Gustavo segurou Ashiley pelos ombros quando ela quase perdeu as forças.
O papel velho tremia nas mãos dela como se ainda carregasse o susto de três anos atrás.
— Ash… respira.
— Eu estou aqui.
Ela fechou os olhos, lutando contra a avalanche que ameaçava engolir tudo de uma vez.
Pietro, parado perto da porta, parecia um fantasma do que restava da culpa dele.
Aline, encolhida num canto, não sabia onde colocar as mãos nem os olhos.
Heitor e Marina aguardavam em silêncio absoluto — testemunhas da queda das máscaras.
Gustavo inclinou a cabeça, os olhos nos dela.
— Você quer ler comigo?
Ashiley engoliu seco, mas assentiu.
Ele pegou a carta do chão com cuidado.
O envelope era antigo, rasgado pelo tempo e pelo peso do abandono.
A letra era… reconhecível.
Dela.
Mas mais torta, mais trêmula, mais desesperada.
Gustavo abriu a folha devagar.
E começou a ler em voz baixa.
“Mãe, se você está lendo isso… é porque eu fui embora.
E eu não fui porque quis.
Eu fui porque tenho medo.”
Ashiley fechou os o