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CAPÍTULO 3 — O Tipo de Noite Que Vira Página

O salão parecia ter vida própria. Luzes coloridas cortavam o ar quente, e o grave da música vibrava no peito como se me chamasse pelo nome. Cada batida ecoava nos ossos, pulsando no coração, acelerando meu próprio ritmo. Assim que passei pela porta com Júlia e Clara ao meu lado, dois gritos coordenados me atingiram:

— ATÉ QUE ENFIM!

Bianca e Ruby estavam perto do balcão, copos nas mãos, sorrisos enormes como se dominassem a noite inteira. O cheiro de álcool misturado a perfume flutuava no ar, quente e intoxicante.

Júlia abriu os braços, puxando meu ombro, voz alta o suficiente para metade da pista ouvir:

— Meninas, hoje Estela ficou trancada no dormitório… e entrou oficialmente em campo a Luna!

Meus olhos se arregalaram.

Clara apertou minha mão, rindo.

Bianca e Ruby piscavam, cheias de malícia e expectativa.

— Luna? — Bianca sorriu. — Gostei. Combina com esse jeitinho aí.

— É, mais misteriosa — Ruby completou. — Chegou chegando.

Antes que eu pudesse responder, Ruby colocou uma dose na minha mão. Transparente. Forte. O aroma me fez franzir o nariz, misturando medo e curiosidade.

— Isso é pra sua versão nova entrar no clima — disse, com aquele sorriso cúmplice.

Segurei o copo, sentindo o vidro frio contra meus dedos. O coração batia acelerado, o ar parecia mais denso. Respirei fundo, consciente de cada sensação: o cheiro do álcool, o perfume das amigas, a música batendo no peito.

— O que é isso? — perguntei, meio desconfiada.

— Felicidade engarrafada — disse Ruby, piscando. — Vai, Luna… você tá de férias.

Bianca levantou outro copo, improvisando um brinde.

— À liberdade temporária da senhorita primeira da turma!

— Ei! — reclamei, rindo nervosa, sentindo minhas bochechas queimarem. — Vocês são terríveis.

Mas aquelas caras de “agora” me empurraram para frente. Então, virei o copo.

O líquido queimou a garganta, subiu como fogo até a cabeça, mas trouxe leveza. Tudo ficou mais bonito: o som da música, as luzes, a sensação do corpo se soltando. Minhas preocupações? Evaporaram.

— Ah, eu tô viva, cacete! — gargalhei, sentindo cada batida da música nos ossos e o calor do salão envolvendo meu corpo.

— ISSO! — Ruby vibrou, puxando-me para a pista.

A pista estava lotada, quente, cheia de corpos se movendo juntos, livres. Júlia me segurava pela mão, Clara jogava o cabelo para trás, Bianca e Ruby cantavam o refrão com alegria contagiante.

E eu?

Eu deixei meu corpo ir. Cada movimento era só meu, sem medir, sem pesar, sem pensar.

Eu era Estela apenas no RG. Ali, eu era Luna.

Senti cada toque: a batida da música nos pés, o vestido deslizando na pele, o calor de corpos ao redor, o perfume, o suor leve, a adrenalina correndo. Cada respiração era plena, intensa. Luna existia em cada fibra do meu ser, e cada movimento me lembrava que podia ser leve, selvagem, real.

Depois de alguns minutos, minha boca secou. Fui ao balcão pegar água. O ar ali era mais fresco, abafando a música só o suficiente pra eu sentir meu peito expandir. O coração ainda batia rápido, mas a sensação era boa. Respirar parecia um privilégio que nunca me permiti.

Então—PÁ. Esbarrei em alguém. Forte o suficiente para me desequilibrar.

Duas mãos firmes seguraram minha cintura, e senti calor e firmeza ao mesmo tempo. O choque inicial se misturou à estranha familiaridade do toque.

— Foi mal… — disse a voz, grave, baixa, deliciosa. — Ou talvez nem tanto.

Levantei o rosto. Ele era absurdo de bonito. Cabelo escuro bagunçado do jeito certo, mandíbula marcada, olhos que pareciam sorrir antes da boca. Meu coração acelerou, e senti o rosto queimar.

— Desculpa — murmurei, palavras escorregando da garganta sem controle.

Ele inclinou a cabeça, sem tirar as mãos da minha cintura.

— Tô decidindo se esbarrei em você sem querer… ou se só aproveitei a oportunidade — disse, sorriso de canto.

O calor do corpo dele contra o meu fez meu corpo reagir involuntariamente. Senti cada batida da música, cada cheiro, cada toque do tecido do meu vestido contra a pele, cada nervosismo transformando-se em excitação e curiosidade.

— Ah… — foi tudo que consegui.

Ele riu, e a risada dele era quente, confortável, perigosa. Um arrepio percorreu minha espinha.

— Sou Pedro Felipe — disse.

O nome soou na minha cabeça como música. Ele esperou, paciente, os olhos fixos nos meus, transmitindo calma e intensidade ao mesmo tempo.

— Luna — respondi, sem pensar, sem analisar. Apenas sentindo.

Os olhos dele brilharam.

— Luna… bonito. Combina com você.

A música mudou, ficando mais lenta, mais envolvente, mais… intensa. Ele se aproximou só o suficiente para eu sentir o calor do corpo, o perfume suave dele, a proximidade sem invadir, a segurança no toque.

— Então… — a voz dele roçou minha pele — dançamos?

E eu apenas deixei acontecer.

Não calculei. Não pesei. Não travei.

Porque eu era Luna.

Luna sentia. Luna explorava. Luna se permitia.

Cada passo, cada giro, cada respiração era descoberta. Cada toque dele era um convite à liberdade que eu nunca conheci.

E naquela noite, pela primeira vez, me senti inteira, leve, vibrante, viva.

Eu deixei Luna nascer completamente.

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