Ecos do destino

Cassie arrastava os pés pelo pequeno calçadão da cidade, o caderno de audições apertado contra o peito. Cada porta que se abria diante dela parecia prometer um futuro brilhante, cada negativa era um golpe sutil, mas persistente, lembrando que o caminho dos sonhos nunca fora fácil. Entrava em estúdios de dança, pequenas casas de teatro e cafés que procuravam cantores. Em todos, era recebida com sorrisos cordiais, elogios gentis, mas sempre a mesma resposta: “Não estamos contratando agora”, ou “Já temos alguém para essa temporada”.

Ela tentava não se abalar, repetindo para si mesma que cada “não” a aproximava de um “sim”. Entretanto, ao final do dia, ao chegar no pequeno hotel onde conseguiu um quarto, sentiu o peso da frustração. O quarto era mínimo, com um cheiro de mofo e cortinas desbotadas, mas era tudo o que seu orçamento permitia. Cassie jogou a bolsa no chão, suspirando, e deixou-se cair na cama com um misto de exaustão e esperança.

Enquanto isso, não muito distante, Mason e Yohan permaneciam ocultos em uma casa abandonada próxima ao hotel. A vigilância não era opcional: o chamado da Dama da Lua não era apenas um guia, era uma missão. Eles precisavam proteger a jovem que, sem saber, representava a salvação da alcateia. Observavam cada movimento dela com atenção obsessiva, analisando cada passo, cada gesto.

— Ela está cansada — disse Yohan, a voz carregada de uma mistura de preocupação e ternura.

— Foco — respondeu Mason, sua voz fria e firme. — Cansaço não significa vulnerabilidade. Ela precisa de proteção, não de piedade.

Yohan bufou mentalmente, franzindo o cenho.

— Você é impossível. Acha que tudo é questão de lógica, de estratégia. Mas ela… — a palavra ficou suspensa, impregnada de desejo e curiosidade. — Ela é diferente.

Mason fechou os olhos por um instante, absorvendo a frustração do irmão. Cada vez que pensava em Cassie, seu coração batia mais rápido, embora o velho luto ainda o consumisse. Savannah não podia ser substituída, e a ideia de entregar sua lealdade ou sua paixão a outra mulher ainda o perturbava.

Ele era prático: precisava dela viva e protegida. O restante, sentimento, era um luxo que não podia se permitir.

Durante a noite, os dois permaneceram no terreno, observando pela janela do hotel. Até tentaram entrar no local, mas foram barrados ainda na portaria, precisariam buscar um lugar para ficar, já que as coisas não seriam tão rápidas como imaginaram.

Cassie se movimentava, organizando papéis, relendo anúncios de audições, anotando endereços, revisando números de telefone. Cada gesto era registrado pelos olhos atentos dos shifters.

O ar frio da madrugada misturava-se ao perfume dela, e Yohan suspirava baixinho, perdido em pensamentos românticos, enquanto Mason permanecia rígido, a mente calculando possibilidades de ação.

Na manhã seguinte, Cassie resolveu explorar um bairro que ainda não conhecia, esperançosa de encontrar oportunidades diferentes. Passou por ruas estreitas e movimentadas, cafés com músicos improvisando, galerias de arte escondidas atrás de portas discretas. O coração dela vibrava a cada nova possibilidade. No fim do dia, o acaso guiou seus passos até uma casa noturna, com letreiros brilhantes e cortinas pesadas.

Ela hesitou à entrada, mas o cartaz anunciava um show. Pagou os 20 dólares e sentou no bar com os olhos atentos ao palco.

Quando as cortinas se abriram, ela prendeu a respiração.

As roupas das mulheres eram chamativas, quase provocantes, e Cassie arqueou a sobrancelha, julgando rapidamente o local. Pensou em virar e ir embora, mas algo na música a prendeu: uma batida envolvente, cheia de ritmo e emoção.

O espetáculo começou. A performance de “Welcome to Burlesque” encheu o ambiente com energia elétrica. Cantoras, dançarinas e performers se moviam com destreza, combinando força e sensualidade de forma hipnotizante.

Cassie ficou boquiaberta; aquilo não era strip no sentido vulgar, era arte, paixão e talento misturados, algo que a inspirava profundamente.

Cada movimento e cada nota cantada acendiam um fogo dentro dela, reacendendo a determinação de seguir seu sonho.

— Isso… — murmurou para si mesma, os olhos brilhando. — É disso que eu quero fazer parte.

Após o espetáculo, Cassie se aproximou virou para o bar, observando discretamente o barman Peter, que parecia encantado tendo assistido suas reações durante toda as performances da noite.

Ela respirou fundo, sentindo uma onda de coragem crescer dentro dela. Precisava de uma chance. Aproximou-se, oferecendo seu melhor sorriso e voz firme.

— Oi… meu nome é Cassandra. Eu… gostaria de trabalhar aqui.

Peter olhou para ela, surpreso com a determinação e energia da moça. Havia algo em seus olhos que transmitia sinceridade e paixão. — Você parece corajosa — comentou, um leve sorriso surgindo. — Precisa falar com a Chay, olhou para mulher mais velha que observava a cena ao seu lado.

Chay, a dona do local, levantou os olhos, avaliando Cassie com cuidado. — Tem certeza de que quer trabalhar aqui? Não é fácil. É muito trabalho, e a noite é longa.

— Tenho certeza — respondeu Cassie, a voz firme, mas com um brilho de esperança. — Prometo que não vou decepcionar.

— E onde você é, garota?

— Arizona. Eu canto, danço, o que quiser — falou animada.

Chay arqueou a sobrancelha. Como poderia colocar uma caipira uma em seu palco simplesmente?

— Não estamos precisando de dançarinas, querida.

Cassie olhou em volta, precisava daquela oportunidade. Quando viu uma bandeja parada ali, colocou a última bebida preparada por Peter em cima e sorriu.

— Eu posso servir, tenho experiência como garçonete.

Seus olhos brilhavam de esperança e Peter mirou Chay com um sorriso de lado, incentivando. Ele tinha achado Cassie linda, e radiante.

Após alguns minutos de negociação, Peter convenceu Chay, aceitando que ela começasse como garçonete. Cassie sentiu uma explosão de alívio e alegria. Finalmente estava dentro de um espaço que respirava arte, onde poderia observar e, quem sabe, convencer a dona a deixá-la mostrar seu talento em uma futura audição.

Enquanto isso, Mason e Yohan continuavam a observar de longe, estudando cada movimento dela. O prédio em que se hospedaram oferecia uma visão parcial do hotel onde Cassie estava, e eles permaneciam atentos, vigilantes.

— Ela se adapta bem — comentou Yohan, os olhos brilhando. — Está encontrando seu caminho rapidamente.

— Aqui não é o lugar dela — respondeu Mason, firme. — Ela tem uma função na matilha.

Yohan olhou para o irmão com uma mistura de incredulidade e impaciência.

— Você não percebe que ela é a nossa salvação, nossa companheira? A Dama da Lua nos trouxe até ela. Você ainda não admite sentir.

— Eu sei o que sinto — retrucou Mason mentalmente, crispando os punhos. — Mas não posso permitir que sentimentos antigos atrapalhem a missão. Precisamos protegê-la antes de qualquer outra coisa.

Naquela noite, Cassie voltou para o hotel exausta, mas cheia de novas esperanças. A experiência no clube, mesmo limitada, havia reacendido sua paixão. Observava cada detalhe, cada gesto das dançarinas, cada nota cantada, cada movimento coreografado. Sabia que queria estar ali no palco, e a posição de garçonete era apenas o primeiro passo.

Do outro lado da rua, no edifício onde Mason e Yohan se instalaram, os dois observavam novamente. A noite caía, e a cidade se iluminava em neon e luzes quentes. Cada passo de Cassie, cada expressão de curiosidade ou frustração, era registrada com precisão pelos olhos atentos dos shifters. O instinto de proteção crescia em Mason, e a fascinação romântica em Yohan se intensificava a cada instante.

Eles permaneceram atentos até que Cassie desaparecesse por trás das portas do hotel, cada respiração e batida do coração dela transmitida diretamente à mente dos dois. O destino estava se desenhando, e cada segundo passado observando-a era um passo a mais rumo ao inevitável encontro.

Mason fechou os olhos, o conflito interno evidente: precisava dela viva, sua proteção era essencial, mas ainda carregava o peso de Savannah, lembrança constante de um amor perdido. Yohan, impaciente e apaixonado, não entendia por que o irmão resistia à própria natureza.

— Ela é nossa — enviou mentalmente, ansioso. — Devemos nos aproximar.

— Ela ainda não sabe de nada — respondeu Mason. — Nosso tempo virá, quando estivermos prontos para levá-la sem que nada atrapalhe.

E assim, a noite caiu sobre Los Angeles, a cidade vibrante continuava a pulsar ao redor de Cassie, e a alcateia, oculta e silenciosa, observava, esperando o momento certo para que o destino finalmente entrelaçasse suas vidas.

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