O chamado da última luna

O chamado da última lunaPT

Lobisomem
Última actualización: 2025-08-30
Lua Gabriela  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Durante séculos, os shifters viveram à beira da extinção. Apenas lobos machos restaram após o massacre humano que levou suas mulheres e crianças. Isolados, eles aguardavam o inevitável fim… até que, numa noite marcada pela lua cheia, uma voz feminina ecoa nos sonhos de um dos guerreiros, despertando um fio de esperança esquecido. Cassie sempre acreditou ser apenas uma humana comum. Entre turnos como garçonete e longas horas de estudo, ela lutava por uma vida melhor. Mas tudo muda quando homens misteriosos a cercam e revelam uma verdade impossível: ela é a escolhida da lua, destinada a salvar uma espécie inteira. Agora, dividida entre o medo do desconhecido e a força de um vínculo que a chama para além da razão, Cassie precisará decidir se aceita seu papel como a Última Luna, a única capaz de reacender o futuro dos lobos… ou se fugirá, mesmo sabendo que negar o chamado pode significar o fim de todos.

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Capítulo 1

O último turno no Joe's

O bar estava quase vazio naquela noite. As luzes amareladas pendiam cansadas do teto, iluminando mais poeira do que pessoas. Cassie deslizava o pano úmido sobre uma das mesas como se a superfície de madeira fosse um palco só dela. A cada passo, seus quadris se moviam no ritmo da música que apenas ela ouvia. Cantarolava baixinho, deixando a melodia escapar entre os lábios como um segredo.

Era sempre assim quando a clientela ia embora e restavam apenas mesas sujas, cadeiras arrastadas e o cheiro persistente de cerveja velha impregnado no ar. Naquele silêncio gasto, ela se permitia sonhar.

Fechou os olhos por um instante, girou em torno de si mesma, o pano acompanhando seu gesto como um adereço improvisado. Em sua mente, não havia mais mesas manchadas de gordura nem chão grudando de bebida derramada. Havia refletores, uma orquestra invisível e uma plateia vibrando.

Um pigarreio curto e debochado interrompeu a fantasia.

Cassie abriu os olhos e encontrou Cindy parada na porta do balcão, braços cruzados, um sorriso enviesado no rosto.

— O que está fazendo, Cassie? — perguntou, inclinando a cabeça. — Seu turno acabou faz uma hora.

Cassie parou, sem jeito, ajeitando o pano na mão.

— Estou esperando o Joe. Preciso saber se ele vai me pagar essa semana. O aluguel já passou do prazo.

Cindy suspirou, apoiando-se no balcão. Ainda usava o avental amarrotado, cabelo preso num coque apressado que não resistia à gravidade.

— Nem me fale — disse, cansada. — Preciso comprar tênis novos para o Carl. O menino já furou o dedão no par antigo.

O tom era de exaustão, mas também de ternura. Cassie sabia o quanto Cindy lutava para criar o filho sozinha. Admirava aquela força, mas também temia se ver presa na mesma roda viva, contando moedas para sobreviver.

Como se tivesse ouvido seu nome ser amaldiçoado, Joe surgiu do escritório, a expressão carrancuda cravada no rosto. As chaves tilintavam na mão, denunciando sua pressa de ir embora.

Cassie respirou fundo, reuniu coragem e deu um passo à frente.

— Joe! — chamou, a voz firme, mas suave. — Eu queria saber que dia vai nos pagar a quinzena. Estou com algumas contas atrasadas e preciso quitar minhas aulas.

Ele parou apenas o suficiente para lançar-lhe um olhar impaciente.

— Você mora no fim do mundo, Cassandra. — A voz saiu grossa, envenenada. — Não vai ser uma aulinha de teatro que vai mudar isso.

As palavras atingiram Cassie como um soco no estômago. Por um instante, seus olhos queimaram. Não era só sobre o dinheiro. Era sobre seu sonho, sobre a forma como ele era constantemente ridicularizado.

Ela ergueu o queixo.

— Eu quero as contas. Hoje foi meu último dia.

Joe bufou, já caminhando em direção à porta.

— Não, não foi. — Nem sequer olhou para trás. — Você precisa pagar seu aluguel, Cassandra. Eu pago vocês na próxima semana.

E bateu a porta ao sair, deixando o eco de sua arrogância preso no ar.

Cassie ficou parada, o pano escorrendo pelas mãos. Sentiu a raiva subir como fogo. Aquilo era o limite. Não ia mais se deixar enganar.

Virou-se para o caixa, onde Cindy observava sem saber se intervia ou não. A chama de decisão nos olhos de Cassie a surpreendeu.

Ela abriu a gaveta com firmeza, tirando notas amassadas até formar o valor exato.

— Vamos ver… — murmurou com sarcasmo, contando uma a uma.

Joe poderia chamá-la de sonhadora, mas ladrão ela não deixaria.

Cassie separou algumas notas e estendeu para Cindy.

— Para os tênis do Carl.

Cindy arregalou os olhos.

— Cassie, você enlouqueceu?

Mas havia um sorriso escondido em sua incredulidade.

Cassie sorriu de volta, aquele tipo de sorriso que carrega mais coragem do que segurança. Tirou o avental e o jogou sobre o balcão como quem abandona uma corrente.

Foi até os fundos, pegou a bolsa gasta e a jaqueta de couro que herdara da mãe. Quando voltou, seus olhos brilhavam de uma forma diferente, como se finalmente tivesse entendido o próprio destino.

— O que está fazendo, Cassie? — Cindy perguntou de novo, quase em um sussurro.

Cassie parou no meio do salão, olhou em volta para cada detalhe — as mesas bambas, as garrafas vazias, o cheiro de cigarro impregnado. Era a última vez que veria aquele cenário como parte de sua vida.

Endireitou a postura, e a resposta veio como música:

— Vivendo.

A palavra ecoou pelo bar vazio, soando maior do que parecia.

Ela deu as costas sem hesitar. Empurrou a porta e sentiu o vento frio da noite do Arizona bater contra o rosto. O céu estava pontilhado de estrelas, tão vasto que parecia abrir caminho.

Do outro lado da rua, a placa de néon piscava, oscilando entre “Joe’s” e escuridão. Era um lembrete de tudo o que ela estava deixando para trás — e de tudo o que ainda podia conquistar.

Cassie respirou fundo. Por dentro, sentia uma mistura de medo e euforia, como se estivesse prestes a saltar de um penhasco sem saber se haveria chão. Mas havia também uma certeza: ela não poderia continuar vivendo aprisionada.

Los Angeles a chamava.

Era agora ou nunca.

Cassie caminhou pela calçada estreita com passos firmes, mas por dentro o coração batia em descompasso. O frio da noite a fez encolher os ombros dentro da jaqueta, e a bolsa pendurada no braço parecia mais pesada do que de costume. Não era pelo peso real — carregava apenas carteira, chave e um caderno cheio de letras de músicas e anotações de aulas —, mas pelo que significava. Era tudo o que tinha.

Enquanto atravessava a rua quase deserta, lembrou-se da mãe. A voz dela ainda ecoava em sua memória como uma canção antiga: “Nunca desista do que faz sua alma dançar, Cassie”. A mãe fora garçonete como ela, mas guardava no peito o mesmo amor por música. Partira cedo demais, deixando a filha órfã ainda adolescente, com apenas aquele sonho como herança.

Desde então, Cassie contava moedas. Um turno extra aqui, uma gorjeta ali, tudo para pagar as aulas de teatro e dança na escola comunitária da cidade vizinha. Eram passos pequenos, mas que mantinham acesa a esperança de que um dia poderia se tornar algo maior do que “a garçonete do Joe’s”.

Ela se lembrava da sensação de pisar no palco improvisado daquela escola: a luz simples, o cheiro de madeira e poeira, mas também o arrepio na pele quando os primeiros acordes soavam. Ali, por breves minutos, Cassie deixava de ser uma órfã perdida no interior do Arizona. Transformava-se em uma artista.

E agora, no silêncio da rua, ela sabia que precisava buscar um palco de verdade. Los Angeles era distante, quase inalcançável, mas Cassie não podia mais aceitar viver à margem do próprio sonho.

Com os olhos marejados, ergueu o rosto para o céu estrelado e sussurrou como promessa:

— Eu vou cantar. Eu vou dançar. E vou ser lembrada.

O vento soprou forte naquela hora, frio e repentino, como se a noite tivesse ouvido sua jura. Cassie abraçou a si mesma, sem saber que, muito além das fronteiras do Arizona, existiam ouvidos atentos — e que seu desejo acabara de despertar algo antigo, selvagem e faminto, em uma floresta distante.

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