
— Se não foi você, quem foi? Hoje à tarde, a Tatiana escreveu a carta de demissão e subiu para o terraço. Se acontecer alguma coisa com ela, eu não vou te perdoar.
O tom dele estava carregado de ódio, como se realmente a detestasse.
Logo chegaram ao hospital.
Ele puxou ela de novo e levou até o terraço.
Tatiana estava sentada na beirada.
Todos os curiosos tinham sido impedidos de subir. No terraço, estavam apenas os três.
Davi olhava para Tatiana, tenso, com a voz suave:
— Eu trouxe a Luiza. Ela prometeu que não vai divulgar as fotos. Vem pra cá, é perigoso aí.
Ele sequer deu a Luiza a chance de se explicar. Já tinha decidido que a culpa era dela.
O coração dela parecia ser perfurado por inúmeras agulhas. Com frieza, disse:
— Eu já falei que não fui eu.
Tatiana se levantou. Havia dor calculada em seus olhos.
— Davi, se essas fotos vazarem, minha vida acaba. Como eu posso continuar vivendo assim?
Davi entrou em pânico. Puxou Luiza para mais perto, a voz trêmula:
— Não faz nenhuma besteira. Eu não vou deixar essas fotos vazarem...
Enquanto tentava acalmar ela, foi chegando cada vez mais perto, até ficarem a apenas dois passos de distância.
No momento em que Tatiana relaxou, ele soltou Luiza e puxou Tatiana para dentro, caindo com ela no chão do terraço.
Luiza foi atingida de lado. Sem conseguir se equilibrar, caiu diretamente do quarto andar.
Tudo pareceu desacelerar.
A imagem de Davi, segurando Tatiana desesperadamente nos braços, ficou gravada em seus olhos, como uma lâmina atravessando seu coração.
A sensação de queda tomou conta de seu corpo.
Ela olhou para o céu azul intenso, e fechou os olhos em desespero.
A dor foi ainda mais intensa do que ela imaginava.
Antes que qualquer lágrima caísse, ela perdeu a consciência.