Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia do seu quarto aniversário de casamento, Fiorella Malta recebeu um ultimato de divórcio. O motivo? O "primeiro amor" de seu marido Jackie Potter retornou ao país, trazendo uma filha e o desejo de retomar o lugar que um dia foi seu. Sem dramas, Fiorella aceitou. Mas o destino foi cruel: antes da assinatura final, seu filho Ben foi diagnosticado com uma doença grave. O homem que antes brigava pela guarda do menino, ao descobrir a enfermidade, não pensou duas vezes antes de abandoná-los à própria sorte. Enquanto Fiorella luta para reconstruir sua carreira e salvar a vida do filho, o imponente Jean Carlo Vans surge em seu caminho com uma revelação chocante: > Fiorella, seu filho carrega o sangue da família Vans. Permita que ele conheça minha família e eu lhe darei o mundo." O que Fiorella pensava ser fruto de uma doação anônima era, na verdade, a linhagem da família mais poderosa do país. Enquanto seu ex-marido vê seu império ruir e rasteja de volta implorando perdão, Jean Carlo Vans faz uma proposta irrecusável diante de todos: "Case-se comigo. Dê-me mais um herdeiro e metade da fortuna Vans será sua."
Ler mais"Fiorella, vamos nos divorciar."
No jantar à luz de velas que celebrava o quarto aniversário de casamento deles, Jackie Potter chegou atrasado. Sentou-se à mesa e, sem qualquer preâmbulo, soltou a bomba.
Fiorella Malta congelou, a taça de vinho parando a centímetros de seus lábios. Ela olhou para ele, incrédula.
"Por quê?"
Jackie desviou o olhar por um breve segundo antes de responder:
"A Gabriela voltou. Ela precisa de mim."
"Gabriela Bronjin?" Fiorella franziu o cenho, o peito subitamente apertado. "Ela não se casou anos atrás? Tem dois filhos, como ela poderia..."
O primeiro amor de Jackie. A mulher que havia rompido o relacionamento de forma abrupta cinco anos antes para se casar às pressas com um empresário rico e se mudar para a Austrália. Aquela era uma ferida antiga que Fiorella achava que o tempo tinha curado.
Mas por que ela havia voltado repentinamente ao Brasil? E por que o primeiro telefonema dela tinha sido para o marido de outra pessoa?
"O ex-marido da Gabriela era abusivo e viciado", Jackie explicou, a voz assumindo um tom defensivo. "Eles se divorciaram há seis meses. O filho ficou com o pai, e ela trouxe a filha consigo. Elas voltaram completamente sozinhas, desamparadas..."
"Seis meses atrás?" A voz de Fiorella falhou, mas a ficha caiu rapidamente. "Então vocês estão se comunicando em segredo há pelo menos seis meses?"
"Não! A gente só manteve contato", Jackie apressou-se em dizer, as bochechas corando de vergonha. "Eu não te traí, você sabe... Não houve nada físico entre nós."
Claro que não houve, Fiorella pensou, um amargor subindo por sua garganta.
A maior vergonha da vida de Jackie era justamente o fato de ele não poder ser um homem de verdade.
Sua melhor amiga, Maira, a aconselhava a pedir o divórcio havia anos. Logo após o casamento, Fiorella descobriu que o marido sofria de disfunção erétil severa e azoospermia — ele era completamente infértil.
Na época, a mãe de Jackie estava no leito de morte, implorando por um neto. Para cumprir o último desejo da mãe, ele chorou de joelhos, implorando para que Fiorella aceitasse uma fertilização in vitro utilizando o esperma de um doador anônimo. Ela aceitou. Suportou as agulhadas, os hormônios e o desgaste emocional por ele.
O pequeno Ben já estava com quase três anos, e a dedicação de Jackie como pai e companheiro era a única coisa que mantinha Fiorella naquele casamento sem toque. Até agora.
Fiorella soltou uma risada irônica, os olhos brilhando com lágrimas contidas.
"E envolvimento emocional com a ex não conta como traição, Jackie?"
Jackie não respondeu. Em vez disso, adotou uma postura fria de negócios:
"Você pode pedir o divórcio. Pode ficar com a casa, o carro, o dinheiro... até com as ações da empresa, se quiser."
"Não há espaço para negociação?" perguntou ela, surpresa com a própria calmaria.
Jackie a observou, tentando decifrar se ela cederia. Então, disparou com crueldade:
"Se você não se importar que eu traga a Gabriela e a filha dela para morarem conosco nesta casa, então podemos continuar casados..."
Clang!
Antes que ele terminasse a frase, Fiorella levantou-se de um salto. Num movimento fluido de pura fúria, pegou a taça de vinho tinto e jogou o líquido diretamente no rosto de Jackie.
O vinho escorreu pelo terno caro dele, manchando sua dignidade.
"Vamos nos divorciar", sentenciou Fiorella, a voz cortante como vidro. "Divisão igualitária dos bens — e eu fico com a guarda do Ben."
Jackie limpou o rosto com o guardanapo, os olhos faiscando de humilhação. Mas ao ouvir o nome do filho, ele ergueu o queixo:
"Não tenho objeção quanto aos bens. Mas o Ben fica comigo."
"Jackie Potter, você perdeu o juízo?!" O corpo de Fiorella tremeu de raiva. "O Ben é o filho pelo qual eu arrisquei a minha vida para dar à luz!"
"Eu consultei um advogado, Fiorella", Jackie rebateu com uma frieza calculada. "Você é dona de casa em tempo integral, não tem renda própria e nem condições de criar uma criança sozinha. Além disso, o Ben foi concebido por doação. Como sou incapaz de ter filhos biológicos, o tribunal tenderia a me conceder a guarda para preservar o único vínculo paterno que posso ter."
Um arrepio gelado percorreu a espinha de Fiorella. Ele planejou tudo. Pelas suas costas, ele já estava preparando o bote.
"Você realmente não tem limites", ela sibilou. "Com a sua condição... o que exatamente a Gabriela enxerga em você?"
As palavras ecoaram pelo restaurante aristocrático, atraindo os olhares sussurrantes das mesas vizinhas.
"Acho que ela só está te usando como um caixa eletrônico ambulante para sustentar a filha dela", continuou Fiorella, implacável.
"A Gabriela não sabe de nada da minha condição!", Jackie explodiu, a compostura finalmente quebrando.
"Ah, que perfeito!" O sorriso de Fiorella se alargou, carregado de deboche. "Então, além de me enganar por anos, você está enganando ela também. De repente, me sinto muito melhor."
"Fiorella, chega! Fomos marido e mulher, eu nunca te maltratei. Podemos nos separar como adultos. Qual o sentido desse show?"
"O sentido", ela se inclinou sobre a mesa, os olhos fixos nos dele, "é que o Ben não tem absolutamente nada do seu sangue. Se você quer tanto um filho, peça para a Gabriela gerar um seu. Ah, espere... você não pode. Você está delirando se acha que vai tirar o meu filho de mim."
"Se você continuar me ameaçando, entrarei com o processo litigioso amanhã mesmo!", Jackie ameaçou, apontando o dedo.
"Pois entr—"
O corte foi abrupto quando o celular de Fiorella começou a vibrar loucamente dentro da bolsa. Ela atendeu ao ver o nome no visor.
"Alô, Sra. Rosa?"
"Sra. Fiorella! Graças a Deus!" A voz da babá estava em puro pânico. "O Ben teve um sangramento nasal terrível e não para por nada! O motorista já está levando a gente para o hospital. Por favor, venha correndo com o Senhor Jackie!"
O chão sumiu sob os pés de Fiorella. O pânico sufocou a raiva instantaneamente.
"Estou indo agora! Mantenha-me informada!"
Ao ver a mudança drástica na expressão da esposa, Jackie levantou-se e segurou o braço dela.
"O que aconteceu com o Ben? O que ele tem?"
Fiorella, com as lágrimas finalmente transbordando, puxou o braço com força. Ela ergueu a bolsa e a arremessou com toda a força contra o peito dele.
"Vai ficar com a sua Gabriela! Do meu filho cuido eu!"
Ela girou nos calcanhares e correu em direção à saída, deixando Jackie estático no meio do restaurante, resmungando: "Louca... completamente louca."
Ao chegar ao hospital de prontidão, Fiorella correu pelos corredores até encontrar a babá. Entrando na sala de emergência, seu coração despedaçou-se.
Ben, prestes a completar três anos, estava sentadinho na maca. A parte da frente de sua camiseta branca estava manchada de um vermelho vivo e assustador.
"Mamãe..." Ao vê-la, o menininho estendeu os braços curtos, os olhinhos marejados.
Fiorella voou até ele, aninhando-o contra o peito com força, beijando seus cabelos escuros. "Meu amor, a mamãe está aqui. Me desculpa por ter deixado você..."
Ben a olhou com seus grandes e brilhantes olhos escuros. Com uma seriedade madura demais para a idade, falou baixinho:
"A mamãe fica comigo todo dia. Você também precisa passear com o papai, senão o papai fica com ciúmes."
Aquelas palavras inocentes foram como facadas no peito de Fiorella. O homem que o filho tanto amava e protegia estava, naquele exato momento, destruindo a vida deles por causa de outra mulher.
Ela olhou para o rosto de Ben. O menino era lindo. Embora os traços ainda estivessem se desenvolvendo, já exibia olhos profundos, um nariz aristocrático e cabelos grossos. Fiorella sempre pensava que, se Jackie pudesse ter filhos, eles jamais seriam tão belos quanto o rapazinho em seus braços. Ela tinha tido sorte com aquele doador anônimo.
Após os procedimentos de emergência, Ben foi transferido para um quarto de observação e acabou pegando no sono. Foi quando o celular de Fiorella tocou novamente.
Era Jackie. Pela décima vez.
Exausta, ela saiu discretamente para o corredor e atendeu.
"O que você quer?"
"Como está o Ben? É febre? Resfriado?" A voz dele parecia genuinamente preocupada, mas algo ao fundo chamou a atenção de Fiorella.
Uma voz infantil e fina ecoou pela linha: "Titio Jackie, olha o meu desenho!"
O estômago de Fiorella revirou. Uma onda de repulsa a atingiu.
"Você está com a Gabriela agora, não está?"
Jackie hesitou, a respiração pesada. "A Gabriela não está bem... e a filha dela não tinha com quem ficar. Eu vou ao hospital assim que resolver as coisas por aqui..."
Clique.
Fiorella desligou na cara dele.
A dor física da traição e do desrespeito quase a fez perder o equilíbrio no corredor do hospital. Não havia mais volta. O divórcio aconteceria, e se Jackie tentasse lutar pela guarda, ela arrastaria o nome dele e o seu segredo médico pela lama da mídia sem hesitar.
Na manhã seguinte, Jackie não havia aparecido. Fiorella mal conseguiu pregar os olhos, velando o sono do filho. Cedo, o médico responsável pelo plantão a chamou até o consultório para discutir os resultados dos exames de sangue colhidos na madrugada.
O médico tinha uma expressão sombria no rosto.
"Sra. Malta, por favor, sente-se."
Fiorella sentou-se na ponta da cadeira, as mãos trêmulas entrelaçadas. "O que meu filho tem, doutor? É alguma infecção?"
O médico suspirou, organizando os papéis na mesa.
"Os exames laboratoriais do Ben mostraram um aumento extremamente significativo e alarmante no número de glóbulos brancos. Ao analisarmos o sangue ao microscópio, detectamos uma quantidade massiva de células imaturas, os chamados blastos."
Fiorella sentiu o ar sumir dos pulmões. Ela não era médica, mas os termos técnicos soavam como uma sentença de morte.
"O que... o que isso significa?"
O médico olhou diretamente em seus olhos, a voz carregada de solenidade:
"Minha suspeita clínica inicial é de Leucemia. Para confirmarmos o diagnóstico e iniciarmos o protocolo, o Ben precisa ser transferido imediatamente para realizar uma biópsia da medula óssea."
Toda a carga de dor e incerteza que o destino havia imposto sobre eles pareceu desaparecer de repente, como se uma nuvem escura se abrisse para deixar brilhar o sol. Jean Carlo entendeu perfeitamente aquela sensação. Sentou-se ao lado da cama, abraçou Fiorella com carinho e acalmou-a com voz suave, embora seus próprios olhos também estivessem úmidos. — Não chore mais, meu amor. A partir de agora, somos uma família de cinco pessoas, unida e em paz. Nenhuma desgraça jamais voltará a nos alcançar. — Sim — respondeu ela, apoiando a cabeça em seu peito, ainda com a voz trêmula. — Obrigada, meu marido. Você me deu uma família completa e um amor que eu achava que nunca existiria. Ele sorriu, olhando-a com uma ternura que parecia não ter fim: — Que bobagem! Quem sofreu foi você, suportando tudo para trazer nossos filhos ao mundo. Foi você quem me deu um lar feliz. Então, quem deve agradecer a quem? Era a mais pura verdade, mas Fiorella sentia que a gratidão brotava naturalmente do
A mulher gorda ficou com o rosto ainda mais endurecido, os olhos arregalados de raiva. Apontou o dedo com força e gritou: — Anastácia, você está nos enganando! A expressão de Anastácia permaneceu calma e indiferente, sem qualquer traço de emoção na voz: — Não há engano algum. Se pudesse ajudar, ajudaria, mas não tenho mais condições. — Não tem condições? — zombou a mulher. — Todos sabem que sua filha casou com uma família rica! Esse advogado aí na sua frente tem dinheiro de sobra! Mesmo que desse apenas uma parte, seria o suficiente para nossas famílias viverem bem por anos. Você simplesmente não quer ajudar! Ela continuou a gritar, apontando e xingando, até que sua voz chamou a atenção de todos os convidados presentes, que começaram a se aproximar para ver o que acontecia. Ao ver aquela falta de vergonha, Fiorella sentiu o sangue subir à cabeça e não se conteve mais: — Claro que não queremos ajudar! E o que vocês podem fazer quanto a isso? Meus pais sofreram toda uma vid
Marcelo também ouviu o barulho e estava prestes a sair quando Jean Carlo o deteve, dizendo: — Fique aqui e receba os convidados, eu cuido disso. Jean Carlo não conhecia a maioria das pessoas que haviam chegado, então não seria adequado lidar com elas enquanto anfitrião. Marcelo, por outro lado, tinha mais intimidade com a família e poderia receber os presentes e agradecer as homenagens. Além disso, como advogado, Jean Carlo sabia exatamente como agir com quem vinha com más intenções. Marcelo assentiu: — Então tome cuidado. Se precisar de ajuda, me avise imediatamente. — Não se preocupe, sei lidar com esse tipo de gente — respondeu Jean Carlo com firmeza, antes de se dirigir à porta. Na entrada do salão de luto, a confusão vinha exatamente dos parentes de Ramiro e Renan Monezi. — Somos da mesma família! Somos parentes de verdade! Por que não nos deixam entrar? — gritava uma voz aguda. — Que vergonha! O que fizeram para nem sequer terem o direito de comparecer a um velóri
Fiorella olhou para Jean Carlo e perguntou em voz baixa: — Você ainda não organizou o seu trabalho. Pode ficar aqui por três dias? Ou prefere voltar primeiro para Capital e retornar depois? Eu e o Ben ficamos para fazer companhia à minha mãe. Jean Carlo segurou sua mão, e o calor da sua palma acalmou um pouco a mente inquieta de Fiorella. — Fique tranquila. O caso mais importante que tenho em andamento é justamente o que envolve os irmãos Monezi. Posso tratá-lo daqui mesmo, então não preciso voltar agora. Ao ouvir isso, Fiorella sentiu-se imediatamente mais à vontade. No fundo, ela esperava que ele pudesse ficar ao seu lado naquele momento tão difícil. Se ele tivesse compromissos urgentes, ela entenderia e deixaria que ele fosse. Ao longo da vida, ela havia aprendido a ser forte e a enfrentar as dificuldades sozinha. Mas, quando ele podia estar presente, não precisava mais se esforçar para parecer inabalável. Ter alguém em





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