O último cliente havia deixado o Burlesque Club há pouco tempo. O silêncio do salão parecia pesado, mas acolhedor, uma espécie de respiro após a energia pulsante da noite. Cassie e Peter se apoiavam no balcão, ainda radiantes com o sucesso da apresentação. As cortinas já estavam recolhidas, e o palco, ainda iluminado pelas luzes baixas, parecia brilhar por si só, refletindo o talento da jovem.
— Você arrasou, Cassie — disse Peter, sorrindo de forma quase boba. — Eu sabia que você tinha isso dentro de você, mas… uau. Foi impressionante. Cassie riu, sentindo a tensão do show finalmente se dissolver. — Obrigada, Peter. Mas não teria conseguido sem você me dando pequenas dicas, você percebe cada detalhe. Peter corou, desviando o olhar por um instante. — Bom… é fácil perceber quando alguém realmente merece estar no palco. Você tem… algo diferente. Cassie sentiu um calor subir ao rosto, mas desviou o olhar com modéstia, sorrindo. Cada palavra era como combustível para sua determinação. Ela já não era mais apenas uma garota do interior tentando a sorte; aquela noite havia mudado tudo. Chay se aproximou, cruzando os braços, mas o olhar carregava uma mistura de orgulho e reconhecimento. — Cassie, você surpreendeu a todos. — Sua voz, firme, tinha uma suavidade rara. — Eu sei que sou rígida com você… é porque somos mais parecidas do que acha. Eu estava tentando protegê-la. Você veio do interior, com a mente focada e uma disciplina que poucos conseguem manter. Mas também tem talento… e coragem. Coragem de subir no palco sem ninguém acreditar em você. Cassie sorriu, sentindo o peso das palavras, o reconhecimento que tanto buscava. — Eu só… eu só quero ter uma chance, Chay. Quero mostrar que posso fazer parte do grupo de verdade. A dona do clube assentiu, com um sorriso quase maternal. — Então você vai ter. A partir de agora, Cassie, você está oficialmente no nosso grupo de performance. Os shows terão música ao vivo, cantando de verdade. E você vai brilhar junto com todos nós. As outras dançarinas aplaudiram, algumas rindo e comemorando com abraços e tapinhas nas costas. Cassie se sentiu acolhida, finalmente parte de algo maior do que seus próprios sonhos. A adrenalina da noite ainda corria em suas veias, misturando-se com uma alegria quase impossível de conter. Quando se preparava para sair, todos já tinham ido, Peter se aproximou discretamente. — Ei, Cassie… quer tomar um drink comigo? — O olhar dele a atingiu com intensidade, revelando o interesse que ele nutria desde a primeira vez que a vira no clube. Cassie sorriu, surpresa, sentindo o coração acelerar. — Eu adoraria… — começou, mas não teve tempo de completar a frase. Das sombras, duas figuras emergiram. Silenciosas, rápidas, quase como se fossem parte do próprio ar. Cassie congelou, o instinto gritando que algo estava errado. Tudo parecia desaparecer ao redor dela, os sons abafados, e o coração acelerou. — Peter… — ela começou, um fio de pânico na voz. — Quem… quem são eles? Mason e Yohan avançaram com precisão e determinação. Mason era o primeiro, firme, a expressão carregada de autoridade e perigo. Não havia hesitação em seus movimentos, apenas a brutalidade controlada de quem sabe exatamente o que precisa ser feito. Peter, surpreso e confuso, tentou se posicionar à frente de Cassie, mãos levantadas em gesto de defesa. — Afaste-se dela — Mason ordenou, a voz cortante e sem margem para questionamento. — Ei! Esperem! — gritou, mas a determinação nos olhos de Mason era inabalável. Cassie sentiu um frio percorrer sua espinha. Não conhecia aqueles homens, e a violência implícita em seus gestos a aterrorizava. — Por favor… não machuquem ele! — implorou, sentindo a tensão se acumular em seu peito. Mason avançou com precisão, afastando Peter com um golpe rápido e firme, sem causar ferimentos graves, mas suficiente para que o barman desmaiasse. Cassie arfou, os olhos arregalados, tentando processar o que acabara de acontecer. — O que… o que significa isso? — sua voz tremia, e lágrimas ameaçavam escapar. — Quem são vocês? Yohan manteve-se atrás de Mason, o olhar alternando entre Cassie e o barman. Sua presença era menos ameaçadora, mas a intensidade de seu olhar era avassaladora. Ele falou, quase implorando mentalmente, sem palavras audíveis: Você vai ficar bem. Nós não vamos machucar você. Mas ela não ouvia, não tinha um elo mental com eles e estava apavorada. Mason apenas a segurou com força, mas sem machucá-la. A segurança naquelas mãos era estranha e inquietante ao mesmo tempo, misturando perigo e proteção. Mason respondeu com uma voz rouca e autoritária, sem suavidade: — Você vai conosco. Agora. Cassie tentou se esquivar, lutando contra o abraço seguro, mas a força deles era sobre-humana. Cada músculo em Mason era densamente treinado, e sua resistência humana era insuficiente. O terror misturava-se a uma estranha fascinação; havia algo nos olhos verdes de Yohan, na postura de Mason, que despertava uma reação visceral, mesmo que ela não entendesse. — Eu não vou machucar você — Mason murmurou, ajustando a posição em que a segurava. — Mas precisa vir conosco. — Por favor! Eu não entendo…! — ela gritava, lutando contra o inevitável. — Vocês não podem me levar! — Você não tem escolha — Mason respondeu, cada palavra carregada de decisão e perigo. — Nós somos o que você ainda não entende que precisa. Cassie engoliu em seco, lutando contra o medo e a incredulidade. — Mas… quem são vocês? — perguntou, a voz trêmula. — Por que eu? Yohan permaneceu próximo, vigilante, como se pudesse transmitir segurança apenas com presença. Ele inclinou-se levemente, os olhos verdes como florestas profundas, a presença quase hipnótica. — Não tema — disse mentalmente, transmitindo calor e segurança. — Queremos você viva. Queremos que esteja conosco. Ela sentiu o pânico diminuir ligeiramente, mas não completamente. A mistura de medo, surpresa e fascínio corria por suas veias. Cada instinto gritando para correr, mas ao mesmo tempo, algo profundo dentro dela dizia que não podia resistir totalmente. Cassie não conseguia compreender, apenas sentia que qualquer movimento errado poderia provocar violência. — Eu não quero ir com vocês! — gritou, lutando. — Vocês são loucos! Mason ignorou as palavras, avançando pelo salão vazio com passos firmes, Cassie segura em seus braços. Cada movimento aumentava o desconforto de Cassie, a adrenalina bombeando em seu corpo, misturando medo e excitação. Ela queria correr, fugir, gritar, mas cada tentativa era inútil. — Eu… eu não entendo — disse, tentando manter a voz firme. — Vocês vão me machucar! — Não vamos — respondeu Mason, a voz cortante e sem margem para dúvida. — Mas você precisa de acalmar. Quando chegaram à porta dos fundos, Mason abriu espaço suficiente para que Cassie respirasse. — Uma vez que sairmos daqui, não haverá retorno imediato. Você será nossa, protegida e guiada. A rua estava deserta, apenas o eco distante da cidade noturna preenchia o ar. Ela sentia o coração disparado, a mistura de medo e fascínio queimando em seu peito. Cassie respirou fundo, tentando avaliar a situação. — Por favor, me soltem! — implorou, sentindo lágrimas escorrerem involuntariamente. — Eu não conheço vocês! Mason lançou-lhe um olhar sério, como se cada palavra humana fosse irrelevante diante da necessidade que ele via nela. — Você não pode voltar. Você é nossa. A frase ecoou na mente de Cassie com força brutal. Ela congelou, assustada, tentando processar o que aquilo significava. A sensação era simultaneamente ameaçadora e definitiva. Não havia saída; não havia opção. Ela olhou para Yohan, que a acompanhava ao lado de Mason, o rosto sério, quase caloroso em contraste com a frieza do irmão. O silêncio era pesado, carregado de promessa e perigo. A realidade a atingiu com toda força: aqueles homens estranhos, desconhecidos, não iam soltá-la. Ela estava sendo levada para um lugar completamente novo, e não havia volta. — Vocês… são loucos — conseguiu dizer Cassie, a voz entrecortada pelo medo. Mason apenas respondeu, apertando levemente seu braço para assegurar controle, sem machucá-la. — Você é nossa e está na hora de ir pra casa.