A sala ainda estava mergulhada naquele silêncio pesado, como se o ar tivesse gosto de verdade amarga.
Ashiley secou as lágrimas com as costas da mão, embora parecesse que mais algumas insistiam em cair.
Gustavo ainda estava ajoelhado diante dela, mas seu corpo inteiro parecia um fio prestes a arrebentar.
Heitor se afastou devagar, sentindo a temperatura do ambiente mudar.
Gustavo levantou.
Devagar.
Sem pressa.
Mas com uma fúria concentrada que parecia capaz de derrubar paredes.
— Heitor. — A voz dele saiu grave, firme. — Quero todos os acessos da Laura bloqueados. Agora.
Pausa.
— Contas, documentos, e-mails, telefones, veículos… tudo.
Heitor assentiu imediatamente.
— Já estamos trabalhando nisso.
— Ótimo — disse Gustavo.
Os olhos dele estavam escuros.
— Porque a partir de hoje, a gente deixa de correr dela…
Pausa curta.
— e ela começa a correr da gente.
Ashiley engoliu seco.
Era a primeira vez que via Gustavo assim — completamente sem máscara, sem a frieza calculada de sempre.
Era um