A colher tilintava na xícara com um som quase ritmado, como se marcasse o tempo que o constrangimento levou para me atingir por completo. Quando ela voltou a olhar pra mim, o rosto trazia um sorriso mais sereno, quase cúmplice.
— Ele é intenso, não é?
Fiquei imóvel. Por fora, tentei manter a expressão neutra, mas por dentro… o comentário dela acertou em cheio algo que eu vinha tentando enterrar desde que acordei. Não era raiva, nem vergonha. Era pior. Era a sensação de ter sido vista demais.