A frase de Heitor pairou no ar como uma bomba recém-detonada.
“Ela saiu da cidade com o seu pai.”
Ashiley sentiu o estômago afundar.
Gustavo ficou imóvel por três segundos que pareceram uma eternidade — o suficiente para perceber que algo dentro dele se partia.
Pietro passou a mão no rosto, incrédulo.
— O pai dela? Isso… isso não faz sentido. Ele nunca se envolveu em nada diretamente.
Gustavo enfim respirou — um único, longo e perigoso suspiro.
— Faz sentido sim.
Pausa.
— Faz todo o maldito sentido.
Ashiley virou para ele.
— Gustavo… o que você sabe?
Ele aproximou-se dela devagar, como alguém que carrega uma notícia que dói.
— Ash… seu pai nunca quis que você liderasse nada.
— Ele queria… controlar você.
— E a Laura era a mão direita dele pra fazer isso sem se sujar.
Ashiley recuou um passo.
— Não…
— O meu pai nunca faria isso comigo.
Gustavo segurou seu braço, com cuidado.
— Ele já fez.
— Você só não lembrava.
A voz dele era firme, mas cheia de dor por ela.
Ashiley balançou a cabeça.