No dia seguinte amanheci com um gosto metálico na boca.
Notícias, opiniões e teorias se espalhavam como óleo em água — às vezes um brilho, às vezes um cheiro de podridão.
Mas ali, no alto da minha cobertura, o mundo era reduzido àquele apartamento e à presença dele: Rafael, de pé junto à janela, com os ombros largos recortados contra a luz cinzenta.
Ele virou quando me viu entrar. O olhar não tinha sono — tinha foco, predador.
— Dormiu? — perguntei, mas minha voz saiu mais fraca do que eu queri